(Imagem da net)
“…Depois surgiu um caminhão
ligeiro, e, ao aproximar-se, o motorista, vendo o cágado, desviou-se no intuito
de o atropelar. A roda da frente apanhou a orla da concha, atirou com o animal
ao ar com a rapidez de um relâmpago e fê-lo rodopiar, como se fosse uma moeda, para
fora da estrada. O camião manobrou a fim de retomar a direita. Deitado de
costa, o cágado manteve-se muito tempo dentro da concha. Mas, por fim, as
pernas oscilaram no ar, à procura de uma coisa onde pudessem firmar-se. O pé dianteiro
agarrou-se a um pedaço de quartzo e, pouco a pouco, o cágado conseguiu voltar-se…”
In “As Vinhas da Ira” de
John Steinbeck, capítulo III
Acabo de ler o Capítulo III
do romance, onde nos deparamos com um episódio quase alucinante que nos
descreve o esforço épico de um cágado para subir a uma estrada, atravessá-la e
chegar vivo ao outro lado. Quando cheguei ao fim do capítulo, dei um suspiro
tremendo e percebi que tinha estado a suster a respiração enquanto lia sofregamente
o epílogo daquela louca aventura. Tenho para mim que este cágado não vai ficar
por aqui…