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10 janeiro 2014

O MÊS DE JANEIRO E O ELEVADOR DA BIBLIOTECA



Do objetivo inicial de chamar a atenção para a data de 31 de janeiro, quando se conta realizar a nossa próxima sessão, passei a outra coisa ainda mais interessante.
Sempre em Janeiro: a 31, em 1891, no Porto, a Revolta que é considerada a mais importante precursora do 5 de Outubro de 1910; a 28 de janeiro, mas de 1908, assinala-se a Intentona do Elevador da Biblioteca, em Lisboa, o antecedente quase imediato do regicídio, levado a efeito no dia 1 de fevereiro desse mesmo ano.
Mas o que me interessa mais do que a História propriamente dita, é perceber onde se passaram os factos e neste caso, cabia perguntar que elevador era este e que biblioteca. É provável que, durante o curso na ESBAL, alguma vez me tenha cruzado com esta informação. Mas é a primeira vez que consciencializo a localização exata e os vestígios desta, nos sítios tantas vezes percorridos. Por isso quis partilhar o que, para alguns, também pode ser surpreendente.
Tal como fica patente na fotografia, o Elevador da Biblioteca, do Município ou de S. Julião, passava por cima da Calçada de S. Francisco, ligando a Praça do Município ao Largo da Biblioteca Pública (era assim no “meu” tempo), hoje Largo da Academia Nacional de Belas Artes (fundadas por um já nosso conhecido, o Passos Manuel…), atravessando na vertical prédios particulares e desembocando ao nível superior no pátio de um Palácio, que tem um portão de ferro, contíguo, penso eu, ao restaurante Tágide. A vista sobre a Baixa é notável.
Ora este elevador, o 7º em Lisboa (quais são os outros?) do mesmo autor (Raoul Mesnier de Ponsard) e tipo do de Santa Justa, funcionou desde a sua inauguração a 12 de janeiro (!) de 1897 até 1915, tendo sido desmantelado em 1920.

Lisboa, cheia de colinas (não podem ser só sete!) e vales, sempre excitou a imaginação dos defensores das circulações verticais e inúmeros planos e projetos de elevadores públicos têm surgido ao longo dos anos, para ficarem simplesmente nas nuvens, mas a povoar ainda e sempre o imaginário da cidade. Se não fosse a história da intentona, eu diria que também este tinha sido apenas mais um contributo virtual. 

Fontes: Foto: AML AF\img194\B096882.jpg