05 setembro 2013

Um Estrangeiro, na praia, em fim de Verão

Se a existência é um absurdo, sobre a qual não temos grande (algum?) controlo, pela qual avançamos indefinidos, permite-nos, no entanto, ainda alguns prazeres:

« O sol às quatro horas não estava quente de mais, mas a água estava morna, com pequenas ondas preguiçosas. Maria ensinou-me um jogo. Era preciso, nadando, beber na crista das ondas, acumular toda  a espuma na boca e, pondo-nos em seguida de costas, projectá-la para o céu. Isto fazia uma espécie de renda espumosa que desaparecia no ar ou, como uma chuva quente, nos caía na cara.(...) Maria veio então ter comigo e colou-se a mim , na água.»

Albert Camus, O  Estrangeiro, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p.94




Um comentário:

Custódia C.C. disse...

Efeitos da canícula :)