31 dezembro 2023

Balanço Anual e Feliz 2024

 

(Cartaz de divulgação da CMC)

2023 veio com nuvens negras a pairar sobre o mundo em geral e em particular na Europa, resultantes de uma grande crise económica e social relacionada ainda com a pandemia do Corona Vírus e, sobretudo, com a guerra Rússia /Ucrânia, cujo final não tem fim à vista. Lá mais para o final do ano outra guerra veio adensar as preocupações e aumentar as angústias globais, com o conflito Israel/Palestina. O mundo está a mudar e não é para melhor e todos estamos envolvidos nessa mudança.

Felizmente, no que toca a esta Comunidade e ao seu amor pelas leituras, a palavra crise não entra neste cenário e arrancámos para mais 365 dias de bons livros. Antes disso, realizámos um animado jantar convívio para celebrar a chegada do novo ano.

Janeiro chegou muito friorento, mas isso não impediu que 17 leitores estivessem presentes na BSDR, para mais uma sessão animada em torno da sátira de André Gide “As Caves do Vaticano”. O primeiro livro do trimestre, que tinha o mote “Romance e Modernismo”, agradou bastante aos leitores (apenas um não tinha ainda terminado a leitura) que se divertiram com as personagens criadas pelo escritor francês. Partindo de um rumor de que o Papa tinha sido sequestrado, Gide constrói uma trama, em que um grupo de vigaristas tenta ganhar dinheiro para libertar o Pontífice. Uma rede de personagens algo perturbadoras, cujos sentimentos e escolhas apontam a uma crítica social e moral, ajudam a construir uma estrutura narrativa aliciante, que à época entrou na lista negra da igreja católica. Para nós foi mais uma boa opção de leitura.

Em Fevereiro fomos à descoberta de um daqueles autores que todos conheciam, mas que poucos tinham lido: James Joyce e o seu “Retrato do Artista quando Jovem”. Foi uma leitura corajosa, tendo em conta as dificuldades que a maioria encontrou pelo caminho. No entanto, a história (que todos consideram autobiográfica) de crescimento do escritor, que acompanha a sua infância até à idade de jovem adulto, agarrou-nos e não nos fez desistir. Resistimos a todos os considerandos políticos irlandeses e à longa ambiência da educação jesuíta. Os contributos dados pelos leitores na sessão, acabaram por tornar mais lúcida e compreensível a apreciação do romance. Tanto que, houve quem começasse a perfilar a leitura de “Ulisses”. No final ficou uma questão: terá Fernando Pessoa lido James Joyce? Algumas pistas no romance, justificavam a pergunta. Uma investigação posterior confirmou o facto, mas com aparente pouco entusiasmo (na leitura do Pessoa, não na investigação). A sessão contou com 20 presenças e 5 que não tiveram tempo de concluir a leitura.

O trimestre terminou com mais uma densa narrativa introspetiva. O "Jogo da Cabra Cega" de José Régio, tornou longo o mês de Março para a maioria dos leitores. Um romance, também ele autobiográfico, que deixou na maior parte dos leitores uma impressão de cansaço, devido a uma procura do “eu” muito conturbada e por vezes confusa. Régio não foi um escritor de agrado global, mas teve o mérito de ocupar animadamente as duas horas e meia da sessão, levantando muitas questões pertinentes, sentimentos diferentes e reações diversas à leitura. 18 presenças, sendo que, 4 dos participantes, não acabaram a leitura.

O segundo trimestre chegou sob o mote “Romance e Contos de Autores Portugueses”, iniciando em Abril com “Os Amantes e outros Contos” de David Mourão-Ferreira. Os contos foram do agrado geral, embora quase todos reconhecessem alguma dificuldade em seguir o labiríntico pensamento dos mesmos e a utilização frequente do fantástico. Uma escrita escorreita, elegante, delicada e poética foram também alguns dos adjetivos usados pelos leitores. Outros sentiram a leitura como uma espécie de flashes contínuos, a proporcionarem uma experiência cinematográfica em forma de escrita.  Estiveram presentes 20 leitores, sendo que 2 não leram o livro. 

Em Maio, foi a vez do romance de Manuel da Fonseca, “Cerromaior”. Obra do neorrealismo (apesar de questionado pelos puristas do estilo), centra-se numa imaginária vila alentejana, retratando o espaço social, ético e político dos anos 30/40. Da família de latifundiários, classe social dominante, a uma GNR aliada aos poderosos, tudo se conjuga para a exploração do proletariado rural que vive numa constante miséria humana onde tudo falta e nada parece ter futuro. Há, no entanto, alguma réstia de esperança, no facto de Adriano, personagem principal do romance, ter um percurso de crescimento e evolução que o levam a questionar as injustiças sociais e a falta de dignidade existente no tratamento dado aos trabalhadores. 20 presenças e 3 leitores que não leram o romance.

A terminar o segundo trimestre, Junho trouxe-nos “Sombras da Raia” de Nuno Franco Pires. A presença do escritor que amavelmente aceitou o nosso convite, trouxe-nos uma outra dinâmica, acrescentando informação e muitas outras histórias relacionadas com o romance.  Começando com o início da sangrenta guerra civil espanhola (que provocou centenas de mortos em Badajoz), acompanhamos uma história de gerações que atravessa a vida de 3 famílias da raia, entre 1936 e 1918. Entre Badajoz e Elvas cruzam-se os destinos de Clara, Miguel e Inês. Através deles descobrimos uma teia de enganos e segredos, há muito escondidos pelas suas famílias. Um enredo bem trabalhado, com todo um naipe de personagens fortes, dá-nos ainda a conhecer, a evolução da doçaria mais conhecida da região, a famosa ameixa de Elvas. Ficou em aberto a organização de uma deslocação a Elvas, para seguirmos os roteiros que nos são dados a conhecer no romance. 22 presenças e 3 que não leram.      

Julho chegou e com ele demos início ao terceiro trimestre sobre o mote “Romances de Férias”. “Niketche: Uma História de Poligamia”, de Paulina Chiziane, foi o livro escolhido. Uma voz feminina a refletir sobre a condição da mulher moçambicana e a vinculação e submissão a uma sociedade patriarcal muito enraizada, contra a qual é difícil lutar. Uma escrita fluída, por vezes lírica e até bem humorada, a tratar um tema delicado. Uma sessão com bons contributos dos 19 leitores presentes, em que apenas 1 não leu o romance em apreço.

A fechar o mês de Julho e ainda no rescaldo do livro de Maio, um grupo de leitores fez uma visita a Vila Franca de Xira, com particular destaque para o Museu do Neo-Realismo que embora já conhecido pela maior parte da Comunidade, justifica sempre a visita.

Agosto trouxe “Os Anos” de Annie Ernaux, prémio Nobel de 2022. Uma autobiografia num registo muito fotográfico, escrita num formato de pequenos textos que parecem retirados de cadernos diários. Embora com a sua visão muito pessoal, pode dizer-se que é também uma crónica da segunda metade do séc XX focada na vivência francesa, apesar de algumas incursões internacionais. Foi do agrado geral das 20 pessoas presentes, em que 2 não leram o livro.

Em Setembro lemos a “A Trilogia de Nova Iorque” de Paul Auster. Três histórias um pouco sombrias, que nos levam pelo fascinante e misterioso submundo nova-iorquino num formato muito cinematográfico. Quem conhece bem e gosta deste escritor, conseguiu enredar-se facilmente nos labirintos criados por si. Quem teve um primeiro contacto com a sua escrita, sentiu alguma resistência e dificuldade na leitura. 19 pessoas presentes e 6 que não leram.

O último trimestre no ano, cujo mote foi “Outros Géneros”, trouxe-nos em Outubro um livro diferente, mas muito apreciado pela generalidade dos leitores: “O Infinito num Junco” de Irene Vallejo. Uma obra que anda entre o ensaio, o relato ou mesmo uma tese, acaba por ser um romance que nos leva numa longa viagem através do tempo e do espaço, de um objecto criado para transportar as palavras. É um livro sobre a história e a evolução dos livros, da antiguidade clássica até aos nossos dias. 17 pessoas presentes e 4 que não leram.

Ainda em Outubro e na rota do livro lido em Junho, “As Sombras da Raia”, um pequeno grupo desta Comunidade rumou num Domingo até Elvas, tendo seguido os passos de muitas das personagens daquele romance. Como sempre, ficaram memórias boas que vão construindo a história desta Comunidade.

Em Novembro abordámos o teatro, através de uma das tragédias Shakespeariana: “O Rei Lear”. Lear, o monarca que renuncia ao poder, com a intenção de dividir o seu reino pelas três filhas, em função do amor que estas lhe devotam. Gloucester, um conde que vê um dos filhos trair o outro para usurpar o poder. Vaidade, lisonja, adulação, ódio, traição, mentira, loucura fingida, caminham lado a lado com amor filial, razão, lealdade, fidelidade, dever e generosidade. A natureza humana no seu pior e no seu melhor. Uma tragédia, com raios de comédia, sobretudo através das intervenções do Bobo da corte. Apesar da maior parte dos leitores preferir ver teatro a ler teatro, o livro foi bem recebido e do agrado de todos, proporcionando uma sessão agradavelmente participada. 27 presenças e 4 pessoas que não leram.

Para terminar o ano numa forma mais lúdica e poética, continuando no tema – outras leituras-, Dezembro trouxe com ele a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e o livro “Dual”. Como diz Eduardo Lourenço no prefácio deste livro, “… Sophia foi musa de si mesma e talvez a isso se refira o misterioso e luminoso título Dual, dualismo de natural fusão de duas faces de si mesma…”. A casa, Delphos, o mar, os nossos poetas, a mitologia grega e a memória, entre outros, espelham-se ao longo da poética de Dual. No início da sessão questionava-se se a escolha de um livro de poesia teria sido acertada e que tipo de discussão daí poderia surgir. Os 21 leitores presentes (onde apenas 2 não leram) não desiludiram e todos tiveram algo a dizer e também a aprender, com esse Universo único que é Sophia.

E foi assim este ano de leituras partilhadas, num entusiasmo permanente dos muitos leitores que mensalmente marcaram presença nestas sessões. A Comunidade está de boa saúde e tem crescido com a chegada de novos leitores ao longo do ano.  Como sempre, cumpre-nos agradecer à Biblioteca de São Domingos de Rana e aos seus responsáveis, a cedência do espaço, a sua disponibilidade e apoio imprescindível.

Bom Ano 2024!

04 dezembro 2023

PROGRAMA DE LEITURAS PARA 2024

Imagem: FREEPIK
 

= TALVEZ ROMANCE HISTÓRICO

- JAN 26  Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho

- FEV 23  O Italiano, de Arturo Pérez-Reverte                        

- MAR 22  Os Reinegros, de Alves Redol   

 

= NOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL

- ABR 26 Portugal, a Flor e a Foice, de J. Rentes de Carvalho

- MAI 31 Os Meninos de Ouro, de Agustina Bessa-Luís

- JUN 28 Os Memoráveis, de Lídia Jorge

 

= ROMANCE! ROMANCE! ROMANCE!                           

- JUL 26 Justine, de Lawrence Durrel

- AGO 30 Praça do Rossio, Nº 59, de Jeannine Johnson Maia

- SET 27 Berta Isla, de Javier Marías

 

= OUTROS GÉNEROS

- OUT 25 A Festa de Babette, de Karen Blixen

- NOV 29 Pura Memória, de Emília Amor

- DEZ 27 O Eremita Viajante, de Matsuo Bashô


02 dezembro 2023

MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA..., Sophia - Dito por RITA LOUREIRO


MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA SOBRE A MORTE DE ISABEL DE PORTUGAL

 

Nunca mais

A tua face será pura limpa e viva

Nem o teu andar como onda fugitiva

Se poderá nos passos do tempo tecer.

E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

 

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

A luz da tarde mostra-me os destroços

Do teu ser. Em breve a podridão

Beberá os teus olhos e os teus ossos

Tomando a tua mão na sua mão.

 

Nunca mais amarei quem não possa viver

Sempre,

Porque eu amei como se fossem eternos

A glória, a luz e o brilho do teu ser,

Amei-te em verdade e transparência

E nem sequer me resta a tua ausência,

És um rosto de nojo e negação

E eu fecho os olhos para não te ver.

 

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Nunca mais te darei o tempo puro

Que em dias demorados eu teci

Pois o tempo já não regressa a ti

E assim eu não regresso e não procuro

O deus que sem esperança te pedi.

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, Mar Novo (1958)


“Dual” de Sophia de Mello Breyner Adresen - 29 Dezembro às 20h00

 


"Altas marés no tumulto me ressoam

E paredes de silêncio me reflectem."


A terminar um ano rico de leituras, a bela poesia da Sophia.


24 novembro 2023

Rei Lear - um outro olhar


As três filhas do Rei Lear – Gustav Pope (1831-1910)


 Kent defende Cordélia – autor desconhecido. Séc XVIII

 

A despedida de Cordélia – Edwin Austin Abbey (1852-1911)

 

Rei Lear chora sobre o corpo de Cordélia, James Barry (1741-1806)

13 novembro 2023

A poesia na nossa Comunidade

 



No próximo dia 17 de Novembro, na Universidade Lusófona, o nosso amigo e coordenador Manuel Nunes, apresenta mais um livro de poesia. Divulgo e deixo o convite. Parabéns e muito sucesso, Manuel!

02 novembro 2023

“O Rei Lear”, de William Shakespeare - 24 de Novembro às 20h00

 


Em Novembro mergulhamos no universo dramático de Shakespeare. O Rei Lear leva-nos às profundezas da natureza humana, aos seus vícios e defeitos, mas também às suas melhores virtudes. Sentimentos como a crueldade, o ódio e a traição, entre outros, andam de mãos dadas com a lealdade, a devoção e o amor…

08 outubro 2023

AO SOL DA RAIA


Na sequência da leitura de Sombras da Raia, a Comunidade foi a Elvas. Um pequeno-grande grupo de 12 leitores. Aí fica o testemunho sumário nestas fotos. Acabámos na Casa da Cultura (antigos Paços do Concelho, edifício de 1538 do arquitecto Francisco de Arruda) onde se inaugurava a exposição Os Dois Lados, do artista JOÃO PEIXE: 17 trabalhos em madeira que vão estar patentes até 11 de Novembro. Expressão artística inabitual de grande sensibilidade e valor. 

02 outubro 2023

“O Infinito num Junco” de Irene Vallejo - 27 de Outubro às 20h00

 


Um livro sobre a evolução dos livros, uma longa viagem pela rota de um objecto, criado para transportar as palavras através do tempo e do espaço…

01 setembro 2023

“A Trilogia de Nova Iorque” de Paul Auster – 29 de Setembro às 20h00

 


A Trilogia de Nova Iorque, inclui os contos Cidade de Vidro, Fantasmas e O Quarto Fechado à Chave. São três histórias misteriosas no fascinante submundo de Nova Iorque.

26 agosto 2023

Les Années Super 8 (Os Anos do Super-8) (2022) (Legendado/Subtitled) (Br...


Para quem se interessou, aqui fica a ligação ao filme da Annie Ernaux, que só se consegue ver diretamente no YouTube...

02 agosto 2023

“Os Anos” de Annie Ernaux - 25 de Agosto às 20h00

 


Sinopse

Estendendo-se por um período que vai de 1941 a 2006, em Os Anos conta-se uma história que é simultaneamente coletiva e pessoal, transversal e intimista, de sessenta anos da vida de um país e da vida de uma mulher. Através de pequenos fragmentos narrativos, por meio da relação entre fotografias, canções, filmes, objetos ou eventos da história recente, mais do que uma desconcertante autobiografia, Annie Ernaux constrói uma recordação de um «nós», num relato sobre o que fica quando o tempo passa: «Tudo se apagará num segundo [...] Nem eu nem mim. A língua continuará a pôr o mundo em palavras. Nas conversas à volta de uma mesa em dia de festa seremos apenas um nome, cada vez mais sem rosto, até desaparecermos na multidão anónima de uma geração distante.»

01 julho 2023

“Niketche: Uma História de Poligamia”, de Paulina Chiziane - 28 de Julho às 20h00

 


Sob o mote -Romances de Férias- iniciamos o 3º Trimestre com a escrita de Paulina Chiziane e a história de Rami e o caminho que vai percorrer ao descobrir a poligamia do marido.

03 junho 2023

“Sombras da Raia” de Nuno Franco Pires – 23 de Junho às 20h00

 


De 1936 a 2018 existem segredos ocultos nas sombras da raia (Badajoz e Elvas) e uma teia de mentiras e enganos guardados por três famílias ao longo de gerações. São essas as histórias que vamos descobrir com a leitura do mês de Junho, cuja sessão contará com a presença do autor, Nuno Franco Pires.

01 maio 2023

“Cerromaior” de Manuel da Fonseca - 26 de Maio às 20h00

 


"….Puro e sem pecados, o coração batia-lhe. Ergueu-se. Ia caminhar. Visíveis, à sua volta, os pobres que tapavam o portão do quintal, Doninha, Zé da Água, Tóino Revel, Bia Rosa, Inácia, Antoninha, Maltês e os ceifeiros da Fonte Velha seguiam-no. Ao lado, passo a passo, a mãe ia também - nem ele sabia para onde, mas tinha a certeza de que era para uma planície de fartura e paz."

In “Cerromaior” de Manuel da Fonseca

01 abril 2023

Os Amantes e outros Contos, de David Mourão-Ferreira - 28 Abril às 20h00

 


No 2º Trimestre, sob o mote “Romance e Conto de Autores Portugueses”, iniciamos em Abril com Os Amantes e outros Contos, de David Mourão-Ferreira.

01 março 2023

"Jogo da Cabra Cega", de José Régio - 31de Março às 20h00

 


Do romance que escreveu em 1934, início da sua carreira literária, José Régio disse mais tarde: «…É um livro de abandono e excesso, em que o escritor estava ainda muito adolescente. Não pense que o desestimo, gosto muito de o ter escrito com aquela coragem quase inconsciente...».

02 fevereiro 2023

"Retrato do Artista quando Jovem" de James Joyce - 24 de Fevereiro às 20h00



Continuando no âmbito do "Romance e Modernismo", este mês vamos seguir James Joyce e as suas inquietações e tomadas de consciência do caminho que pretendia percorrer.

02 janeiro 2023

“As Caves do Vaticano”, de André Gide - 27 de Janeiro às 20h00

 

E se o Papa fosse secretamente sequestrado? É isso que vamos descobrir, neste romance provocador, satírico e crítico…

31 dezembro 2022

Balanço Anual e Feliz Ano Novo

 

Imagem daqui 

O ano de 2022 chegou, ainda sob a tempestade pandémica do Corona vírus, mas já com alguma luz ao fundo do túnel. O sucesso da vacinação, aliado à menor perigosidade das mutações do vírus, apontavam no sentido de um cenário endémico.

Para o 1º trimestre, sob o tema “Horas do Conto”, janeiro trouxe os “Contos Exemplares” de Sophia de Mello Breyner Andresen. Estiveram presentes 19 participantes, dos quais, apenas 1 não leu o livro. Este, reúne sete contos de alguma temática recorrente em Sophia, nomeadamente os valores cristãos e a repressão salazarista. As histórias são apresentadas, não de forma agressiva, mas subtilmente, quase com encanto e algum misticismo e sobretudo com muitas metáforas, onde Deus e o Diabo ou o Bem e o Mal, se escondem nas diferentes personagens. Dadas as contribuições de todos os presentes, confirmou-se o interesse e o agrado geral nesta leitura.

Em fevereiro lemos “Histórias de Mulheres” de José Régio. A sessão realizou-se no dia 25. No dia anterior, a Rússia invadiu a Ucrânia o que, não sendo propriamente uma surpresa, deixou o mundo em estado de choque. Ninguém queria acreditar numa guerra há muito anunciada.  Afinal o Homem continua a não aprender com os erros e a esquecer rapidamente a História…

Numa sessão que contou com 18 presenças e onde mais uma vez só uma pessoa não leu o livro, a coletânea de contos de Régio proporcionou mais uma reunião animada e participada. Estávamos perante um ambiente ficcional dominado por personagens femininas, cuja acção se desenrola nos anos 30/40 quer em meio rural quer em meio citadino. Todo um conjunto de mulheres ora apresentadas em contexto individual (com uma conduta mais fechada, particular e por vezes grotesca), ora em contexto colectivo (socialmente mais vazias, fúteis e dominadas pela aparência). Todas estas figuras construídas com mestria e a dar forma a histórias curiosas que agarraram os leitores, levando cada um à sua própria interpretação.

Em março terminámos o ciclo dedicado aos Contos, com a Agustina Bessa-Luís e os seus “Contos Impopulares”. Estes contos (catorze), ora muito pequenos ora quase a roçar uma história mais profunda, apresentam um traço comum: uma certa tendência de decomposição. Metáfora para uma sociedade decadente?

Vinte e um membros presentes numa sessão em que foi dito, por exemplo, que: “ler Agustina é como ler uma língua estrangeira”, “as palavras são o corpo das suas ideias”, “mesmo não sentindo uma empatia especial, há que reconhecer a genialidade da sua escrita” ou “é de uma leitura difícil mas, absolutamente cativante”.

Em abril iniciámos o 2º trimestre, sob o lema “A sul da américa, a oeste do sonho”. O autor escolhido para este mês foi Luís Sepúlveda e os seus romances “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar” e “O Velho que Lia Romances de Amor”.

Zorbas, o gato grande preto e gordo e o seu bando de amigos gatos, unem-se num maravilhoso espírito de grupo, para educar e ensinar a voar, a pequena gaivota Ditosa, órfã de Kengah, a sua mãe vítima de uma maré negra. A este grupo junta-se no final um humano “O Poeta”, que dá a ajuda final ao voo inaugural de Ditosa. Sentimentos bonitos como a amizade, lealdade, companheirismo, proteção, confiança, coragem e responsabilidade, entre muitos outros, são a tónica dominante no conto.

“O Velho que lia romances de amor”, fala-nos da paixão pela leitura e é um hino ao amor pela Natureza e sobretudo à floresta Amazónica. António Bolivar não sabia escrever, mas sabia ler. Os seus pertences mais queridos eram dois: uma dentadura postiça e uma lupa que o auxiliava na leitura, dos seus amados romances de amor.

A escrita maravilhosa de Sepúlveda encantou-nos por inteiro. Nesta sessão em que foi finalmente liberada a obrigação imposta pela Pandemia do uso de máscara e em que voltámos a ver por inteiro a cara uns dos outros, estiveram presentes 19 leitores, tendo todos lido os dois livros.

O mês de maio trouxe-nos Mark Twain e as Aventuras de Huckleberry Finn. Descer o Mississipi, primeiro numa canoa, depois numa balsa e logo a seguir numa jangada, percurso constantemente embrulhado em aventuras e desventuras, foi a tarefa a que se propôs Huck, que encontrou no fugitivo escravo Jim, um inesperado companheiro de viagem. Parecendo um romance direcionado para os jovens, ficou a dúvida se estes terão a devida maturidade para entender o mesmo. Catorze presenças e um que não leu, foi a estatística registada.

A fechar o trimestre descobrimos em junho o escritor colombiano Juan Gabriel Vásquez e uma história que nos levou ao mundo dos emigrantes alemães chegados à Colômbia alguns anos antes da II Guerra Mundial. “Os Informadores” é uma história que nos fala de memórias, de dilemas éticos, de culpa, de invasão do passado no presente e sobretudo de redenção e perdão. Numa sessão em que estiveram presentes apenas 13 elementos, dois dos quais não leram o livro, o romance de Vásquez foi bem acolhido tendo proporcionado ótimos momentos de leitura.

 

No terceiro trimestre e de acordo com o tema “Há mais Mundos”, escolhemos livros de que toda a gente fala, mas que muitos nunca leram. Em julho “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift e em agosto “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll, transportaram-nos a mundos de fantasia e sonhos. O primeiro é uma espécie de comédia incompreendida e o segundo aproxima-se de uma narrativa com carácter de absurdo, sempre a contornar as regras da lógica. Cerca de uma vintena de participantes em ambas as sessões, divertiram-se a escrutinar setas fantasiosas aventuras. Em setembro, o grande clássico da ficção científica “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, deu luta na discussão, enriquecida pelas diferentes opiniões dos leitores presentes. Uma conclusão comum foi a de que, o ser humano perante o desconhecido, o medo e a histeria coletiva, perde a sua humanidade e pode tornar-se selvagem. Dezanove leitores presentes, tendo todos lido o romance.

Com outubro chegou o 4º trimestre, sob o mote “Saramago e Saramaguianos”. Iniciámos com o “Manual de Pintura e Caligrafia, de José Saramago”, discutido numa sessão onde estiveram presentes 20 leitores e apenas um, não leu o livro. Embora este seja o segundo romance de Saramago é já um tratado de bem escrever, um longo caminho de autoconhecimento e uma viagem pelo mundo da arte. Ninguém ficou indiferente à beleza da escrita e à sua peculiaridade. Diz o narrador em determinado momento “…É sobretudo a ideia do prolongamento infinito que me fascina…” A nós, o romance fascinou-nos do início ao fim.

Em novembro lemos “Os Malaquias”, de Andréa del Fuego. Acompanhámos a insólita história da família Malaquias, numa paisagem rural transformada pela construção de uma barragem. Romance áspero, mas ao mesmo tempo poético, salpicado de algum realismo mágico, onde a morte anda de mãos dadas com a vida. Dezassete leitores presentes e todos leram o livro. Uns ficaram encantados outros nem tanto, o que, como sempre, apenas serviu para enriquecer a discussão.

Dezembro chegou e com ele o último livro do ano “Os Transparentes”, de Ondjaki. Uma história centrada num prédio de Luanda, onde, quer os seus habitantes, quer quem por lá passa, enfrenta a dura realidade diária, entre uma alegria genuína e uma melancolia persistente. Os dramas de cada um cruzam-se com os dramas alheios, criando um complexo enredo de histórias impensáveis. Uma escrita lírica, mas mordaz e satírica, a revelar a realidade quotidiana da cidade e das suas pessoas. Ficou a pergunta: quem são os transparentes? Aqueles que pela sua insignificância não são vistos ou aqueles que pela sua pobreza se tornam invisíveis? Dezassete pessoas presentes, cinco que não leram ou ainda com a leitura em curso. Um livro que foi do agrado de todos os presentes.

E foi assim mais um ano rico de partilhas literárias, sempre com muitos leitores presentes, confirmando que a Comunidade de Leitores está viva e recomenda-se. À nossa Biblioteca e aos seus responsáveis, o nosso agradecimento pela disponibilidade do espaço e apoio permanente.

A todos um Feliz 2023!

24 dezembro 2022

Feliz Natal

 

“Winter Landscape with a Bird Trap” - Pieter Brugel, O Velho – 1565


Feliz Natal!


02 dezembro 2022

30 de Dezembro – Os Transparentes, de Ondjaki às 20h00

 


“…entrei nesse prédio

uma frescura é que me molhou a pele, conheço bem a zona e nunca tinha sentido esta frescura, vi uns degraus partidos e pensei que era melhor não pisar, saltei, subi mais, as conchas no meu saco faziam mais barulho, só que o meu coração me dizia para subir, continuei,…”

in “Os Transparentes” de Ondjaki

28 novembro 2022

2023 VEM JÁ AÍ

 HENRI MATISSE, Leitora da mesa amarela (1944), Musée Matisse, Nice

PROGRAMA DE LEITURAS PARA 2023

Datas das sessões

ROMANCE E MODERNISMO

27/01:  As Caves do Vaticano, de André Gide

24/02: Retrato do Artista quando Jovem, de James Joyce

31/03: Jogo da Cabra Cega, de José Régio

ROMANCE E CONTO DE AUTORES PORTUGUESES

28/04: Os Amantes e outros Contos, de David Mourão-Ferreira                          

26/05: Cerromaior, de Manuel da Fonseca                                      

30/06: Sombras da Raia, de Nuno Franco Pires                                

ROMANCES DE FÉRIAS

28/07: Niketche: Uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane

25/08: Os Anos, de Annie Ernaux                                                            

29/09: A Trilogia de Nova Iorque, de Paul Auster                                 

OUTROS GÉNEROS

27/10: O Infinito num Junco, de Irene Vallejo

24/11: Rei Lear, de William Shakespeare                                  

29/12: Dual, de Sophia de Mello Breyner Adresen

02 novembro 2022

25 Novembro - Os Malaquias, de Andréa del Fuego às 20h00

 


Sinopse

“Serra Morena. Um raio esturrica o casal, em luz e carne. Os filhos ficam órfãos, com destinos diferentes. Antônio, o menino que não cresce. Nico, o patriarca engolido por um bule de café. Júlia, a menina em fuga permanente. Um lugar onde as sombras da terra e da água convivem. Onde a morte e a vida são o mesmo mundo. Um poema seco à humanidade de cada um de nós.”

31 outubro 2022

Evocar Saramago



A Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana apresenta um programa cultural evocativo da obra de José Saramago. Bem a propósito, num trimestre em que lemos Saramago e Saramaguianos.

Programa completo, aqui

03 outubro 2022

Manual de Pintura e Caligrafia, de José Saramago - 28 Outubro às 20h00


 

“Manual de Pintura e Caligrafia é um romance que causou alguma surpresa quando apareceu. O livro foi bem recebido, talvez pela sua estrutura que parece até mais moderna que a dos livros que vieram depois. Quando digo mais moderna, quero dizer mais vanguardista. Há muito de autobiografia ali mas é paralela.”

José Saramago

03 setembro 2022

A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells - 30 Setembro às 20h00


Em Setembro e fazendo jus ao mote “Há mais mundos” que deu suporte ao terceiro trimestre, temos um clássico da ficção científica:
 A Guerra dos Mundos de H. G. Wells traz ao nosso mundo, seres alienígenas muito destruidores...

01 agosto 2022

“Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll - 26 de Agosto às 20h00


Agosto é tradicionalmente um mês de férias e de aventuras, um mês para fugir à rotina e ter novas vivências. Por isso poderemos dizer que a leitura deste mês é perfeita para isso. Vamos então seguir o coelho branco e descobrir outros mundos?

03 julho 2022

“As Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift - 29 de Julho às 20h00


Síntese: 

Lemuel Gulliver, cirurgião de um navio naufragado, acorda um dia em Lilliput, onde o tamanho minúsculo dos habitantes lhe faz parecer absurdos todos os seus interesses e disputas. Uma segunda viagem leva-o ao reino dos gigantes, onde desta vez o seu próprio tamanho lhe confere uma nova visão sobre o comportamento humano. Caindo na mão de piratas que o deixam à deriva, Gulliver visita depois uma série de ilhas onde o conhecimento falha o alvo e a imortalidade implica apenas sofrimento. A viagem final leva-o ao país dos Houyhnhnms, cavalos dotados de razão que partilham o seu domínio com os Yahoos. Quando regressa a Ingla-terra, Gulliver é um homem mudado.

01 junho 2022

“Os Informadores” de Juan Gabriel Vásquez - 24 Junho às 20h00


Sinopse:

Quando o jornalista Gabriel Santoro publicou o seu primeiro livro, não imaginava que a crítica mais implacável fosse ser escrita pelo próprio pai.

O tema parecia inofensivo: a vida de uma amiga da família, judia chegada à Colômbia em fuga da Alemanha nazi, pouco tempo antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Por que razão terá o seu livro sobre Sara Guterman ferido o pai a ponto de o levar a humilhá-lo publicamente? Que segredo imprevisto esconderão aquelas páginas? O que alimentará a raiva e a alienação do patriarca?

Impelido pela morte misteriosa do pai num acidente de automóvel, Santoro decide indagar a verdade, antes que o passado lhe escape por completo. A investigação irá destapar impensáveis traições e segredos da história familiar. Na dolorosa reconstrução do retrato da família - sombrio, complexo, enigmático - acabará por descobrir um episódio sinistro do seu país nos anos de trevas da Grande Guerra, a catástrofe que deixou a Europa em escombros e tocou milhares de vidas no outro lado do Atlântico.

03 maio 2022

“As Aventuras de Huckleberry Finn”, de Mark Twain - 27 de Maio às 20h00

 


Maio traz-nos a viagem extraordinária de Huckleberry Finn e do escravo Jim, pelo rio Mississípi abaixo. Juntos numa jangada, partem numa corajosa busca de liberdade, deparando-se com uma infinidade de aventuras e peripécias recheadas de grandes emoções.

30 abril 2022

O Velho Que Lia Romances de Amor - Filme


Na sessão de ontem falámos deste filme. Depois do livro, vale a pena ver.
É muito bonito e fica aqui disponível (é dobrado em português do Brasil).

28 abril 2022

O Velho que lia Romances de Amor

 


No romance, ficamos a saber como António Bolivar fez a sua formação de leitor. Passou 5 meses numa escola de El Dorado onde a professora o deixou usar a sua biblioteca que continha cerca de 50 volumes.

Entre tudo o que leu acabou por ser o romance  “O Rosário” de Florence Barclay o que mais o cativou.

 

“…O Rosário, de Florence Barclay, continha amor, amor por todos os lados. As personagens sofriam e misturavam a sorte com os sofrimentos de uma maneira tão bela que se lhe embaciava a lupa de lágrimas.

A professora, não de todo de acordo com as suas preferências de leitor, permitiu-lhe que levasse o livro, e com ele regressou a El Idilio para o ler mil e uma vezes diante da janela…”

In “O Velho que lia Romances de Amor” de Luís Sepúlveda

Las gaviotas (As gaivotas)

Las gaviotas

Todas las tardes
se reúnen las gaviotas
frente a la estación del tren:
Allí repasan sus amores.

En su libro de memorias
dos flores de sándalo:
una señala la página de los puentes,
otra la de los suicidas.

Y también guardan una fotografía
del mendigo que, hace tiempo, transportaba
los despojos del mercado.

Pero su pequeño corazón
-que es el de los equilibristas-
por nada suspira tanto
como por esa lluvia tonta
que casi siempre trae el viento,
que casi siempre trae el sol.

Por nada suspira tanto
como por el inacabable
(cabalé, cabalá),
continuo mudar
del cielo y de los días.


No romance de Sepúlveda “História de uma Gaivota e do Gato…”, há uma referência ao escritor basco Bernardo Atxaga e ao seu poema “As Gaivotas”. Este serve de inspiração ao humano que vai ajudar o gato Zorbas a ensinar a gaivota Ditosa a voar. Fiquei curiosa e procurei o poema completo que apenas encontrei em castelhano. E ainda bem! A sonoridade da língua mãe dá-lhe todo um outro élan...

01 abril 2022

“O Velho que Lia Romances de Amor” e “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”, de Luís Sepúlveda - 29 de Abril às 20h00

Em Abril iniciamos novo trimestre, desta vez sob o mote “A Sul da América, A Oeste do Sonho”. Nada melhor que começar com duas belíssimas histórias do Luís Sepúlveda:


"… Antonio José Bolívar sabia ler, mas não escrever.

O mais que conseguia era garatujar o nome quando tinha que assinar qualquer papel oficial, por exemplo, na época das eleições , mas como tais acontecimentos ocorriam muito esporadicamente, já quase se tinha esquecido…”

In “O Velho que Lia Romances”



“…O gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos raios de barriga para cima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.

No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse o lombo ouviu o zumbido provocado por um objeto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para um lado para se esquivar à gaivota que caiu na varanda…”

In “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”

03 março 2022

“Contos Impopulares” de Agustina Bessa-Luís – 25 de Março às 20h00

 


A terminar o primeiro trimestre e o ciclo “Horas do Conto”, chega-nos Agustina Bessa-Luís e os seus “Contos Impopulares”.

19 fevereiro 2022

HIPÓLITO E FEDRA


PUBLICO UM TEXTO tirado de outro blogue, lembrado de quando lemos Fedra, de Racine, salvo erro em Junho de 2012.  Foi uma sessão especial: a Paula Mendes Coelho leu em francês uma passagem da obra e dois actores convidados representaram uma ou várias cenas da peça. Junho de 2012, foi há quase 10 anos!


Disperso Escrevedor: HIPÓLITO E FEDRA: Hipólito, de Eurípides, tragédia apresentada em 428 a. C. Vi a noite passada no Teatro Municipal Joaquim Benite com encenação de Rogério de ...

02 fevereiro 2022

"Histórias de Mulheres" de José Régio - 25 de Fevereiro às 20h00


Em Fevereiro entramos num universo predominantemente feminino, através das novelas e contos de José Régio. "Histórias de Mulheres" em apreciação e discussão.

31 janeiro 2022

"O JANTAR DO BISPO", conto de Sophia

 Tentação de Cristo (1854), de Ary Scheffer

Este foi um dos contos de que mais gostei. Conto de Deus e do Diabo, e de algo mais.

O Diabo não se reconhece pela luz, mas pela sombra. Nem todos são capazes de o ver, daí o seu sucesso como tentador. Só os inocentes conseguem trespassar essa barreira de ocultação. O pequeno João, filho do poderoso Dono da Casa, «reparara que a sombra daquele homem [o Homem Importante] era enorme e enchia os tectos, gesticulando como um grande polvo».

A missão do Padre de Varzim assemelhava-se à dos padres operários, movimento contrariado por Pio XII, mas reabilitado posteriormente por João XXIII e Paulo VI. Os padres descendo aos infernos do trabalho assalariado, vivendo lado a lado com os operários das fábricas, defendendo-os. O Padre de Varzim vivia na pobreza  ao lado dos cavadores das vinhas. Dai o jantar e o convite ao Bispo: o Dono da Casa queria pedir ao Bispo que afastasse da freguesia o Padre de Varzim.

E havia o telhado de uma igreja para cuja reparação precisava o Bispo de uma esmola. Uma esmola de uma pessoa caridosa como o Dono da Casa. O assunto resolveu-se. Por assombradas artes do Homem Importante, o Bispo afasta um pároco incómodo e ganha as obras da igreja.

Depois há o encontro com o enigmático mendigo, o remorso, o mistério em torno do Homem Importante, a recusa da dupla esmola do Diabo.

Sobre este conto, diz D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, no pórtico da obra: «que o Bispo volte a ser, mais que o construtor de igrejas, o construtor da Esperança.»


04 janeiro 2022

"Contos Exemplares", de Sophia de Mello Breyner Andresen - 28 de Janeiro às 20h00


Iniciamos o ano, com o mote "Horas do Conto". 

A abrir temos Sophia de Mello Breyner Andresen e os seus "Contos Exemplares"