24 setembro 2013

ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)

PASSA UMA AVE DE SOMBRA

Avançar desfazendo
os nós dos nomes
aceitando a oferta nua
na sua abolição

Passa uma ave de sombra
entre as virilhas do sol
e sob a cálida abóboda
a duração redonda
nos seus anéis de pólen
flui sem ecos

A amêndoa do estio
consagra
a lentidão clara
do sossegado desejo
de não ser nada

Figuras Solares, 1996

Um comentário:

Maria Amélia disse...

Em jeito de homenagem, não há como ler o grande Poeta que foi, ou antes é: "estou vivo e escrevo sol"... enquanto durar a Memória.