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02 janeiro 2014

"NOSSA SENHORA DE PARIS"


Nossa Senhora de Paris (1831) não é só um grande livro, é o livro dum génio. Dois tomos, 560 páginas, uma obra arrebatadora.
No prefácio de Cromwell (1827), Victor Hugo deixara já o manifesto do Romantismo emergente, a nova arte que se afirmava pelo abandono da estética rígida do classicismo, pela liberdade de pensamento e de criação artística. A exaltação da Idade Média como época fundadora das nacionalidades europeias; o românico e o gótico como modos artísticos por excelência.
Romance compósito, de difícil classificação genológica, situa-se entre o histórico e o picaresco, entre o cómico e o trágico. Tem capítulos que são verdadeiras pérolas de erudição, como, por exemplo, o capítulo II do livro terceiro do primeiro tomo, “Paris vista de relance”, tradução possível, ainda que desgostante, do original “Paris à vol d´oiseau”.
Estou a acabar de ler para o Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro (amanhã, 3-1). Abstenho-me de interrogativas: vale a pena!