23 julho 2012

OS MITOS (4)

Teseu castigando Procustes no seu próprio leito. Proveniência: decoração dum domicílio ateniense, cerca de 440-430 a.C. - Bristish Museum.

Um dos mais célebres feitos de Teseu foi a captura e morte de Procustes [ver fala de Hipólito no Acto I, Cena I de Fedra], um salteador da Ática que oferecia guarida aos viajantes e depois os submetia a uma perversa tortura: fazia-os deitar num leito que tinha em sua casa, e conforme os membros inferiores dos infelizes excedessem ou ficassem aquém das dimensões desse leito, assim os cortava com a sua afiada espada ou os puxava com cordas até atingirem a correspondente medida. Teseu infligiu-lhe igual suplício.
O leito de Procustes é objecto de frequentes alusões literárias como situação tirânica, aflitiva ou redutora da liberdade de criação poética.
Um poetastro moderno deu voz a Procustes, escrevendo algures:
Reconheço os crimes que cometi, o terror que espalhei pela Ática, infligindo aos viandantes os suplícios do leito. Via-os chegar exaustos ao cais do porto onde os esperava, queimados de vento e pó, as sandálias e as túnicas desfeitas,– de bom grado aceitavam a miragem de repouso que lhes prometia, etc., etc., etc.

Um comentário:

Maria Amélia disse...

Foi esse poema que me levou a conhecer o monstro e perceber a referência, sempre actual...e assustadora, por menos física que seja. Por favor, repõe o poema ou indica o link de acesso.