As nossas leitoras versadas em Garrett, Santarém, Joaninha,
Carlos & Cª Lda. que recordem o capítulo XXXII das “Viagens”, de como o
protagonista, barão a haver, adormeceu num caravançarai e acordou na beatitude
de uma cela do Convento de S. Francisco.
«Quando acordou já se não viu no vasto
caravançarai daquele confuso hospital, mas num pequeno quarto arejado, limpo,
quase confortável que em tudo parecia cela de convento, menos na boa cama em
que jazia o doente, e na extremada elegância do enfermeiro que o velava.»
No capítulo II já havia ficado a seguinte passagem:
«Estamos em Vila Nova e às portas do nojento caravançarai, único asilo do viajante nesta, hoje, a mais frequentada das estradas do reino.»
No capítulo II já havia ficado a seguinte passagem:
«Estamos em Vila Nova e às portas do nojento caravançarai, único asilo do viajante nesta, hoje, a mais frequentada das estradas do reino.»
Para o Garrett, como se vê, isto de caravançarais era manjar
de pequeno-almoço.
Entretanto, aproveito para divulgar o "SONETO DO CARAVANÇARAI"
de um poeta de Porto Alegre, cidade onde já dormi umas proveitosas noites, por
acaso em nenhum caravançarai mas num hotel de quatro estrelas longe das rotas das
caravanas:
«Mais do que um porto, ó minha donzela, / O teu seio é um
caravançarai / Onde rebrilha a mais tranquila estrela.»
Muito bonito. Não consigo imaginar como seria o seio da donzela.
SONETO DO CARAVANÇARAI
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Eu sou poeta, e tenho em meu ofício
O leve fardo de cantar em verso O amor sereno que há nesse universo Sem que se faça dessas letras vício. Por isso canto, e há nesse bulício O suave toque que me tem converso; Fico a teus pés, mas sem orgulho, imerso Pois que senão seria um só suplício... Mais do que um porto, ó minha donzela, O teu seio é um caravançarai Onde rebrilha a mais tranqüila estrela Que mansa, quando a caravana vai, Um doce brilho em teu olhar revela: Renasce o amor e enfim a noite cai.
© FRANCISCO SETTINERI
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