26 janeiro 2013

EGITO GONÇALVES

Poeta não do Porto, mas de Matosinhos, ontem lido na nossa sessão de Júlio Dinis. Livrinho de 1970. Aí fica um poema, para leitura serena:

Às vezes
no coração da noite
debruço-me sobre ti e interrogo
a sombra da tua pele.

Pergunto com o olhar, depois
os lábios movem-se,
toco-te, todo um ciclo
recomeça.

Que gesso aprisiona o sangue
que nos morde? Que navio espero
no final dos meus gestos?

O importante é saber
onde dói.

 
(p.57)

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