09 março 2013

Do «Pórtico» de A TEMPESTADE (1940)



Os homens, na sua maioria, não se compreendem uns aos outros. Aferram-se ao seu egoísmo, a reacções primitivas, a ideias feitas, a prejuízos remotos, uns; entregam-se à submissão, os outros, os mais fracos. E até alguns dos que pareciam melhor dotados para colaborar na obra de compreensão humana que é preciso dar ao Mundo, costumam arrepiar caminho antes de findar a jornada. Depois de terem esgotado mais de metade da vida a descer dos deuses e a acreditar nos homens, empregam o resto do tempo, com o mesmo facciosismo com que, até há pouco, faziam o contrário, a desprezar os homens e a adorar os deuses.



FERREIRA DE CASTRO - A Tempestade, 10.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1980.




Um comentário:

Manuel Nunes disse...

Vou começar a ler depois de Miranda, lá para dia 20.