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29 fevereiro 2024

“Os Reinegros” de Alves Redol - 22 de Março às 20h00

 

A abrir

“Estava ali havia um bom pedaço vindo da esquina até defronte do prédio onde ela servia, enervado de esperar tantos minutos, pois já lhe assobiara o sinal combinado e ela ainda não aparecera, nem sequer à janela, aquietando-lhe a dúvida que começava a preocupá-lo.

Naturalmente dera-lhe trela naquele Santo António por desfastio ou porque a noite convidava à conversa. Abalara até ao Rossio, embora cansado do trabalho do armazém, mas mais cansado ainda dos maus modos dos primeiros-caixeiros, piores no trato do que os patrões, convencidos de que assim chegariam mais depressa a sócios da casa. Encaminhara-se para ali fugindo à solidão do quarto, que lhe aumentava as dores de cabeça que trazia do emprego. Tinham fechado mais cedo, porque os santos eram dias alumiados e, talvez também pelo hábito de sair só depois da uma hora batida, se sentira atraído pelo ruído da rua. Não procurara com quem acamaradar; escusara até, com um pretexto qualquer, a companhia de outro hóspede da casa, entristecido pelas saudades da sua aldeia de mistura com queixumes da vida. Mudara de fato e saíra, metendo no bolso umas moedas para beber o seu copo e arranjar, se calhasse, uma moça para passar o tempo, pois, em noite de bailaricos e fogueiras, as mulheres acessíveis são ainda mais fáceis…”

In “Os Reinegros” de Alves Redol

30 janeiro 2016

GAIBÉUS E GAIBÉUAS

A primeira reunião da nossa Comunidade de Leitores teve lugar na biblioteca a 23 de Fevereiro de 2007. Quase há nove anos! E sempre foi assim, em cada última sexta-feira do mês, salvo pontuais alterações determinadas por feriados e pontes. 
Ontem, encontrámo-nos no restaurante “Flor do Bairro” da mui nobre freguesia de São Domingos de Rana. Assim teve de ser. Falámos de Gaibéus, de Alves Redol e do Neo-Realismo (Neorrealismo, segundo o Novo Acordo Ortográfico).
«Não há livro de instruções para salvar a vida; só a Literatura se aproxima desse imenso livro.» – disse Lídia Jorge, em 2014, no festival “Escritaria” de Penafiel. É por isso que não desistimos.  

21 janeiro 2016

IMPUREZA

Quando uma mulher tiver a sua menstruação, ficará impura durante sete dias. Quem tocar nela ficará impuro até à tarde. O lugar em que ela se deitar ou sentar, enquanto está impura, ficará impuro.
 
Levítico, 15,19 -20
 
«Aquele vai deitando o olho às curvas tostadas das pernas das mulheres, descompostas pelo poder dos troncos no lameiro.
Safo de fadigas, belisca-lhes com a vista o capitel das pernas. A saia de baixo de uma delas está rasgada e tem manchas de sangueira pisada.
O capataz afasta a vista e sente ganas de a mandar desferrar.
            – Ora o raio!...
Dá a volta na maracha para se afastar dela, mas o rancho descreve agora uma linha sinuosa, a procurar jeito ao trabalho, e a saia rasgada fica de novo à sua frente.
Já lhe parece que todas as saias de mulheres se rasgaram e têm manchas de sangueira pisada.»
 
Gaibéus, capitulo “Arroz à foice”

19 janeiro 2016

O CULTIVO DO ARROZ

Ao lermos Gaibéus, de Alves Redol, talvez não seja tempo perdido conhecermos o trabalhoso processo do cultivo do arroz. Embora em registo actual, aqui fica este link da Junta de Freguesia de Borda do Campo, concelho de Figueira da Foz. Não é Ribatejo, mas para o efeito serve.
 

18 janeiro 2016

O odor moribundo das espigas ...

 
(imagens da net)

“…Morre no ar o odor das espigas loiras cortadas e das flores crescidas à babugem. Fica o cheiro acre dos corpos molhados pela rudeza da labuta. Como, por toda a lezíria, se agigantam os alugados que se curvam a brandir as foices. Tudo se amesquinha ali junto deles, que têm necessidades de mendigos…”

in "Gaibéus" de Alves Redol

08 janeiro 2016

"Gaibéus" de Alves Redol, 29 de Janeiro, 20h30


Antes do início

“Êste romance não pretende ficar na literatura
como obra de arte.
Quer ser, antes de tudo, um documentário
humano fixado no Ribatejo.
Depois disso, será o que os outros entenderem.”

Depois do fim

"Erratas

As que a revisão deixou passar, o leitor as corrigirá"

Primeiro livro da colecção "Livros Proibidos" do Público

03 maio 2014

"BARRANCO DE CEGOS"

Então os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados com o que disseste?». Jesus respondeu: «Toda a planta que não foi plantada por meu Pai celeste será arrancada. Não vos preocupeis com eles. São cegos guiando cegos. Ora se um cego guia outro cego, ambos vêm a cair no barranco.» Mateus, 15, 12-14.
 
Um dos nossos grandes romances do século XX ontem discutido no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro, Sintra.