Manhufe –
freguesia de Mancelos, Amarante –, não fica longe de Vila Meã, terra de Agustina,
de cuja sensibilidade rural se aproveitou para a sua narrativa.
Numa expressão
artística próxima do cubismo, Amadeo dá-nos uma cozinha da região de Entre
Douro e Minho, aliás a cozinha da casa de família, com essas “coisas prosaicas”
que são os móveis e utensílios. Não vejo nenhum banco corrido como aquele em
que Quina guardava o feijão e as estrigas, mas tudo o que lá está estimula a
nossa imaginação.
Há uma
diferença a considerar: esta é a cozinha de uma casa já estabelecida na sua
prosperidade; a de Quina, talvez igual à da família de Agustina, ainda se
procura firmar, e sempre sem dar muito nas vistas – a grande arte de não
despertar invejas e conseguir ir mais longe.
Para fechar,
outra obra de Amadeo do mesmo período: Casa
de Manhufe, a própria.

