03 abril 2014

HAH!

AMEDEO MODIGLIANI (1884-1920), Nu Deitado

Há a mulher que me ama e eu não amo.
Há as mulheres que me acamam e eu acamo.
Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.

Ah essa mulher!

Tu eras mais feliz, Apollinaire:
montado num obus, voavas à mulher.
Tu foste mais feliz, meu artilheiro:
tiveste amor e guerra.

Eu andei pra marinheiro,
mas pus óculos e fiquei em terra.

Upa garupa na mulher que me acama,
que a outra é contigo, coração que bem queres
sofrer pelas mulheres...

ALEXANDRE O´NEILL, De ombro na ombreira (1969)

 ALEXANDRE O´NEILL (1924-1986)
GUILLAUME APOLLINAIRE (1880-1918)

7 comentários:

JOSEPH disse...

(...)
Entourée de flammes ferventes Notre-Dame m´a regardé à Chartres / Le sang de votre Sacré-Coeur m´inondé à Montmartre / Je suis malade d´ouïr les paroles bienheureuses / L´amour dont je souffre est une maladie honteuse / Et l' image qui te possède te fait survivre dans l´insomnie et dans l´angoisse / C´est toujours près de toi cette image qui passe
(...)

Apollinaire, "Zone"

Custódia C.C. disse...

A coisa boa destes amores extremosos é a inspiração que provocam :)

JONAS disse...

Há mar e mar
Há ler e escrevinhar

Sem medos

Maria Amélia disse...

Por não ter medo do que devia é que Jonas foi engolido pela Baleia...

MANUEL JOSÉ disse...


Relativamente ao comentário das 16:13, esclareço que se tratou de um ensaio de um nosso querido amigo, no qual acedi participar, relativamente à forma de colocar comentários neste blogue. Ainda lhe sugeri que escrevesse 1, 2, 3, experiência - mas ele não esteve para aí virado, puxou-lhe o teclado para a onomástica bíblica e para a bravata. Pessoalmente, este episódio da baleia (ou do peixe) diz-me pouco. -- Prefiro o de Daniel na cova dos leões.

Custódia C.C. disse...

Uma das coisas de que gosto nestes comentários ... é mesmo o efeito borboleta :)

Leal de Góis disse...


Muito belo o poema de A.O. Fascinante a pintura do Amadeo M. Sempre me comoveram as Mulheres desse pintor. Aqui são inúteis as palavras. Da primeira vez que as vi num artigo da revista ABC, se não erro, fiquei 15 minutos calado. Foi há 40 anos. Agora fico pelo menos 30. E pensar que o Amadeo teve de queimar as suas pinturas para se aquecer fisicamente. Miséria ! Que mundo cego!!