25 março 2012

SIGAMOS A LAMPREIA!


A Alexandre O´Neill

Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo (...)

Do livro No Reino da Dinamarca (1958)



Sigamos a lampreia, meus amigos,
esse improvável peixe de misteriosas hidrografias,
de secretos rios que se entregam a outros rios

na jusante do sexo rubro das águas: afluentes

do sonho e do contentamento contra o abismo

incolor dos dias comuns. Sigamo-la, pois,

já que aqui estamos rendidos ao seu perfil

silencioso,  dispostos a aceitar  

que subiremos as veias de água

dolorosamente talhadas no corpo  da terra,
cursos líquidos do infinito desejo,
com a naturalidade 
de quem se entrega para morrer e renascer

nos açudes do amor.


JOSÉ RAFAEL
C. Bode, q.-f. c., 25 de Fevereiro de 2004

(Poema dito em 23 de Março de 2012 depois de um jantar de lampreia com vários elementos da Comunidade.)

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