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02 outubro 2019

“A Capital” de Eça de Queirós - 25 Outubro às 21h00



A abrir:

“A estação de Ovar, no caminho de ferro do Norte, estava muito silenciosa, pelas seis horas da tarde, antes da chegada do comboio do Porto.
A uma extremidade da plataforma, um rapaz magro de olhos grandes e melancólicos, a face toda branca da frialdade de Outubro, com uma das mãos metida no bolso de um velho paletó cor de pinhão, a outra vergando contra o chão uma bengalinha envernizada, examinava o céu. De manhã chovera e a tarde ia caindo com uma suavidade muito pura. Laivos rosados esbatiam-se nas alturas como pinceladas de carmim muito diluído em água, e longe, sobre o mar, para além da linha escura dos pinheirais, por trás de grossas nuvens tocadas ao centro de tons de sanguínea e orladas de ouro vivo, subiam quatro fortes raios de sol, divergentes e decorativos que o rapaz magro comparava às flechas ricamente dispostas de um troféu luminoso…”

In “A Capital” de Eça de Queirós

02 setembro 2019

“Uma Noite em Lisboa” de Erich Maria Remarque – 27 de Setembro às 21h00



Sinopse

A Alemanha Nazi ocupava grande parte da Europa. Terra de todos e de ninguém devido ao jogo duplo de Salazar, Lisboa foi durante toda a guerra um território neutro. Num cenário de guerra e perseguição, tornou-se o paraíso à beira-mar plantado. Para além da sua beleza natural e da paz, foi uma das poucas portas de saída para os que desejavam uma oportunidade para construir uma nova vida do outro lado do Atlântico.

Depois… uma noite em Lisboa, quando um refugiado olha cobiçosamente para um transatlântico, um homem aproxima-se dele com dois bilhetes de embarque e uma história para contar. É uma história perturbante de coragem e traição, risco e morte. Onde o preço do amor vai para além do imaginável, e o legado do mal é infinito. À medida que a noite evolui, os dois homens e a própria cidade criam um laço que vai durar o resto das suas vidas…

06 agosto 2019

“O Lobo das Estepes” de Herman Hesse - 30 de Agosto às 21h00



Abri ao acaso e li:

“… Era assim o sonho. Eu estava sentado e aguardava numa antecâmara antiquada. A princípio apenas sabia que tinha encontro marcado com uma Excelência qualquer, mas depois lembrei-me que era o senhor de Goethe que me ia receber. Infelizmente eu não viera ali a título meramente privado, mas na qualidade de correspondente de uma revista, isso contrariava-me muito, e eu não conseguia entender porque diabo tinha vindo parar àquela situação. Para mais andava desassossegado com um escorpião que tinha acabado de descobrir e que tentava trepar-me pela perna acima. Tentava livrar-me do escuro reptilzinho sacudindo-me e sacudindo-o, mas não sabia onde ele se tinha metido, e não ousava avançar a mão fosse para que lado fosse…”

In “O Lobo das Estepes” de Herman Hesse

03 julho 2019

26 Julho às 21h00 - "Werther" de Goethe


“…E tu, ó alma sensível que sofres dos mesmos pesares: que o teu coração dolorido encontre alívio na descrição das mágoas que ele sofreu e que este livro seja para ti um amigo, se, por impiedade da sorte, ou por tua própria culpa, te não for dado encontrar afeição mais real…”

in "Werther" de Johann Wolfgang von Goethe

06 junho 2019

“Um Homem não Chora” de Luis de Sttau Monteiro” - 28 de Junho às 21h00


A abrir:

“Procuro com a mão o despertador que está a tocar há mais de meio  minuto. Encontro-o entre um livro e um copo de água que me colocam todas as noites sobre a mesinha de cabeceira. Carrego num botão e o silêncio volta a entrar no meu quarto. Sei que já não posso adormecer. O meu despertador toca invariavelmente às oito da manhã, todos os dias faça sol ou faça chuva.
É uma das invariáveis da minha vida, tão invariável como o amor da Fernanda, como os jantares de família nos dias santos, como o som do piano da vizinha aos Domingos…”

In “Um Homem não Chora” de Luis de Sttau Monteiro”

06 maio 2019

"Tanta Gente Mariana" de Maria Judite de Carvalho - 31 de Maio às 21h00

Abri ao acaso e li:

"...Agora eram quatro horas e caminhava pela rua fora. Estava frio, mas ela não o sentia. Não sentia coisa nenhuma, a não ser as malhas da meia direita a escorrerem-lhe pela perna abaixo e também o salto que de vez em quando a fazia tropeçar. Estava num dos seus dias negros. Sozinha..."

in "Tanta Gente Mariana" de Maria Judite de Carvalho. Do conto, "A Avó Cândida"

03 abril 2019

"A Escola do Paraíso" de José Rodrigues Miguéis - 26 de Abril às 21h00


A abrir

"O vento mia e rabeia no telhado, abala a casa, parece que leva tudo pelos ares, engolfa-se a espaços pela chaminé abaixo, espevita o lume onde a chaleira canta, vai fazer oscilar a chama do candeeiro de petróleo e arranca-lhe um veuzinho de fumo negro. Algures, uma porta mal engonçada bate no trinco, enfurecida, como se quisesse libertar-se e partir com o vento à grande aventura.
Na mansarda, de outro modo silenciosa, paira uma inquietação. Só ali na cozinha brilha a luz amarela e tranquila, que o abajur de papelão concentra na mesa e na tábua de engomar.Ao lado, pelo respiradouro em ogiva do ferro, espreita um lume quase branco, de inferno em miniatura, que espalha o aroma e o calor reconfortantes do sobro queimado. Alvas de neve e cuidadosamente dobradas, vão-se empilhando na mesa as peças dum minúsculo enxoval..."

Início do conto "O Gato Preto", o primeiro in "A Escola do Paraíso" de José Rodrigues Miguéis

01 março 2019

"Bom Dia, Tristeza" de Françoise Sagan, 29 de Março às 21h00


Abri ao acaso e li:

"...Surpreendeu-me a nitidez das minhas recordações a partir daquele momento. Adquirira uma consciência mais viva dos outros, de mim mesma. A espontaneidade,  o egoísmo fácil sempre foram, para mim, um luxo natural. Sempre vivera. Ora os últimos dias tinham-me perturbado o suficiente para me levarem a reflectir, a ver-me viver. Passava por todas as angústia da introspecção sem, contudo, me reconciliar comigo mesma..."

in Bom Dia, Tristeza de Françoise Sagan

01 fevereiro 2019

"O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë - 22 de Fevereiro às 21h00


"... Aproximámo-nos todos, e eu, por cima da cabeça de Cathy, enxerguei um garotito sujo e andrajoso de cabelos pretos. Era suficientemente grande para andar e falar e, pelo rosto, parecia até mais velho do que Catherine; mas, quando o puseram de pé, limitou-se a olhar em volta e a repetir, sem parar, palavras que ninguém entendia..."

in "O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë

03 janeiro 2019

"Sensibilidade e Bom Senso" de Jane Austen - 25 Janeiro às 21h00



"...If I could but know his heart, everything would become easy...", in Jane Austen's "Sense and Sensibility"

Para respeitar o romantismo e o ambiente vitoriano, tão encantadoramente descritos nos romances (ou será novelas?) da Jane Austen, deixei propositadamente em inglês, esta referência ao primeiro livro do ano.

As fotos são de duas capas muito elegantes, sendo a segunda de uma edição em inglês, que optei por comprar, seguindo o conselho da nossa leitora Maria Amélia. Foi uma boa opção porque todo o livro é mesmo muito bonito, com pequenas ilustrações intercaladas.

05 dezembro 2018

"Crónica do Rei Pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester - 28 de Dezembro às 21h00


"...
Mas o remédio a curto prazo tem que ser acordado agora mesmo entre Vossa Excelência e eu.
- De que remédio se trata?
- De impedir que o Rei veja a Rainha nua. Os pecados da noite passada são suficientes para pôr em perigo a monarquia e, com ela, a verdadeira cristandade; se a isto acrescentarmos essa monstruosa contemplação proibida pelas leis humanas e divinas, não me atrevo a imaginar o que será de nós..."

Parte de um diálogo entre Sua Paternidade o Padre Villaescusa e Sua Excelência o Valido in "Crónica do Rei Pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester

07 novembro 2018

"O Pintor de Batalhas" de Arturo Pérez-Reverte - 30 de Novembro às 21h00


"O triunfo da morte" (1562) de Pieter Brueghel, o Velho, a pintura que dá a capa ao romance"O Pintor de Batalhas" de Arturo Pérez-Reverte, no livro das edições ASA. O quadro está no Museu do Prado, em Madrid.

01 outubro 2018

"A Velocidade da Luz" de Javier Cercas - 26 de Outubro às 21h00


A leitura promete, Logo a abrir é assim:


"Agora levo uma vida falsa, uma vida apócrifa, clandestina e invisível embora mais verdadeira do que se fosse real, mas eu era ainda eu quando conheci Rodney Falk. Foi há muito tempo e foi em Urbana, uma cidade do Middle West norte-americano onde passei dois anos nos finais da década de oitenta. A verdade é que cada vez que me interrogo por que terei ido parar precisamente lá, respondo a mim próprio que fui parar precisamente lá como poderia ter ido parar a qualquer outro sítio. Contarei por que razão, em vez de ir parar a qualquer outro sítio, fui parar precisamente lá..."

in "A Velocidade da Luz" de Javier Cercas

05 setembro 2018

"O Caminho Imperfeito" de José Luís Peixoto - 28 de Setembro, às 21h00

Abri ao acaso e li:

"... A canja tinha patas de galinha, era o melhor. A minha mães escolhia-mas para o prato. Eu segurava-as e chupava-lhes a carne - descolava-se sem esforço. Deixava apenas os ossos, como peças de um brinquedo de montar.
Onde ficou esse rapaz? Onde me afastei dele até quase parecer que o esqueci? Que distância é esta que nos separa? ..."

in "O Caminho Imperfeito" de José Luís Peixoto (final do capítulo 50)


Esperemos que não haja sobressaltos e possamos voltar à rotina das nossas sessões, na última Sexta-feira de cada mês. Qualquer alteração, daremos noticias...

05 agosto 2018

"Na Patagónia" de Bruce Chatwin - 31 de Agosto às 21h00


Abri ao acaso e caí no capítulo 51:

"Os sulistas ainda hoje se lembra do esbelto galego ruivo que nem barba tinha. Os seus olhos azuis semicerrados traduziam bem a incerteza e o fanatismo celtas. Vestia, naquele tempo, calças justas e polainas e usava o boné posto de lado na cabeça. Plantava-se na rua lamacenta  a citar frases de Proudhon e Bakunine a cerca da propriedade ser o roubo e a destruição de uma paixão criativa, enquanto o vento fustigava as suas bandeiras vermelhas..."

in "Na Patagónia" de Bruce Chatwin

11 julho 2018

As Viagens de Marco Polo - 27 de Julho - 21h00


A abrir

"Aqui começa o livro do Senhor Marco Polo de Veneza, que se chama "Milhão", o qual conta muitas novidades de Tartária e das três Índias e de muitos outros países..."

in "As Viagens de Marco Polo" - edição de bolso Europa-América

04 junho 2018

"A Mancha Humana" de Philip Roth, 29 Junho às 21h00


Ao acaso

" ... Nada dura e, todavia, nada acaba, também. E nada acaba precisamente porque nada dura..." 

in "A Mancha Humana" de Philip Roth

01 maio 2018

02 abril 2018

"O Deus das Pequenas Coisas", de Arundhati Roy - 27 de Abril às 21h00


Abri o livro ao acaso e este parágrafo despertou-me a atenção:

" ... Pequenos acontecimentos, coisas vulgares, destruídas e reconstituídas. Investidas de novo significado. Subitamente tornam-se nos ossos descorados de uma história..."

in "O Deus das Pequenas Coisas", de Arundhati Roy

11 março 2018

"Enseada Amena" de Augusto Abelaira, 23 de Março às 21h00


A abrir

"Só agora Ana Isa dá por isso: o casaco de lã que, momentos antes, ao sentar-se muito cansada naquele banco da Avenida, pôs de lado ao alcance da mão, poderia parecer (a olhos estranhos) que guardava um lugar. Para um amigo? Uma amiga? Por exemplo (ideia que não lhe passou pela cabeça): um lugar para o Osório - o Osório que nesse preciso instante a observa, o Osório que duas ou três vezes já, nos últimos anos, a tem visto aqui ou ali, sentada ou a andar, e não vai ter com ela, o que é (ele bem o sabe) uma fuga..."

"Enseada Amena" de Augusto Abelaira