26 julho 2013

スプートニクの恋人 Supūtoniku no koibito I: A chama que ilumina a existência e sozinhos na imensidão do universo




A chama da vida:

« Ao perder Sumire, muitas coisas morreram dentro de mim, como acontece quando a maré recua, levando com ela tudo o que estava depositado na areia. Ficara sozinho num mundo deformado, vazio, um mundo frio e tenebroso. (...) Cada um de nós possui qualquer coisa de especial, que se revela numa determinada altura da nossa vida, e só uma vez, como uma pequenina chama. As pessoas precavidas, abençõadas pela fortuna, conservam religiosamente essa chama, fazem-na crescer, usam-na como uma tocha que ilumina as suas vidas. Mas uma vez apagada, ela não voltará nunca mais a acender-se. Eu não me limitara a perder Sumire. Juntamente com ela, perdera também essa chama»

Interrogações: o que somos nós para a imensidão do Cosmos? Provavelmente partículas insignificantes. O drama é a significância que nos auto-atribuímos.

«Porque razão será que estamos condenados a ser assim, tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros,e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?



Haruki Murakami, Sputnick, Meu Amor, Alfragide, Bis-Leya, 2012,pp.225 e 227

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