Sobre o
Demócrito que surge na primeira página das “Pupilas” – já aqui tratado por vagos
intelectuais e conspícuas apreciadoras de arte – tenho nesse livrinho aí em
cima um texto muito interessante: “Lágrimas de Heraclito defendidas em Roma
pelo Padre António Vieira contra o riso de Demócrito (1674)”. Um cheirinho: «E
se o fim destes dous filósofos (como verdadeiramente era) foi manifestar ao
mundo o desconcerto do seu estado e persuadir aos homens o erro dos seus
juízos, a desordem dos seus desejos e a vaidade das suas fadigas, também para
este fim tinha muito maior razão Heraclito de chorar, que Demócrito de rir.» E
outro: «é o homem risível, mas nascido para chorar; porque se a primeira
propriedade do racional é o risível, o exercício próprio do mesmo racional e o
uso da razão é o pranto.» --- Agora sim, acho que este blogue está a subir de nível.
Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
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16 outubro 2015
07 outubro 2015
JÚLIO DINIS e ALEXANDRE HERCULANO
«(...) Este romance das "Pupilas" é a realização dum pensamento filho das impressões que, desde a idade de doze anos, tenho recebido das sucessivas leituras do "Pároco da Aldeia". O meu reitor não fez mais do que seguir, a passo incerto, as fundas pisadas que o inimitável tipo criado por V. Exa deixou na sua passagem.»
--- Da carta de Júlio Dinis para Alexandre Herculano - Porto, 7 de Abril de 1867.
06 outubro 2015
ESTA É IMPORTADA DO FEICEBUQUE - ORA AGUENTEM-SE LÁ, BLOGUEIROS!
HÁ TRÊS ANOS, apresentando na Gulbenkian a antologia organizada por CLARA ROCHA com o título A CANETA QUE ESCREVE E A QUE
PRESCREVE – DOENÇA E MEDICINA NA LITERATURA PORTUGESA, disse João Lobo Antunes
que os alunos de uma sua unidade lectiva na Faculdade de Medicina de Lisboa –
qualquer coisa como "MEDICINA E LITERATURA" – desconheciam quase em absoluto a
personagem João Semana de Júlio Dinis. Lembrei-me disto – que ouvi directamente
do professor (não me foi contado) – , no momento em que re-re-re-releio As
Pupilas do Senhor Reitor, romance parcialmente escrito em Ovar, numa casa
rural que hoje está dentro da cidade, onde o autor presenciou os amores ingénuos dos camponeses, as
desfolhadas, a vida de aldeia. É romance fraquinho, têm-me dito. A opinião de
Eça não era diferente, se avaliarmos pelo que deixou escrito na morte do grande
escritor: “Viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve”. Que posso fazer?
Deixar aqui algumas imagens de mestre Roque Gameiro (1864-1935) que ilustraram
edições de As Pupilas com a certeza de que tão belas aguarelas não podem provir de um romance
vulgar.
JÚLIO DINIS e OVAR
Estive no passado mês de Setembro em OVAR no festival literário que lá decorreu. Foi a oportunidade para conhecer a casa onde JÚLIO DINIS viveu durante algum tempo e onde escreveu "As Pupilas do Senhor Reitor". Aqui deixo as fotografias.
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