Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia erótica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia erótica. Mostrar todas as mensagens

20 março 2014

ADOLPHE-WILLIAM BOUGUEREAU (1825-1905), Jovem defendendo-se de Cupido
 
NAS ERVAS
 
Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura,
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso,
descer aos flancos, enterrar
 
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
 
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão
 
porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
de fogo descer à neve,
 
abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho –
a glande leve.
 
EUGÉNIO DE ANDRADE, Variações Sobre um Corpo, antologia de poesia erótica contemporânea, Porto, Editorial Inova, pp. 37 e 38.


16 março 2014

"VARIAÇÕES SOBRE UM CORPO", antologia de poesia erótica contemporânea


SEGREDO

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

 
MARIA TERESA HORTA