Mostrar mensagens com a etiqueta Rua da Saudade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rua da Saudade. Mostrar todas as mensagens

14 abril 2019

O PARAÍSO PERDIDO (3)

Sobe-se a Rua da Saudade até ao fim, vira-se à direita, e estamos no Largo dos Loios. A Igreja de Santiago de Lisboa é um pouco mais adiante. Referências no Cap. 3-Cais de Embarque de A Escola do Paraíso: « O sol rutila, escorre como um mel pelos telhados, polvilha gloriosamente o Tejo, um lago sereno, com velas brancas e vermelhas, de longe indolentes, distantes como a nostalgia. É logo abaixo do Castelo, as traseiras encostam a São Thiago e aos Loyos (perdão, deixem ficar assim à antiga, por favor!).»
= Fotos de 12-4-2019=
 

12 abril 2019

O PARAÍSO PERDIDO (1)

PARAÍSO PERDIDO é uma metáfora perfeita para INFÂNCIA. José Rodrigues Miguéis (1901-1980) nasceu no nº 13 da Rua da Saudade, cidade de Lisboa. Nas águas-furtadas, certamente, como o seu alter ego Gabriel cujos episódios da infância são narrados em A Escola do Paraíso. O nº 13 já não existe: soçobrou de velhice ou no transe das escavações do Teatro Romano. Agora, os números ímpares da rua saltam do 7 para o 15 sobre o telheiro que protege os vestígios arqueológicos do séc. I. Vejamos o que nos diz o texto:
«Os paquetes atracam logo em baixo, ao cais, e a rua deve talvez o nome à saudade que para sempre ficou flutuando no sítio: a saudade dos que ficam, e a dos que partem e querem prender-se à terra, de braços, olhos e almas alongadas. Os vapores encolhem os seus dedos de ferro, os rebocadores arquejam, retesam-se de esforço, vomitam fumaça negra - e eles lá vão devagar, contrariados, adornados ao peso da gente (às vezes soldadesca morena e pardacenta para as guerras-dos-pretos) que acode às amuradas, agarrada à derradeira imagem dos que ficam a dizer adeus-adeus, talvez à esperança absurda de que o navio afinal não chegue a zarpar.»
(...)
«Não se pode ter nascido ali, viver a ver chegar e partir navios todos os dias, com um rasto de lágrimas  e o esvoaçar de adeuses no azul, nem ouvir noite e dia estas vozes, sem ficar impregnado de irremediável nostalgia. Tudo isto, o rio imenso, os cais, o mar, os horizontes, se integra nele e ficará para sempre dentro dele como um apelo de longe e uma saudade, anseio de partir e de voltar: quando? e para onde?»
--- JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS, A Escola do Paraíso, Cap. 3 - Cais de Embarque.
 
= Fotos de 12-4-2019=