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18 março 2014

COLUNAS TRIUNFAIS



Referir a Place Vendôme, que não revisitei nesta última Peregrinação, fez-me evocar, não só as especiais circunstâncias da sua génese e desenvolvimento urbano, mas também uma selecção de colunas que me prenderam a atenção, em diferentes lugares e momentos. Uma das mais  enigmáticas é a coluna de Constantino em Istambul, mandada erigir por aquele imperador, no ano de 330, em honra da declaração de Bizâncio como a nova capital do Império; a outra é a coluna de Trajano, em Roma, inaugurada em 113, no forum do mesmo imperador e modelo da que Napoleão fez erguer em Paris, na Place Vendôme, entre 1806 e 1810, em comemoração do triunfo sobre os seus pares europeus.
Estas três colunas têm muitas coisas em comum: do ponto de vista material e físico, sendo construídas com materiais nobres, respectivamente, pórfiro vermelho trazido de  Roma (hoje irreconhecível), mármore e bronze (a partir dos canhões capturados em Austerlitz?), apresentam alturas idênticas, entre 37-38m e 44m; as bases em que assentam constituem-se como elementos integrantes, estruturais, com alguma singularidade icónica. Mas é quando passamos para os aspectos conotativos que nos apercebemos da sua dimensão, talvez porque aparecem como recorrentes e convidam a uma certa generalização, ou porque insistimos em fazer, por conta própria, o percurso que nos leva à construção dos Símbolos. Estas 3 colunas têm em comum serem obras de arte e referências urbanas erigidas mormente em nome do auto engrandecimento, assinalando, de forma que se pretendia duradoura ou quiçá eterna, o poder, o êxito, a superioridade. Mas, na realidade, podemos reflectir que estas colunas, por mais ricas e mais altas e significativas, todas elas castigadas ao longo dos séculos por diferentes vicissitudes e apropriações, não fazem mais do que repetir o símbolo ancestral, primevo e sempre actual, da potência, da virilidade, portanto da tomada de posse, atravessando a História: dos menires do Megalítico aos arranha-céus da modernidade, passando por todos os exemplos que vos ocorrerem. 
Dado porém o surto de erotismo poético que tem feito farfalhar estas páginas, podemos questionar-nos sobre a diversa mas excepcional dimensão, e poder simbólico que as palavras, por sua vez, podem atingir.

(Nota: as fotografias não são minhas e, colhidas na Net, não aparentavam ter direitos autorais, correspondendo à imagem que tenho de cada uma das situações)

12 março 2014

PARIS - LES HALLES

Há um mês atrás, em peregrinação à Cidade de tantos Nomes, como V.Hugo, Proust e também  R.Barthes, já agora, no meio das emoções de revisitação deparou-se-me o choque: onde está Les Halles, o Forum? Um estaleiro gigante substituía à superfície a imagem esperada, aquela que perseguia, ainda por cima, a consciência arquitetónica internacional, pois o "buraco" que veio substituir os pavilhões do século XIX não correspondia a nada de realmente importante do ponto de vista da arte e da intervenção urbana. De tal forma que, na sequência eventual deste erro, o local se tinha degradado enormemente. Seria caso para procurar uma solução... Agora este gesto de "bota abaixo e sai uma coisa completamente diferente", só mesmo numa cidade como Paris! Quis então trazer a este forum virtual algumas imagens, para vosso deleite e informação, como primeiro capítulo de outras pequenas surpresas e pormenores que entretanto me aprouver partilhar.

Em relação a Les Halles, temos uma imagem de como era, colhida na Net (não fui à procura das fotos dos anos 80…); igualmente uma ideia do que seriam Les Halles, o grande mercado abastecedor; o conjunto do projeto urbano; a imagem que se colhe no local: uma estrutura pesadíssima, cuja imagem final deverá ser de algo extremamente leve, como uma nuvem sobre a praça central… Quem lá for no ano que vem, poderá trazer a imagem do resultado final.