04 setembro 2008

26 DE SETEMBRO, 21 HORAS


Eu possuo preciosamente um amigo (o seu nome é Jacinto) que nasceu num palácio, com quarenta contos de renda em pingues terras de pão, azeite e gado.

EÇA DE QUEIRÓS, Civilização


A porta ficava ao fim do corredor, tinha uma chapazinha esmaltada, números pretos sobre fundo branco, não fosse isto um recatado quarto de hotel, sem luxos, fosse duzentos e dois o número da porta, e já o hóspede poderia chamar-se Jacinto e ser dono duma quinta em Tormes, não seriam estes episódios de Rua do Alecrim mas de Campos Elísios, à direita de quem sobe, como o Hotel Bragança, e só nisso é que se parecem.

JOSÉ SARAMAGO, O Ano da Morte de Ricardo Reis


Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elísios, nº 202.

EÇA DE QUEIRÓS, A Cidade e as Serras

Um comentário:

reaccionário impudente disse...

Vejo com alegria que estão a ler "A Cidade e as Serras". Esta é a minha obra preferida em Eça de Queiroz. Aceitarão que não me entusiame com o padre Amaro ou com o primo Bazilio. Ainda menos com a Amélia ou a Luiza. As mulheres são a perdição!...Até para santos.
Mas aqui está um romance que defende os verdadeiros valores portugueses.
Acho graça a isso que chamam o "spleen" de Paris, doença fatal daquele Baudelaire e outros que tais.Jacinto, felizmente, salvou-se a tempo. "Fugere urbem!" Abençoadas serras de Portugal!
Estou tão entusiasmado que se o meu pé gotoso não me apoquentar, irei visitá-los na sessão de 26 de Setembro.
Tenho alguma curiosidade em conhecer a leitora Sílfide.
Cumprimentos,