Cheguei à página
246, fim de mais um capítulo, com a fala de Raimundo Benvindo: “Não vim de tão
longe para morrer diante dos muros de Lisboa”. Uma outra forma de dizer, não escapei do naufrágio para vir morrer na praia.
Depois da guerra suja
de Santarém, contada a páginas 186 e 187 pelo soldado Mogueime, Moqueime ou
Mogeima, ao lado da guerra que se prepara em Lisboa entre cristãos e mouros, corre uma
história de avanços e recuos, de hesitações e ciúmes mal definidos, de ousadias
e atitudes prudenciais.
Ela: “Não se dão
rosas hoje para dar um deserto amanhã.” Ele: “Não haverá deserto.” Ela: “É só
uma promessa, não o sabemos.”
O íntimo rumor que
abre as rosas, página 170, autocitação de um verso de Provavelmente
Alegria:
É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.


