23 maio 2014

MARIO QUINTANA (1906-1994)


A morte é que está morta

                                            PARA JOSÉ RÉGIO

A morte é que está morta.
Ela é aquela Princesa Adormecida
no seu claro jazigo de cristal.
Aquela a quem, um dia – enfim – despertarás…

E o que esperavas ser teu suspiro final
é o teu primeiro beijo nupcial!

– Mas como é que eu te receava tanto
(no teu encantamento lhe dirás)
e como podes ser assim – tão bela?
Nas tantas buscas, em que me perdi,
vejo que cada amor tinha um pouco de ti…

E ela, sorrindo, compassiva e calma:

E tu, por que é que me chamas Morte?
Eu sou, apenas, tua Alma…

MARIO QUINTANA, Apontamentos de História Sobrenatural, Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2012, p. 95.
Centro Mario Quintana, Porto Alegre (RS), Outubro de 2012

Um comentário:

Custódia C. disse...

O MQ faz parte do lote dos poetas intemporais ...