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23 novembro 2025

Encontro de Comunidades de Leitores (2)

Realizou-se ontem dia 22 de novembro, em Almada, o 2º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa. Pela segunda vez, o Davide Freitas (Técnico da Biblioteca de Almada), convidou a nossa Comunidade a fazer-se representar, cabendo-me a mim, desta vez, o convite para estar na mesa.

O encontro aconteceu na Biblioteca Central de Almada e foi integrado no programa de comemorações do seu 28º aniversário.

Para além da nossa Comunidade, estiveram presentes grupos e comunidades de leitores do Barreiro, do Feijó, de Loures, da Maia, de Oeiras e da Quinta do Anjo (Palmela).

Cada participante fez uma breve apresentação do seu grupo de leitura, falando sobre a metodologia de funcionamento, bem como sobre a sua experiência pessoal enquanto leitor.

Ficou evidente que as comunidades de leitores são muito mais do que simples clubes de livros. Para além de espaços de diálogo, inclusão e pensamento crítico e são oportunidades de conhecimento e descoberta em diferentes áreas, uma vez que a propósito dos livros e das leituras, surgem várias formas de arte, cultura e lazer.

O encontro foi um agradável espaço de partilha, onde os membros e dinamizadores dos diversos grupos de leitura, apresentaram as suas melhores práticas e desafios enfrentados na dinamização das suas comunidades, tendo ficado mais uma vez evidente, o potencial destas comunidades de leitores como catalisadores para o fomento e dinamização dos livros e da leitura.

Obrigada à Biblioteca Central de Almada, pelo entusiasmo com que organiza e incentiva estes encontros de diferentes comunidades e grupos de leitores.

25 novembro 2024

Encontro de Comunidades de Leitores (1)

(Falto eu na foto porque estava atrás da lente 😃)

No passado dia 23 de novembro, um pequeno grupo da nossa Comunidade, esteve na Biblioteca Central de Almada, a propósito da programação relativa à comemoração do seu 27º Aniversário. A nossa leitora Maria José Correia (Joca), foi convidada a participar na mesa do 1º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa e deixa-nos aqui o testemunho da sua participação. Ao mesmo tempo o seu texto funciona como registo histórico da vida desta Comunidade de Leitores, até  aos dias de hoje.


"O Davide Freitas, nosso amigo e colaborador da Biblioteca do Feijó, em Almada, convidou-me para representar a nossa Comunidade de Leitores, no 1º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa. E eu fui.

Este Encontro realizou-se no sábado, dia 23 de novembro, pelas 16h, com entrada livre, no âmbito do 27º aniversário da Biblioteca Central de Almada, com a presença da Direção-Geral dos Livros, dos Arquivos e das Bibliotecas. Antes, realizaram-se as cerimónias de entrega de dois prémios literários: Prémio Literário Cidade de Almada, Modalidade Romance, 36ª Edição (atribuído a “A matéria das estrelas”, de Isabel Rio Novo), e Prémio Literário Maria Rosa Colaço, Literatura juvenil, 19ª Edição (atribuído a “A colina”, de Rui Cerqueira Coelho).

📷 Luís Filipe Catarino | CMA

A sessão do Encontro teve a presença da DGLAB (Bruno Eiras) e foi moderada por José Mário Silva, jornalista do Expresso. Participaram na mesa, para além das citadas pessoas, representantes dos Grupos/Comunidades de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana, Cascais; da Biblioteca de Oeiras; da Bibliotecas das Galveias, Lisboa; e da Biblioteca José Saramago, Feijó, Almada. Participou também o escritor e cronista do Público João da Silva.

A minha intervenção desenvolveu-se em três ideias principais: a história da formação da nossa Comunidade, as nossas principais características diferenciadoras dos demais grupos de leitores e a nossa forma de organização e funcionamento.

O histórico das origens da nossa Comunidade pode ser lido integralmente ao longo dos registos do nosso blog COM OLHOS DE LER. A Biblioteca de S.D. Rana foi inaugurada em 2005. Em 2006, e no âmbito da promoção da leitura, do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, foram realizadas algumas sessões de dinamização, conduzidas pela Profª. Paula Coelho, da Universidade Aberta. A participação foi reunindo as pessoas que viriam a ser o cerne da nossa Comunidade, cuja primeira reunião formal ocorreu em 26 de fevereiro de 2007, de onde surgiriam as ideias mestras de funcionamento e o plano de leituras do ano. A minha primeira participação só viria a acontecer mais tarde, na sessão de julho de 2009.

Ao longo destes 17 anos, a Comunidade reuniu regularmente na última sexta-feira de cada mês, sempre à noite, 12 vezes por ano, o que dá mais de 200 livros lidos e debatidos. A Comunidade de Leitores é uma organização informal, independente, que utiliza as instalações da Biblioteca de S.D. Rana. Tem um coordenador, o nosso amigo Manuel Nunes, e agrega pessoas de diversas origens, formações, profissões (nenhum bibliotecário) e idades, cujo perfil é o mesmo: gosto por livros e leitura como primeiro passo para uma conversa aberta e coletiva. O número de presenças tem variado ao longo dos anos, tendo sido assinalado um máximo de 32 pessoas presentes; atualmente as sessões reúnem entre 20 a 25 pessoas; os leitores efetivos são habitualmente maioritários no número de presenças; a larga maioria das presenças é constituída por mulheres.

O plano de leituras é definido nos últimos meses de cada ano, a partir das sugestões dos participantes, com organização final do coordenador; habitualmente, os livros são ordenados de forma temática em cada trimestre; o plano final é divulgado na Agenda Cultural de Cascais, no nosso blog e no nosso FB. Os livros e as leituras têm sido o pretexto e o móbil, para desenvolvermos outras atividades de âmbito cultural, sendo de destacar: várias viagens (a Toledo (D. Quixote, Cervantes), à Madeira (Eternidade, Ferreira de Castro), aos Açores (Mau tempo no Canal, Vitorino Nemésio), a Portalegre (Davam grandes passeios ao domingo, José Régio), a Amarante (Espingardas e música clássica, Alexandre Pinheiro Torres), a Leiria (O crime do Padre Amaro, Eça de Queirós), a Tormes e S. Miguel de Seide (Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco); participação em outras Comunidades e Grupos de leitores; passeios e roteiros temático; idas a cinema, teatro e exposições; apresentação de livros e Feira do Livro de Lisboa. Na nossa Comunidade de Leitores, todos são bem vindos, todos têm oportunidade de apresentar os seus pontos de vista, e há sempre espaço para acrescentar uma cadeira na roda, forma como nos colocamos nas nossas sessões.

Foi-me colocada uma questão pessoal sobre a minha experiência na Comunidade, que efeitos teve na minha forma de ler, se me transformou de alguma maneira enquanto leitora. Com efeito, sempre li muito e tenho o gosto de ler, sendo “filha” das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Com a participação na Comunidade de Leitores, senti necessidade de ler com mais atenção, de reter passagens e opiniões sobre cada livro, de pesquisar para melhor compreender e argumentar na análise e no debate que envolve cada sessão. E como as conversas são como as cerejas…e as leituras também, atrás de cada livro vêm conversas, histórias, ideias, outros livros, filmes, teatros, viagens, exposições, passeios, caminhadas, jardins, parques, piqueniques, ágapes, gastronomia…enfim, uma vida mais enriquecida, do ponto de vista pessoal e cultural.  

Que este 1º Encontro dos Grupos de Leitores seja a primeira iniciativa no reconhecimento e na visibilidade destas entidades culturais, enquanto agentes promotores do livro e da leitura. E já que os preços de mercado não ajudam na aquisição de livros, que as ajude a atualização dos catálogos e o alargamento de horários das bibliotecas, enquanto serviço público de acesso e fruição livres."


07 dezembro 2012

Comunidades de Leitores

O Nosso Tempo de 04 Dez 2012 - RTP Play - RTP

Mão amiga fez chegar à nossa Leitora Joca e ela que gosta de partilhar fez-nos chegar a todos. Porque estes momentos merecem registo, cá fica para memória futura. Ora espreitem a partir do minuto 18, que bem que está representada esta nossa Comunidade!

04 janeiro 2012

A Comunidade na Agenda Cultural de Cascais


A Agenda Cultural de Cascais dedica-nos duas páginas no nº 54, relativo a Janeiro e Fevereiro 2012. 
Na rubrica "Ideias com cultura" e sob o título Com olhos de ler, é feita a apresentação da Comunidade, incluindo uma carta do nosso ilustre Mentor e Coordenador Manuel Nunes.
A Comunidade fica orgulhosa e agradece o destaque!
Para ler aqui!

16 novembro 2011

CABRAL DO NASCIMENTO - Homem de ilha e de continente

Funchal, 14 de Novembro de 2011 - Elementos da Comunidade de Leitores no dia da sessão sobre Cabral do Nascimento

Devo dizer que não li muito de Cabral do Nascimento. A obra em que mais me detive, praticamente a única, foi no Cancioneiro de 1943, constituída por quarenta e oito poemas em que emergem os grandes eixos temáticos da sua lírica: a fugacidade do tempo; a condição do homem esmagado entre o passado e o futuro; a Ilha como prisão de quem anda à solta, as grades líquidas que tolhem e projectam o poeta para o circulo alto das palavras e dos sentimentos, porque, como diz com desconcertante simplicidade, o mar ficava no horizonte; e a vida, supremo bem que não se domina, abelha de Ferreira de Castro em Eternidade e borboleta da “Canção Dorida” em Cancioneiro.
Escreveu Maria Mónica Teixeira que Cabral do Nascimento sentiu como um homem de ilha e de continente. Portanto, foi um poeta do chão inteiro da língua portuguesa, língua que começou a formar-se nos cancioneiros medievais que ele tão bem conhecia e amava, sabendo nós, desde Fernando Pessoa, que a língua é a única pátria possível dos poetas.
Perguntava-me uma jornalista madeirense, momentos antes de iniciarmos a sessão, se eu achava que Cabral do Nascimento devia ser estudado nas escolas. Respondi-lhe que sim, pensando embora que o esquecimento é nuvem negra que se abate sobre os poetas e que nos tempos sem alma em que vivemos talvez nem o próprio Camões tenha o seu lugar garantido nos compêndios.