Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
18 outubro 2009
Reflexões sobre a leitura de romances
17 outubro 2009
05 outubro 2009
19 setembro 2009
LIVROS PARA 2010
Dante Castelani
Sei que ainda falta algum tempo, mas já ando com umas ideias para os nossos livros de 2010. Aqui vão três propostas que somadas às das nossas leitoras e leitores (raros) permitirão a eleição dos doze livros do ano – sem campanhas, sondagens e outras coisas que tais:
= “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queiroz, em diálogo com a pintura alusiva de Paula Rego.
= “Morte em Veneza” de Thomas Mann, tendo presente o filme homónimo de Luchino Visconti.
= “O Vendedor de Passados” de José Eduardo Agualusa, não perdendo de vista os escritos de Jorge Luís Borges.
Que tal?
Anseio pelo momento límpido da escolha.
M.N.
09 setembro 2009
"O OUTONO EM PEQUIM" de Boris Vian, 25 de SETEMBRO, 21 HORAS
08 setembro 2009
BORIS VIAN - LE DÉSERTEUR
Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
(Contributo de Custódia Coroa, que nos mostrou esta canção com letra e música de Boris Vian.)
18 agosto 2009
"MEMÓRIAS DE ADRIANO"
15 agosto 2009
PLOTINA

naquele dia de Inverno em Antioquia. O sismo
derrubara as traves das casas,
nas florestas e praias da Síria,
e entre o desânimo dos soldados, que viam
na catástrofe o presságio de próximas derrotas,
heroicamente obstinado, acreditava nos reflexos
de oiro lavrados nas areias da Ásia.
Lias-me um poema grego, a tua voz era
um cântico de musa, e um diadema de volutas
cingia-te a fronte. Tive a certeza,
naquele instante de suprema elevação, feito
de poesia e dos mais puros afectos,
de que eram os mesmos os caminhos
por onde seguíamos, que tu me conhecias e amavas
como o vento conhece e ama
as copas das árvores, os cabelos das mulheres,
o delírio ondulante das searas
nas tardes rubras do mês das espigas.
Estive sempre longe e perto de ti. Busco agora,
Amei-te mais com a alma e menos com o corpo,
e só por isso foste verdadeiramente minha.
Passaste como a ave
que risca os céus e se detém no olhar
de quem está preso à terra.
13 agosto 2009
"MEMÓRIAS DE ADRIANO"
11 agosto 2009
"MEMÓRIAS DE ADRIANO" de Marguerite Yourcenar - 28 de Agosto, 21 horas
03 agosto 2009
As nossas Cidades (In)visíveis


Lisboa, Mapa do séc. XVI

Palácio e Quinta do Marquês de Pombal, Oeiras
Rossio, Lisboa
Café no Quartier Latin, Paris

Paris

Zocalo, Cidade do México

Recanto, Veneza

Piazza del Campo, Siena


Lisboa em hora de ponta



Cidade do México

Canal, Cidade do México

Cidade do México

Catedral, Cidade do México

Mercado da fruta, Caldas da rainha
Baía de Cascais


Aveiro

Atenas
da Rainha
Recanto, Évora

Parténon, Atenas

Lisboa

Fachada, Lisboa

Lisboa

Lisboa Pombalina
«O Viajante (...) não hesita em apontar Samarcanda e os seus jardins.», in Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, Lx, Teorema, 2008
Para o Laurindo, a cidade tem o nome perfumado de Funchal e dispõe-se em presépio (a Lapinha) a partir das colinas, sobre o Atlântico, sempre com uma flor como pano de fundo, entre o céu e o mar;
26 julho 2009
AS CIDADES INVISÍVEIS
Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? - pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - Sem pedras não há arco.
Cidades (In)visíves

Cidades [in]Visíveis! busca uma nova interpretação, sem pretensões, são apenas estudos gráficos de uma obra repleta de multiplicidade que é “Cidades Invisíveis” do Ítalo Calvino, que é um completo exemplo de suas propostas para o novo milênio.

Valdrada
Isaura


"As cidades invisíveis", de Calvino, é uma espécie de "bíblia" para o entendimento das cidades e, consequentemente, de quem as habita. Se desejamos entender algum discurso que explique as cidades, e não somente o discurso mas diferentes formas de interpretação, ler este romance é quase que fundamental. É um livro delicioso de ser lido, pois são vários textos curtos nos quais Marco Polo, o famoso viajante veneziano, descreve para o imperador Kublai Khan, diversas cidades que havia visitado. Todas têm nome de mulher e, em cada uma, a linguagem mostra que podemos percorrer as ruas como se estas fossem páginas escritas. Dependendo somente do que se procura em cada cidade. Por exemplo, quais são os lugares que desejamos ir, quem gostaríamos de encontrar, se é dia ou noite... são infinitas as possibilidades de leitura. Interessante também é perceber como uma cidade ajuda a ler outra, pois há conexões entre os meios urbanos, por mais distantes que estejam. As cidades também são duplas, e isso aparece em Calvino como "cristal e chama". O traçado da cidade moderna tenderia para o cristal uma vez que é o lado racional e ideal. Já a presença do homem, com suas experiência próprias e inter-relacionadas, a transforma em chama. Na cidade e no homem, o cristal não vive sem a chama. É a duplicidade da descrição, da vida e da percepção humana.O desejo do imperador Kublai Khan é que, após as descrições, fosse possível montar um império perfeito. Fato que não pode acontecer. As cidades nunca serão perfeitas porque nós, homens, não o somos e nunca seremos. Por mais que se tente."
Paula











