Nossa Senhora de Paris (1831) não é só um grande livro, é o livro dum génio. Dois
tomos, 560 páginas, uma obra arrebatadora.
No prefácio de Cromwell (1827), Victor
Hugo deixara já o manifesto do Romantismo emergente, a nova arte que se afirmava
pelo abandono da estética rígida do classicismo, pela liberdade de pensamento e
de criação artística. A exaltação da Idade Média como época fundadora das nacionalidades
europeias; o românico e o gótico como modos artísticos por excelência.
Romance compósito, de difícil classificação
genológica, situa-se entre o histórico e o picaresco, entre o cómico e o trágico.
Tem capítulos que são verdadeiras pérolas de erudição, como, por exemplo, o
capítulo II do livro terceiro do primeiro tomo, “Paris vista de relance”,
tradução possível, ainda que desgostante, do original “Paris à vol d´oiseau”.
Estou a acabar de ler para o Clube
de Leitura do Museu Ferreira de Castro (amanhã, 3-1). Abstenho-me de interrogativas: vale a pena!

