FRANS HALS, "Cavalheiro a sorrir" (1624), Wallace Collection, Londres
Continuo a leitura do calhamaço, uma espécie de sexo cósmico, tal como me foi ensinado por Gilbert Opian. Já passei a peripécia* do encontro com Mary Hartley, já estive com Charles nas brumas de Londres naquele fino repasto com o amigo Peregrine Arbelow ( a quem ele roubara Rosina e que depois ficou com Pamela também já roubada por outro). Os casamentos desta autobiografia-romance-diário-memórias são extraordinários, o primo James lá tem as suas ideias sobre o casamento, Charles também, o que ele queria era casar com a que foi o seu primeiro amor, mas essa encontrou-a já casada com um caixeiro-viajante de poucas falas e ruim disposição, mas mesmo assim arrisca... Se Lizzie é Ariel de "Tempestade", Rosina é uma das bruxas de "Macbeth". Teatro, tudo teatro fora dos palcos! No museu da Wallace Collection, Charles viu o "Cavalheiro a sorrir", de Frans Hals. Quem é o cavalheiro sorridente? O marido de Mary Hartley não me parece, o homem não é de sorrisos para desconhecidos. Volto com Charles a Shruff End, grandes provações por que irá passar, e umas atrás das outras. Comecei por o detestar, agora estou com pena dele. Veremos o que acontece, ainda tenho 300 páginas para ler.
* Peripécia, termo do teatro grego, significa um acontecimento inesperado, uma mudança súbita no estado das personagens em acção.