Mostrar mensagens com a etiqueta A Comunidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Comunidade. Mostrar todas as mensagens

23 novembro 2025

Encontro de Comunidades de Leitores (2)

Realizou-se ontem dia 22 de novembro, em Almada, o 2º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa. Pela segunda vez, o Davide Freitas (Técnico da Biblioteca de Almada), convidou a nossa Comunidade a fazer-se representar, cabendo-me a mim, desta vez, o convite para estar na mesa.

O encontro aconteceu na Biblioteca Central de Almada e foi integrado no programa de comemorações do seu 28º aniversário.

Para além da nossa Comunidade, estiveram presentes grupos e comunidades de leitores do Barreiro, do Feijó, de Loures, da Maia, de Oeiras e da Quinta do Anjo (Palmela).

Cada participante fez uma breve apresentação do seu grupo de leitura, falando sobre a metodologia de funcionamento, bem como sobre a sua experiência pessoal enquanto leitor.

Ficou evidente que as comunidades de leitores são muito mais do que simples clubes de livros. Para além de espaços de diálogo, inclusão e pensamento crítico e são oportunidades de conhecimento e descoberta em diferentes áreas, uma vez que a propósito dos livros e das leituras, surgem várias formas de arte, cultura e lazer.

O encontro foi um agradável espaço de partilha, onde os membros e dinamizadores dos diversos grupos de leitura, apresentaram as suas melhores práticas e desafios enfrentados na dinamização das suas comunidades, tendo ficado mais uma vez evidente, o potencial destas comunidades de leitores como catalisadores para o fomento e dinamização dos livros e da leitura.

Obrigada à Biblioteca Central de Almada, pelo entusiasmo com que organiza e incentiva estes encontros de diferentes comunidades e grupos de leitores.

25 novembro 2024

Encontro de Comunidades de Leitores (1)

(Falto eu na foto porque estava atrás da lente 😃)

No passado dia 23 de novembro, um pequeno grupo da nossa Comunidade, esteve na Biblioteca Central de Almada, a propósito da programação relativa à comemoração do seu 27º Aniversário. A nossa leitora Maria José Correia (Joca), foi convidada a participar na mesa do 1º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa e deixa-nos aqui o testemunho da sua participação. Ao mesmo tempo o seu texto funciona como registo histórico da vida desta Comunidade de Leitores, até  aos dias de hoje.


"O Davide Freitas, nosso amigo e colaborador da Biblioteca do Feijó, em Almada, convidou-me para representar a nossa Comunidade de Leitores, no 1º Encontro dos Grupos de Leitores da Rede de Bibliotecas Municipais da Área Metropolitana de Lisboa. E eu fui.

Este Encontro realizou-se no sábado, dia 23 de novembro, pelas 16h, com entrada livre, no âmbito do 27º aniversário da Biblioteca Central de Almada, com a presença da Direção-Geral dos Livros, dos Arquivos e das Bibliotecas. Antes, realizaram-se as cerimónias de entrega de dois prémios literários: Prémio Literário Cidade de Almada, Modalidade Romance, 36ª Edição (atribuído a “A matéria das estrelas”, de Isabel Rio Novo), e Prémio Literário Maria Rosa Colaço, Literatura juvenil, 19ª Edição (atribuído a “A colina”, de Rui Cerqueira Coelho).

📷 Luís Filipe Catarino | CMA

A sessão do Encontro teve a presença da DGLAB (Bruno Eiras) e foi moderada por José Mário Silva, jornalista do Expresso. Participaram na mesa, para além das citadas pessoas, representantes dos Grupos/Comunidades de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana, Cascais; da Biblioteca de Oeiras; da Bibliotecas das Galveias, Lisboa; e da Biblioteca José Saramago, Feijó, Almada. Participou também o escritor e cronista do Público João da Silva.

A minha intervenção desenvolveu-se em três ideias principais: a história da formação da nossa Comunidade, as nossas principais características diferenciadoras dos demais grupos de leitores e a nossa forma de organização e funcionamento.

O histórico das origens da nossa Comunidade pode ser lido integralmente ao longo dos registos do nosso blog COM OLHOS DE LER. A Biblioteca de S.D. Rana foi inaugurada em 2005. Em 2006, e no âmbito da promoção da leitura, do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, foram realizadas algumas sessões de dinamização, conduzidas pela Profª. Paula Coelho, da Universidade Aberta. A participação foi reunindo as pessoas que viriam a ser o cerne da nossa Comunidade, cuja primeira reunião formal ocorreu em 26 de fevereiro de 2007, de onde surgiriam as ideias mestras de funcionamento e o plano de leituras do ano. A minha primeira participação só viria a acontecer mais tarde, na sessão de julho de 2009.

Ao longo destes 17 anos, a Comunidade reuniu regularmente na última sexta-feira de cada mês, sempre à noite, 12 vezes por ano, o que dá mais de 200 livros lidos e debatidos. A Comunidade de Leitores é uma organização informal, independente, que utiliza as instalações da Biblioteca de S.D. Rana. Tem um coordenador, o nosso amigo Manuel Nunes, e agrega pessoas de diversas origens, formações, profissões (nenhum bibliotecário) e idades, cujo perfil é o mesmo: gosto por livros e leitura como primeiro passo para uma conversa aberta e coletiva. O número de presenças tem variado ao longo dos anos, tendo sido assinalado um máximo de 32 pessoas presentes; atualmente as sessões reúnem entre 20 a 25 pessoas; os leitores efetivos são habitualmente maioritários no número de presenças; a larga maioria das presenças é constituída por mulheres.

O plano de leituras é definido nos últimos meses de cada ano, a partir das sugestões dos participantes, com organização final do coordenador; habitualmente, os livros são ordenados de forma temática em cada trimestre; o plano final é divulgado na Agenda Cultural de Cascais, no nosso blog e no nosso FB. Os livros e as leituras têm sido o pretexto e o móbil, para desenvolvermos outras atividades de âmbito cultural, sendo de destacar: várias viagens (a Toledo (D. Quixote, Cervantes), à Madeira (Eternidade, Ferreira de Castro), aos Açores (Mau tempo no Canal, Vitorino Nemésio), a Portalegre (Davam grandes passeios ao domingo, José Régio), a Amarante (Espingardas e música clássica, Alexandre Pinheiro Torres), a Leiria (O crime do Padre Amaro, Eça de Queirós), a Tormes e S. Miguel de Seide (Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco); participação em outras Comunidades e Grupos de leitores; passeios e roteiros temático; idas a cinema, teatro e exposições; apresentação de livros e Feira do Livro de Lisboa. Na nossa Comunidade de Leitores, todos são bem vindos, todos têm oportunidade de apresentar os seus pontos de vista, e há sempre espaço para acrescentar uma cadeira na roda, forma como nos colocamos nas nossas sessões.

Foi-me colocada uma questão pessoal sobre a minha experiência na Comunidade, que efeitos teve na minha forma de ler, se me transformou de alguma maneira enquanto leitora. Com efeito, sempre li muito e tenho o gosto de ler, sendo “filha” das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Com a participação na Comunidade de Leitores, senti necessidade de ler com mais atenção, de reter passagens e opiniões sobre cada livro, de pesquisar para melhor compreender e argumentar na análise e no debate que envolve cada sessão. E como as conversas são como as cerejas…e as leituras também, atrás de cada livro vêm conversas, histórias, ideias, outros livros, filmes, teatros, viagens, exposições, passeios, caminhadas, jardins, parques, piqueniques, ágapes, gastronomia…enfim, uma vida mais enriquecida, do ponto de vista pessoal e cultural.  

Que este 1º Encontro dos Grupos de Leitores seja a primeira iniciativa no reconhecimento e na visibilidade destas entidades culturais, enquanto agentes promotores do livro e da leitura. E já que os preços de mercado não ajudam na aquisição de livros, que as ajude a atualização dos catálogos e o alargamento de horários das bibliotecas, enquanto serviço público de acesso e fruição livres."


17 março 2024

Poesia nos Prazeres

Ontem tivemos mais uma atividade fora de portas: manhã de poesia no Cemitério dos Prazeres, onde homenageámos alguns dos poetas, ali eternamente residentes: Mário Cesariny, Jorge de Sena, Cesário Verde, Al Berto, António Ramos Rosa e Alcipe, Marquesa de Alorna. Com um programa bem delineado e coordenado pelo Manuel Nunes e pela Paula Silva, a quem todos agradecemos, para além de ficarmos a saber um pouco mais da vida daqueles poetas, foram ditos vários dos seus poemas pelos nossos inspirados leitores. Uma bonita manhã de quase Primavera que terminou com mais um salutar almoço convívio.

Poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Mário Cesariny

31 dezembro 2023

Balanço Anual e Feliz 2024

 

(Cartaz de divulgação da CMC)

2023 veio com nuvens negras a pairar sobre o mundo em geral e em particular na Europa, resultantes de uma grande crise económica e social relacionada ainda com a pandemia do Corona Vírus e, sobretudo, com a guerra Rússia /Ucrânia, cujo final não tem fim à vista. Lá mais para o final do ano outra guerra veio adensar as preocupações e aumentar as angústias globais, com o conflito Israel/Palestina. O mundo está a mudar e não é para melhor e todos estamos envolvidos nessa mudança.

Felizmente, no que toca a esta Comunidade e ao seu amor pelas leituras, a palavra crise não entra neste cenário e arrancámos para mais 365 dias de bons livros. Antes disso, realizámos um animado jantar convívio para celebrar a chegada do novo ano.

Janeiro chegou muito friorento, mas isso não impediu que 17 leitores estivessem presentes na BSDR, para mais uma sessão animada em torno da sátira de André Gide “As Caves do Vaticano”. O primeiro livro do trimestre, que tinha o mote “Romance e Modernismo”, agradou bastante aos leitores (apenas um não tinha ainda terminado a leitura) que se divertiram com as personagens criadas pelo escritor francês. Partindo de um rumor de que o Papa tinha sido sequestrado, Gide constrói uma trama, em que um grupo de vigaristas tenta ganhar dinheiro para libertar o Pontífice. Uma rede de personagens algo perturbadoras, cujos sentimentos e escolhas apontam a uma crítica social e moral, ajudam a construir uma estrutura narrativa aliciante, que à época entrou na lista negra da igreja católica. Para nós foi mais uma boa opção de leitura.

Em Fevereiro fomos à descoberta de um daqueles autores que todos conheciam, mas que poucos tinham lido: James Joyce e o seu “Retrato do Artista quando Jovem”. Foi uma leitura corajosa, tendo em conta as dificuldades que a maioria encontrou pelo caminho. No entanto, a história (que todos consideram autobiográfica) de crescimento do escritor, que acompanha a sua infância até à idade de jovem adulto, agarrou-nos e não nos fez desistir. Resistimos a todos os considerandos políticos irlandeses e à longa ambiência da educação jesuíta. Os contributos dados pelos leitores na sessão, acabaram por tornar mais lúcida e compreensível a apreciação do romance. Tanto que, houve quem começasse a perfilar a leitura de “Ulisses”. No final ficou uma questão: terá Fernando Pessoa lido James Joyce? Algumas pistas no romance, justificavam a pergunta. Uma investigação posterior confirmou o facto, mas com aparente pouco entusiasmo (na leitura do Pessoa, não na investigação). A sessão contou com 20 presenças e 5 que não tiveram tempo de concluir a leitura.

O trimestre terminou com mais uma densa narrativa introspetiva. O "Jogo da Cabra Cega" de José Régio, tornou longo o mês de Março para a maioria dos leitores. Um romance, também ele autobiográfico, que deixou na maior parte dos leitores uma impressão de cansaço, devido a uma procura do “eu” muito conturbada e por vezes confusa. Régio não foi um escritor de agrado global, mas teve o mérito de ocupar animadamente as duas horas e meia da sessão, levantando muitas questões pertinentes, sentimentos diferentes e reações diversas à leitura. 18 presenças, sendo que, 4 dos participantes, não acabaram a leitura.

O segundo trimestre chegou sob o mote “Romance e Contos de Autores Portugueses”, iniciando em Abril com “Os Amantes e outros Contos” de David Mourão-Ferreira. Os contos foram do agrado geral, embora quase todos reconhecessem alguma dificuldade em seguir o labiríntico pensamento dos mesmos e a utilização frequente do fantástico. Uma escrita escorreita, elegante, delicada e poética foram também alguns dos adjetivos usados pelos leitores. Outros sentiram a leitura como uma espécie de flashes contínuos, a proporcionarem uma experiência cinematográfica em forma de escrita.  Estiveram presentes 20 leitores, sendo que 2 não leram o livro. 

Em Maio, foi a vez do romance de Manuel da Fonseca, “Cerromaior”. Obra do neorrealismo (apesar de questionado pelos puristas do estilo), centra-se numa imaginária vila alentejana, retratando o espaço social, ético e político dos anos 30/40. Da família de latifundiários, classe social dominante, a uma GNR aliada aos poderosos, tudo se conjuga para a exploração do proletariado rural que vive numa constante miséria humana onde tudo falta e nada parece ter futuro. Há, no entanto, alguma réstia de esperança, no facto de Adriano, personagem principal do romance, ter um percurso de crescimento e evolução que o levam a questionar as injustiças sociais e a falta de dignidade existente no tratamento dado aos trabalhadores. 20 presenças e 3 leitores que não leram o romance.

A terminar o segundo trimestre, Junho trouxe-nos “Sombras da Raia” de Nuno Franco Pires. A presença do escritor que amavelmente aceitou o nosso convite, trouxe-nos uma outra dinâmica, acrescentando informação e muitas outras histórias relacionadas com o romance.  Começando com o início da sangrenta guerra civil espanhola (que provocou centenas de mortos em Badajoz), acompanhamos uma história de gerações que atravessa a vida de 3 famílias da raia, entre 1936 e 1918. Entre Badajoz e Elvas cruzam-se os destinos de Clara, Miguel e Inês. Através deles descobrimos uma teia de enganos e segredos, há muito escondidos pelas suas famílias. Um enredo bem trabalhado, com todo um naipe de personagens fortes, dá-nos ainda a conhecer, a evolução da doçaria mais conhecida da região, a famosa ameixa de Elvas. Ficou em aberto a organização de uma deslocação a Elvas, para seguirmos os roteiros que nos são dados a conhecer no romance. 22 presenças e 3 que não leram.      

Julho chegou e com ele demos início ao terceiro trimestre sobre o mote “Romances de Férias”. “Niketche: Uma História de Poligamia”, de Paulina Chiziane, foi o livro escolhido. Uma voz feminina a refletir sobre a condição da mulher moçambicana e a vinculação e submissão a uma sociedade patriarcal muito enraizada, contra a qual é difícil lutar. Uma escrita fluída, por vezes lírica e até bem humorada, a tratar um tema delicado. Uma sessão com bons contributos dos 19 leitores presentes, em que apenas 1 não leu o romance em apreço.

A fechar o mês de Julho e ainda no rescaldo do livro de Maio, um grupo de leitores fez uma visita a Vila Franca de Xira, com particular destaque para o Museu do Neo-Realismo que embora já conhecido pela maior parte da Comunidade, justifica sempre a visita.

Agosto trouxe “Os Anos” de Annie Ernaux, prémio Nobel de 2022. Uma autobiografia num registo muito fotográfico, escrita num formato de pequenos textos que parecem retirados de cadernos diários. Embora com a sua visão muito pessoal, pode dizer-se que é também uma crónica da segunda metade do séc XX focada na vivência francesa, apesar de algumas incursões internacionais. Foi do agrado geral das 20 pessoas presentes, em que 2 não leram o livro.

Em Setembro lemos a “A Trilogia de Nova Iorque” de Paul Auster. Três histórias um pouco sombrias, que nos levam pelo fascinante e misterioso submundo nova-iorquino num formato muito cinematográfico. Quem conhece bem e gosta deste escritor, conseguiu enredar-se facilmente nos labirintos criados por si. Quem teve um primeiro contacto com a sua escrita, sentiu alguma resistência e dificuldade na leitura. 19 pessoas presentes e 6 que não leram.

O último trimestre no ano, cujo mote foi “Outros Géneros”, trouxe-nos em Outubro um livro diferente, mas muito apreciado pela generalidade dos leitores: “O Infinito num Junco” de Irene Vallejo. Uma obra que anda entre o ensaio, o relato ou mesmo uma tese, acaba por ser um romance que nos leva numa longa viagem através do tempo e do espaço, de um objecto criado para transportar as palavras. É um livro sobre a história e a evolução dos livros, da antiguidade clássica até aos nossos dias. 17 pessoas presentes e 4 que não leram.

Ainda em Outubro e na rota do livro lido em Junho, “As Sombras da Raia”, um pequeno grupo desta Comunidade rumou num Domingo até Elvas, tendo seguido os passos de muitas das personagens daquele romance. Como sempre, ficaram memórias boas que vão construindo a história desta Comunidade.

Em Novembro abordámos o teatro, através de uma das tragédias Shakespeariana: “O Rei Lear”. Lear, o monarca que renuncia ao poder, com a intenção de dividir o seu reino pelas três filhas, em função do amor que estas lhe devotam. Gloucester, um conde que vê um dos filhos trair o outro para usurpar o poder. Vaidade, lisonja, adulação, ódio, traição, mentira, loucura fingida, caminham lado a lado com amor filial, razão, lealdade, fidelidade, dever e generosidade. A natureza humana no seu pior e no seu melhor. Uma tragédia, com raios de comédia, sobretudo através das intervenções do Bobo da corte. Apesar da maior parte dos leitores preferir ver teatro a ler teatro, o livro foi bem recebido e do agrado de todos, proporcionando uma sessão agradavelmente participada. 27 presenças e 4 pessoas que não leram.

Para terminar o ano numa forma mais lúdica e poética, continuando no tema – outras leituras-, Dezembro trouxe com ele a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e o livro “Dual”. Como diz Eduardo Lourenço no prefácio deste livro, “… Sophia foi musa de si mesma e talvez a isso se refira o misterioso e luminoso título Dual, dualismo de natural fusão de duas faces de si mesma…”. A casa, Delphos, o mar, os nossos poetas, a mitologia grega e a memória, entre outros, espelham-se ao longo da poética de Dual. No início da sessão questionava-se se a escolha de um livro de poesia teria sido acertada e que tipo de discussão daí poderia surgir. Os 21 leitores presentes (onde apenas 2 não leram) não desiludiram e todos tiveram algo a dizer e também a aprender, com esse Universo único que é Sophia.

E foi assim este ano de leituras partilhadas, num entusiasmo permanente dos muitos leitores que mensalmente marcaram presença nestas sessões. A Comunidade está de boa saúde e tem crescido com a chegada de novos leitores ao longo do ano.  Como sempre, cumpre-nos agradecer à Biblioteca de São Domingos de Rana e aos seus responsáveis, a cedência do espaço, a sua disponibilidade e apoio imprescindível.

Bom Ano 2024!

13 novembro 2023

A poesia na nossa Comunidade

 



No próximo dia 17 de Novembro, na Universidade Lusófona, o nosso amigo e coordenador Manuel Nunes, apresenta mais um livro de poesia. Divulgo e deixo o convite. Parabéns e muito sucesso, Manuel!

01 maio 2021

Voltámos

 


Ontem voltámos às sessões presenciais, com catorze entusiastas da leitura. O Cemitério de Pianos, deu o mote. A história do José Luís Peixoto não deixou ninguém indiferente. Houve quem adorasse e defendesse com paixão o seu ponto de vista e houve quem apenas lesse com cuidado e atenção e tivesse dado o tempo por bem empregue. Uns leram simplesmente ao sabor da corrente e outros leram com dificuldade. Houve quem fizesse tentativas várias e andasse para cá e para lá, mas não conseguisse agarrar a história e houve quem não lesse por não se sentir cativado ou por não ter tido acesso ao livro em tempo útil. Uma coisa é certa, a história ficcionada, mas com bases reais, deu pano para mangas e proporcionou mais umas belas horas de convívio e discussão literária.

No final da sessão, a nossa leitora Bia presenteou-nos com um poema dos “Cadernos de Verão”, da autoria do Manuel Nunes. Os interessados podem saber de tudo aqui.

Obrigada mais uma vez aos responsáveis da BSDR-Cascais, que nos garantiram, de novo, todas as condições de higiene e segurança para a realização da sessão.

29 dezembro 2020

E 2020 chega ao fim… sem deixar muitas saudades

Ilustração de Jonathan Wolstenholme

Dois mil e vinte está a chegar ao fim e com ele mais um ano de leituras para esta Comunidade.

Em retrospetiva, percebemos que foi um ano muito estranho e fora de comum, tudo por conta de uma virose coletiva. Adiante se verá… 

O primeiro trimestre do ano “(re)-leituras”, foi intenso!

Em Janeiro, Ferreira de Castro e “A Selva”, transportaram-nos à exuberância da selva amazónica e à vida penosa dos seringueiros, já em tempo de declínio da comercialização da borracha. Descobrimos todo um exótico mundo novo, modos de vida surpreendentes e um léxico praticamente desconhecido, como “gaiolas”, “igarapé”, “pirão”, “brenha”, “parintintins” ou “cunhantã” entre outros. 

Em Fevereiro, chegou Agustina com “A Sibila” e um universo rural e predominantemente feminino, levando-nos a descobrir uma galeria de mulheres decididas, de personalidades distintas, mas todas perseguindo e atingindo objetivos muito precisos. 

Ainda neste mês, celebrou-se o dia internacional da Língua Materna e a Câmara Municipal de Cascais promoveu o facto, publicando um vídeo alusivo, que contou com a participação de 2 elementos desta Comunidade, através da leitura de 2 poemas da Sophia de Mello Breyner: "Com Fúria e Raiva" e  "Habitação". 

O mês de Março de 2020, que ficará na história da humanidade, até começou bem, com uma visita à Exposição de Álvaro Pirez d’Évora, no MNAA. 

Em seguida mergulhámos todos numa espécie de realidade paralela ou filme da Twilight Zone, com a explosão da pandemia Covid’19, provocada por um Vírus que ficou famoso e cujo nome nos faz tremer nas bases: o Corona. 

Para combater o confinamento obrigatório, Jorge Amado, Jubiabá e as histórias da história de António Balduíno, foram uma ajuda preciosa. Com a Biblioteca fechada e a proibição de reuniões com um grande número de pessoas, não houve sessão presencial, mas conseguimos manter contacto e trocar ideias através das redes sociais, que se revelaram ótimas para situações como estas. Penso mesmo que, por conta do Corona, o nosso blogue ficou mais rico… 

O segundo trimestre – Eça & Cª, prometia…

Assim, com o estado de emergência em vigor e confinados cada um a sua casa, o mês de Abril trouxe-nos Eça de Queirós e o seu “Conde d’Abranhos”, personagem que descobrimos através dos maiores encómios do seu secretário Z. Zagalo:  “Alípio Severo Abranhos, Conde d'Abranhos…varão eminente, Orador, Publicista, Estadista, Legislador e Filósofo”. Na realidade e após a leitura, o que se revelou foi um político pobre de espírito, incompetente, oportunista, lambe-botas e vira-casacas.

Neste mês continuou a não ser possível uma sessão presencial, pelo que usámos a tecnologia disponível e reunimos em formato teleconferência. Correu muito bem e só nos faltou a partilha dos habituais bolinhos e bolachinhas. 

No mês de Maio, ainda confinados, voltámos a reunir via Zoom, para discutir a “A educação sentimental” de Gustave Flaubert, seguindo o percurso do jovem egocêntrico Frédéric Moreau. 

Entre Junho e Outubro suspendemos as sessões da Comunidade. A impossibilidade de reunir presencialmente, alguma dificuldade de acesso às plataformas digitais e outras questões relacionadas com a pandemia (sobretudo um cansaço coletivo muito desmotivador), assim o ditaram. No entanto, a maior parte dos leitores continuou com as leituras agendadas.  Assim, Balzac, Roth, Atwood e Steinbeck fizeram-nos companhia durante tempos difíceis. Os livros são sempre uma opção vencedora! 

Com a boa vontade dos responsáveis pela nossa Biblioteca, que num esforço feliz garantiram as condições de segurança e higiene necessárias, realizámos finalmente uma sessão presencial no dia 6 de Novembro, onde pudemos contar com a presença de 17 dos membros da Comunidade. O romance “Pão de Açúcar” do jovem escritor Afonso Reis Cabral, que estava alinhado para Outubro, foi o mote para o animado reencontro e abertura do 4º Trimestre, dedicado a “Recém-Laureados”. 

A 27 Novembro, mais uma feliz sessão presencial com 18 elementos, que se debruçaram sobre a personalidade de Olga Tokarczuk e o seu surpreendente e fragmentado “Viagens”. Um desconcerto em movimento contínuo sem nunca olhar para trás, numa nómada digressão pelo espaço e pelo tempo, é o que me ocorre dizer.

Fruto de discussão e propostas entre leitores, ficou ainda definido nesta sessão, o Plano de Leituras para 2021. 

E continuando em modo presencial, Dezembro, por norma o mês mais mágico do ano, trouxe-nos “As Pálidas Colinas de Nagasáqui” de Kazuo Ishiguro. Um romance que provocou reações diversas entre os leitores. Uns, gostaram, outros, não. Leituras diferentes para uma escrita um pouco melancólica, mas muito bonita (digo eu) que, neste caso, apresenta diversas pontas soltas e muitas questões sem resposta. Intencional por parte do escritor? Certamente que sim e daí as diferentes leituras e apreciações. 

E assim 2020 chega ao fim, a deixar poucas ou mesmo nenhumas saudades. E não falo das nossas leituras!

Avancemos para o novo Ano com otimismo e esperança em dias melhores. 

Feliz Ano Novo!

29 dezembro 2019

E passaram mais doze meses de leituras!


Um pouco em jeito de balanço anual, mas também para memória futura e antes de entrarmos em 2020, deixo algumas notas sobre aquilo que fomos fazendo durante o corrente ano.
O amor pela leitura, mantém esta Comunidade em andamento desde 2007. Temos uma média de 20 leitores presentes por sessão, o que torna as mesmas muito animadas e dinâmicas.
Os livros levam-nos ainda para fora de portas, atrás de programas diversos que nos enriquecem a mente e alimentam o espírito. Assim, entre leituras, exposições, visitas, viagens, teatro, jantares, concertos, aconteceu de tudo um pouco!


No primeiro trimestre do ano andámos pela “Literatura no Feminino”. Revisitámos Jane Austen (Sensibilidade e Bom Senso), Emily Brontë (O Monte dos Vendavais) e Françoise Sagan (Bom Dia Tristeza). Foram sessões muito participadas, com animadas discussões entre géneros.

No segundo trimestre, lembrámos os “Autores Esquecidos” como José Rodrigues Miguéis (A Escola do Paraíso), Maria Judite de Carvalho (Tanta Gente, Mariana) e Luís de Sttau Monteiro (Um Homem não Chora). 
O romance “A Escola do Paraíso” levou a que o Manuel Nunes, durante o mês de Abril,  fizesse um périplo fotográfico por Lisboa, refazendo os passos do José Rodrigues Migueis. Está tudo disponível em diversas publicações no blogue que justificam plenamente uma leitura. 
Também em Abril, um pequeno grupo de leitores assistiu no Teatro D. Maria II, à récita de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett.

No mês de Junho, tivemos uma sessão especial na Feira do Livro de Lisboa. O escritor Carlos Querido, convidou-nos para fazermos uma apresentação do seu livro de contos, “Habeas Corpus”. Foi mais uma sessão memorável, com uma boa presença dos nossos leitores.


Chegou o Verão e com ele o terceiro trimestre, onde mergulhámos de cabeça na “Literatura Alemã”. Começámos com Goethe (Werther), seguiu-se Herman Hesse (O Lobo das Estepes) e terminámos com Erich Maria Remarque (Uma Noite em Lisboa).
A propósito do Goethe, a nossa leitora Amélia Cabrita publicou no blogue (no mês de Julho), matéria muito importante e interessante relativa à sua visita a Weimar, lugar incontornável na vida deste escritor. Recomendo a leitura. 

A estação mais quente do ano, trouxe muita animação e assim, entre outros programas, alguns dos nossos leitores marcaram presença na Festa dos Tabuleiros em Tomar, nas visitas de fado cantadas de alguns bairros históricos de Lisboa e no já tradicional Concerto dos 6 Órgãos de Mafra. Atravessámos o rio e fomos à Trafaria (entre outras travessias). 


Apanhámos o comboio e num programa muito especial que implica um grupo de “jovens” à solta, houve deslocações a Setúbal, Évora, Aveiro, Coimbra e Santarém. 



Houve ainda uma visita, cuja temática foi a estátua de D. José na Praça do Comércio, que nos levou à Sala dos Gessos (onde estão os moldes da dita) e ao Museu Militar, com uma passagem pelo núcleo museológico do Hotel Eurostars.


Foi um Verão cheio, onde não faltou energia, nem magia!

No quarto trimestre, visitámos aqueles a que decidimos chamar de “Queridos Autores”. Primeiro tivemos o nosso Eça de Queirós (A Capital), depois o repetente Philip Roth (Pastoral Americana) e terminámos com os contos de Gabriel Garcia Marquez (Doze Contos Peregrinos). Foram leituras de peso!
A anteceder a última sessão do ano, tivemos o habitual jantar anual, alegre convívio partilhado pela maioria dos membros da Comunidade.

E assim deixo esta síntese do ano. Houve muito mais, pelo que, convido outros leitores a acrescentarem o que entenderem por bem!

Uma palavra de agradecimento para a Biblioteca de São Domingos de Rana, que  em boa hora nos acolhe, continuando a disponibilizar o espaço para as nossas reuniões.

Boas Leituras para 2020!

01 agosto 2018

Há sempre um lado bom!







Ainda a propósito dos percalços relativos à realização da última sessão da Comunidade, que felizmente acabou em bem e agradecendo mais uma vez os esforços levados a cabo pelos responsáveis da Biblioteca, houve um lado bom, que ainda em tempo apetece destacar. Como a Biblioteca abriu só para a CL, foi possível regressar ao nosso espaço de eleição, à sala principal de leitura. Optimamente instalados, com melhores condições acústicas e rodeados daquilo que desde 2007 nos leva àquele espaço: os livros! É a leitura que nos move e são os livros que nos juntam. Esperamos continuar a ter a oportunidade de, na última Sexta-feira de cada mês, voltar sempre àquele local. Os livros, nunca nos faltam ...

01 agosto 2017

Ding, ding, ding .... chamada à ordem!


Isto de conduzir um rebanho, mesmo de bons e interessados leitores nem sempre é coisa fácil! A paixão pelas leituras e o entusiasmo do momento, leva-nos muitas vezes àquela característica tão própria dos lusitanos que é falarmos todos ao mesmo tempo e, por vezes, a Babilónia instala-se antes que demos por isso. Mas na última sessão, onde discutimos o muito elogiado "Cântico Final" de Vergílio Ferreira, eis que surge uma bela campainha, para ajudar na condução dos trabalhos. Chegou discreta e elegante, mas certamente vai vibrar e fazer-se ouvir energicamente sempre que a ocasião o justifique. Bem vinda Miss Ding, Ding....


25 fevereiro 2017

Três dezenas de leitores...

 
 
 
 
 
 
... é o número médio que andamos a registar nas nossas sessões mensais. Hoje marcaram presença 29 leitores. Tendo presente realidades de outras comunidades de leitores, constato que a nossa está bem cimentada, com um grupo coeso e cada vez mais interessado nas leituras propostas. Reunir nesta Biblioteca, uma vez por mês  numa tarde de Sábado, 3 dezenas de pessoas que vão pelo prazer de falar sobre um livro (e tudo o mais que daí advém), começa a ser digno de registo. A magia dos livros tem destas coisas! 

Hoje, Agualusa levou-nos pelos caminhos da construção de memórias, de passados imaginados tornados reais. Pelo caminho veio Eça, Borges, a lusofonia, o riso das osgas asiáticas e os meandros negros da política, entres outros. Para alguns, com reais vivências africanas, as memórias que vieram à luz, foram emotivamente partilhadas com os demais. Foi mais uma sessão, forte na partilha do conhecimento em que, a diferença das opiniões não divide, mas une e enriquece. Que venha a próxima!

21 dezembro 2016

É tempo de Balanço ....

O dia do solstício de Inverno é um dia tão bom para fazer balanço, como qualquer outro! Por isso cá vai ...

12 meses, 12 livros e tanto, mas tanto mais…

Em Janeiro reunimos no restaurante "Flor do Bairro", fruto da alteração do dia e hora das nossas sessões. Tivemos que deixar o intimismo das sessões nocturnas de sexta-feira, numa das salas repletas de livros da biblioteca e passar para os sábados à tarde na sala multiusos, com a “nudez e frieza” que lhe está associada. Perdemos com a troca e ainda não estamos totalmente habituados ao novo espaço. Afinal foram 10 anos ombro a ombro com aquilo que de mais precioso nos leva ali: os livros!



No primeiro trimestre do ano chegou o ciclo “Neo-realismo na Literatura Portuguesa” e claro que não podiam faltar “Gaibéus”, de Alves Redol, “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes e “Casa na Duna”, de Carlos de Oliveira. Imbuídos do espírito, não deixámos passar a oportunidade e rumámos a Vila Franca de Xira e Alhandra à procura dos “filhos dos homens que nunca foram meninos”…



Para o segundo trimestre decidimo-nos pela “Literatura de Expressão Anglófona “ e dissecámos nos 3 meses “O Adeus às Armas”, de Ernest Hemingway, “Boneca de Luxo”, de Truman Capote e “O Fio da Navalha" de Somerset Maugham. 

Foi também um período intenso de actividades. Em Abril (e num dia de anos especial), fomos comemorar Eça de Queiroz e o 141º aniversário da publicação de O Crime do Padre Amaro, numa expedição a Leiria em torno de “A Rota d´O Crime”, alusiva ao entrecho do conhecido romance.



Entretanto, alguns dos nossos marcaram presença em duas sessões do ciclo de conversas “O escritor no seu labirinto”, na nossa Biblioteca, em Maio com Mário Carvalho e em Julho com Mário Zambujal. 

Junho foi um daqueles meses que fica para a história da Comunidade: aconteceu a tão desejada visita a La Mancha. Cervantes, El Greco, D. Quixote e Sancho, tornaram-se finalmente realidade para os membros desta comunidade que há cerca de 2 anos, andam na demanda das aventuras do Cavaleiro da “triste figura”.


Com o Verão chegaram os Russos (“Lolita”, de Vladimir Nabokov, “Margarita e o Mestre”, de Mikhail Bulgakov e “A Morte de Ivan Ilitch”, de Leon Tolstoi), as altas temperaturas e também muita animação. Começámos com uma extraordinária “viagem” no Convento de Cristo em Tomar, com direito a cânticos à capela, teatro ambulante e ceia medieval;   “Reviver o passado em Almada”, levou o grupo à margem sul numa digressão saudosista mas também renovadora; o habitual “Concerto de Órgãos” no Convento de Mafra (este ano excepcionalmente bom!); um memorável passeio pelas memórias citadinas da Paula, que nos levou do Martim Moniz à Graça; um programa nocturno no museu da cidade, com uma sessão de cinema ao ar livre “Les amants du pont neuf”, onde a bela Binoche não desiludiu, pese embora o “disfarce” da personagem. A encerrar o Verão, vieram os fabulosos concertos das sinfonias de Beethoven, no Terreiro do Paço. A música clássica mesmo ali ao alcance dos dedos.


Para o último trimestre do ano guardámos os Brasileiros (“Budapeste”, de Chico Buarque, “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos e “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector) e terminámos com o já habitual jantar de convívio natalício, como manda a tradição.


Pelo meio aconteceram tantas outras coisas. O Teatro de S. Carlos já é praticamente uma tradição anual, com o seu fabuloso “Festival ao Largo”, a ganhar cada vez mais adeptos. Em Lisboa, muitos foram os pretextos que nos levaram à descoberta da cidade, não só pelas caminhadas no coração dos seus bairros, mas também na adesão às muitas iniciativas culturais que ali acontecem. Os moinhos de maré de Corroios e Seixal e a margem sul têm sido também um pólo de atracção para os membros desta Comunidade, com várias visitas realizadas. 


E assim caminhamos para mais um ano de leituras, sempre de espírito renovado e aventureiro.

 Festas Felizes caros Leitores!

“Tríptico de la Adoración de los Magos” - El Bosco, Hacia 1494. Grisalla, Museu do Prado