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16 outubro 2015

DEMÓCRITO E HERACLITO

Sobre o Demócrito que surge na primeira página das “Pupilas” – já aqui tratado por vagos intelectuais e conspícuas apreciadoras de arte – tenho nesse livrinho aí em cima um texto muito interessante: “Lágrimas de Heraclito defendidas em Roma pelo Padre António Vieira contra o riso de Demócrito (1674)”. Um cheirinho: «E se o fim destes dous filósofos (como verdadeiramente era) foi manifestar ao mundo o desconcerto do seu estado e persuadir aos homens o erro dos seus juízos, a desordem dos seus desejos e a vaidade das suas fadigas, também para este fim tinha muito maior razão Heraclito de chorar, que Demócrito de rir.» E outro: «é o homem risível, mas nascido para chorar; porque se a primeira propriedade do racional é o risível, o exercício próprio do mesmo racional e o uso da razão é o pranto.» --- Agora sim, acho que este blogue está a subir de nível.

07 outubro 2015

JÚLIO DINIS e ALEXANDRE HERCULANO

«(...) Este romance das "Pupilas" é a realização dum pensamento filho das impressões que, desde a idade de doze anos, tenho recebido das sucessivas leituras  do "Pároco da Aldeia". O meu reitor não fez mais do que seguir, a passo incerto, as fundas pisadas que o inimitável tipo criado por V. Exa deixou na sua passagem.»
--- Da carta de Júlio Dinis para Alexandre Herculano - Porto, 7 de Abril de 1867.

06 outubro 2015

ESTA É IMPORTADA DO FEICEBUQUE - ORA AGUENTEM-SE LÁ, BLOGUEIROS!


HÁ TRÊS ANOS, apresentando na Gulbenkian  a antologia organizada por CLARA ROCHA  com o título A CANETA QUE ESCREVE E A QUE PRESCREVE – DOENÇA E MEDICINA NA LITERATURA PORTUGESA, disse João Lobo Antunes que os alunos de uma sua unidade lectiva na Faculdade de Medicina de Lisboa – qualquer coisa como "MEDICINA E LITERATURA" – desconheciam quase em absoluto a personagem João Semana de Júlio Dinis. Lembrei-me disto – que ouvi directamente do professor (não me foi contado) – , no momento em que re-re-re-releio As Pupilas do Senhor Reitor, romance parcialmente escrito em Ovar, numa casa rural que hoje está dentro da cidade, onde o autor presenciou  os amores ingénuos dos camponeses, as desfolhadas, a vida de aldeia. É romance fraquinho, têm-me dito. A opinião de Eça não era diferente, se avaliarmos pelo que deixou escrito na morte do grande escritor: “Viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve”. Que posso fazer? Deixar aqui algumas imagens de mestre Roque Gameiro (1864-1935) que ilustraram edições de As Pupilas com a certeza de que tão belas aguarelas não podem provir de um romance vulgar.
 

JÚLIO DINIS e OVAR

Estive no passado mês de Setembro em OVAR no festival literário que lá decorreu. Foi a oportunidade para conhecer a casa onde JÚLIO DINIS viveu durante algum tempo e onde escreveu "As Pupilas do Senhor Reitor". Aqui deixo as fotografias.