Cachoeira de Teotônio, Rio Madeira, Porto Velho
«… Este rio
já teve dois grandes romances. Um, foi a construção da estrada de ferro
Madeira-Mamoré. Levou quase meio século a fazer-se. Os homens chegavam e a
febres – zás – matavam eles. Morriam às centenas. Alguns trabalhadores que
fugiam, tremendo com sezões, eram mortos também pelos índios de lá, que são de
outra tribo. As companhias faliam e o material ficava a apodrecer. O dinheiro
que se gastou naquela estrada de ferro dava para fazer uma vinte vezes maior. O
outro…» – Cap. XIII de A Selva, fala
do senhor Guerreiro.
Referia-se o
guarda-livros à ideia surgida na Bolívia, em meados do século XIX, de escoar
a borracha daquele país através dos portos atlânticos do Brasil. Na região de
Porto Velho e a montante, as vinte cachoeiras do rio Madeira impediam a navegação.
A ferrovia até ao troço navegável do rio parecia ser a solução, mas só acabou de
se construir em 1912, quando a borracha amazónica entrara em declínio face à
concorrência dos produtores asiáticos. Uma obra feita para nada com grande gasto de vidas e dinheiro. Por tudo, ficou conhecida pelo nome de “Ferrovia do Diabo”.
