Nos romances de Eça há recorrências
notáveis. Uma delas é o aparecimento de personagens de meninos-prodígios a
recitarem poesia. Deveis estar lembrados do Cap. III d´Os Maias, o «tristonho e molengão» Eusebiozinho a mostrar os seus
dotes com o poema “A Lua de Londres” do ultra-romântico João de Lemos.
N´O
Conde de Abranhos, a menina Julinha recita o mesmo poema em casa do bestial
desembargador Amado, sendo citados quatro versos da primeira estrofe e outros
tantos da segunda. Antes, a prodigiosa menina aventurara-se por poesia mais
funesta, nada mais, nada menos que “O Noivado do Sepulcro”, de Soares de
Passos:
«Vai alta a Lua na mansão da morte,
Já meia-noite com vagar soou…»
É claro que o bom do Eça não refere
os títulos dos poemas nem os nomes dos seus autores. Nem tal era preciso, tão
conhecidos eram eles dos salões e saraus chiques da época. Os poetas
ultra-românticos, os citados e também Bulhão Pato, foram bobos da festa nas
narrativas queirosianas. Os portugueses e ainda Lamartine, o criador de Elvira,
embora este estivesse uns degraus acima dos românticos serôdios cá do burgo. Cá
da «choldra», diria o Eça.
