Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
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09 dezembro 2013
HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA...
...Foi assim que, na senda de Raimundo Silva e do seu relato da Lisboa do Cerco na Lisboa de hoje, de porta em porta de muralha, de vestígio em vestígio de cerca, torre, postigo, adarve; por arcos, escadas, pátios, becos, ruas e ruelas, acabámos por percorrer gostosamente alguns quilómetros da (des)conhecida Alfama, cujo nome percebemos ter origem na localização de termas e banhos (hammam) da mourisca Al Usbuna... Mais uma surtida notável da comunidade, a propósito de um livro, de um autor, de muitas ideias, sobre ficção, sobre literatura; sobre História, entretecida esta com outras e variadas estórias. E muita amizade!
26 novembro 2013
DIÁRIO DA LEITURA DO CERCO - 26/11/2013
Volto
ao terreno para fotografar o Arco de Jesus e a pedra de armas dos Mascarenhas
no cunhal dum prédio adjacente (página 73).
Depois subo
à Rua do Milagre de Santo António, ao seu extremo poente, local de confluência
do Largo dos Lóios e das Ruas da Saudade e Bartolomeu de Gusmão. Aí está o edifício
dos painéis de azulejos abomináveis (página 267). Três milagres, afinal, e muitos
mais terá feito o taumaturgo de Pádua e de Lisboa.
Detenho-me
no painel que narra o milagre da mula que se ajoelhou perante a Hóstia Sagrada,
prova infalível de estar Cristo no Sacramento e não como diziam os perversos
hereges que Santo António se encarregou de contrariar (página 268 e
seguintes).
Sobre o
progresso dos amores de Raimundo Benvindo e Maria Sara, coisa digna de se
apreciar, é que não digo nada. Reservo-me para a sessão.
Amanhã
arranco da página 277 – onde se diz “Geralmente , considera-se demonstração de
inultrapassável bravura dar o próprio condenado à morte a ordem de fogo ao
pelotão que o vai fuzilar, (…) – e é mesmo para terminar a leitura.
25 novembro 2013
DIÁRIO DA LEITURA DO CERCO - 25/11/2013
Cheguei à página
246, fim de mais um capítulo, com a fala de Raimundo Benvindo: “Não vim de tão
longe para morrer diante dos muros de Lisboa”. Uma outra forma de dizer, não escapei do naufrágio para vir morrer na praia.
Depois da guerra suja
de Santarém, contada a páginas 186 e 187 pelo soldado Mogueime, Moqueime ou
Mogeima, ao lado da guerra que se prepara em Lisboa entre cristãos e mouros, corre uma
história de avanços e recuos, de hesitações e ciúmes mal definidos, de ousadias
e atitudes prudenciais.
Ela: “Não se dão
rosas hoje para dar um deserto amanhã.” Ele: “Não haverá deserto.” Ela: “É só
uma promessa, não o sabemos.”
O íntimo rumor que
abre as rosas, página 170, autocitação de um verso de Provavelmente
Alegria:
É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.
MILAGRE DE SANTO ANTÓNIO
Na rua do dito milagre, por cima do bistro a bilha. O que a gente descobre quando se põe a ler Saramago.
24 novembro 2013
DIÁRIO DA LEITURA DO CERCO - 24/11/2013
Comecei hoje, bem cedo, no capítulo
em que Afonso I de Portugal, devidamente assessorado por D. João Peculiar e D.
Pedro Pitões – arcebispo de Braga o primeiro, bispo do Porto o segundo –,
produz aquele extraordinário discurso em que é
lembrado o milagre de Ourique, obrado directamente por Nosso
Senhor. A coisa foi mal recebida pelos cruzados: se têm Nosso Senhor
como general e comandante, fiquem-se com Ele que nós não somos aqui precisos.
Li da página 137 à 173, aquele passo, talvez inesperado, em que Raimundo Benvindo convida Maria Sara a subir a sua casa.
O domingo de
sol não deu para mais, mas fiz o meu trabalho de campo: Rua do Milagre de Santo
António, Escadinhas de S. Crispim, Rua Bartolomeu de Gusmão, Arco da Conceição,
Portas do Mar, Arco de Jesus, Calçada do Correio Velho e Rua da Padaria.
Da Leitaria A Graciosa, nenhum traço.
DIÁRIO DA LEITURA DO CERCO - 23/11/1013
Foi em sonho que Raimundo Benvindo viu distintamente as torres das Amoreiras, mas estava bem acordado quando conheceu a doutora Maria Sara com a sua blusa de tom branco-manhã.
Dias agitados na Rua do Milagre de Santo António.
Dias agitados na Rua do Milagre de Santo António.
Leonard Cohen passou por lá nas asas de um videoclip.
O restaurador capilar Fonte de Juventa foi despejado no lava-loiça. Osberno e demais fontes históricas inquietam o nosso homem.
Página 135, onde se sabe que Raimundo Benvindo encontrou a razão do Não para rescrever a História do Cerco de Lisboa.
Neste ponto me deixei ficar.
Aproveito para apresentar uma idealização da doutora Maria Sara.
Página 135, onde se sabe que Raimundo Benvindo encontrou a razão do Não para rescrever a História do Cerco de Lisboa.
Neste ponto me deixei ficar.
Aproveito para apresentar uma idealização da doutora Maria Sara.
22 novembro 2013
DIÁRIO DA LEITURA DO CERCO - 22/11/2013
O sinal é assim
como uma cobra que não chega a morder a cauda, diz o historiador,
devem ter percebido. Tem parecenças com o Q, diz Raimundo Benvindo, afilhado da
tal madrinha, ou será que é o historiador? Deleatur quer dizer destrua-se.
Aqui comecei, hoje, como quem não quer a coisa, e fui até à página 75, onde se nos depara aquela visão das torres das Amoreiras. Perante a taveirada, achei por bem fechar o livro. Amanhã há mais.
Aqui comecei, hoje, como quem não quer a coisa, e fui até à página 75, onde se nos depara aquela visão das torres das Amoreiras. Perante a taveirada, achei por bem fechar o livro. Amanhã há mais.
07 novembro 2013
"HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA"
Li há muito
tempo na História de Portugal de
Alexandre Herculano a narrativa do cerco e conquista de Lisboa. Ali se referem as
técnicas de guerra postas em prática pelos sitiantes, as divergências entre cruzados
e o rei de Portugal, por fim a entrada na cidade, o saque e a surpresa dos
cristãos ao verem que uma parte da população, aparentemente moura, abraçava e
beijava a cruz, clamando em desespero pela Virgem Maria. Eram os descendentes
dos antigos godos, submetidos pelos sarracenos, que durante três séculos
lograram conservar a sua religião.
Daí também o
interesse por esta História do Cerco de
Lisboa de José Saramago, à espera de ver até onde chega a ousadia do
revisor tipográfico Raimundo Silva, protagonista do romance, na subversão de factos históricos que todos
temos por incontestáveis.
Para ler até 29 de Novembro, data da sessão deste mês.
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