Mostrar mensagens com a etiqueta praia da Ingrina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta praia da Ingrina. Mostrar todas as mensagens

31 julho 2013

LUDOVINA DA PRAIA DA INGRINA ou O "LAPSUS LINGUAE" DUM FALANTE


Pouco vira de praias para lá de Burgau e da Luz, desconheço mesmo se alguma vez se aventurara do outro lado da costa, pelas rotas escarpadas de Aljezur e Odeceixe.  Fora da Ingrina, tinha como certas, apenas, as idas diárias ao mercado de Sagres ou à lota da Baleeira. E, mesmo assim, falava com alemães e ingleses como se conhecesse o mundo, os olhos cheios de claridade, enquanto virava o peixe no grelhador ou levava para as mesas os jarros luminescentes de sangria coalhados de gomos de laranja e quartos de maçã reineta.
O corpo, como o dorso dum peixe, fizera-se poema de escamas de sal. O rosto era tisnado e ignorante de tudo, mas os seios, nas horas em que descia à praia, conheciam  as ondulações do mar, as carícias do sol,  o vento fininho da tarde carregado de invisíveis grãos de areia que lhe picavam, como agulhas, as rijezas escuras dos mamilos.
Ludovina da praia da Ingrina! Como me fui encontrar com o teu nome?, logo agora que deves estar carregada de anos, prenhe de filhos e netos, aboletada em algum esconso da vida à espera que se esgote o tempo como um voo breve de gaivota.
Até um dia destes, rapariga, se ainda houver dia.