Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
26 julho 2009
Cidades (In)visíves

Cidades [in]Visíveis! busca uma nova interpretação, sem pretensões, são apenas estudos gráficos de uma obra repleta de multiplicidade que é “Cidades Invisíveis” do Ítalo Calvino, que é um completo exemplo de suas propostas para o novo milênio.

Valdrada
Isaura


"As cidades invisíveis", de Calvino, é uma espécie de "bíblia" para o entendimento das cidades e, consequentemente, de quem as habita. Se desejamos entender algum discurso que explique as cidades, e não somente o discurso mas diferentes formas de interpretação, ler este romance é quase que fundamental. É um livro delicioso de ser lido, pois são vários textos curtos nos quais Marco Polo, o famoso viajante veneziano, descreve para o imperador Kublai Khan, diversas cidades que havia visitado. Todas têm nome de mulher e, em cada uma, a linguagem mostra que podemos percorrer as ruas como se estas fossem páginas escritas. Dependendo somente do que se procura em cada cidade. Por exemplo, quais são os lugares que desejamos ir, quem gostaríamos de encontrar, se é dia ou noite... são infinitas as possibilidades de leitura. Interessante também é perceber como uma cidade ajuda a ler outra, pois há conexões entre os meios urbanos, por mais distantes que estejam. As cidades também são duplas, e isso aparece em Calvino como "cristal e chama". O traçado da cidade moderna tenderia para o cristal uma vez que é o lado racional e ideal. Já a presença do homem, com suas experiência próprias e inter-relacionadas, a transforma em chama. Na cidade e no homem, o cristal não vive sem a chama. É a duplicidade da descrição, da vida e da percepção humana.O desejo do imperador Kublai Khan é que, após as descrições, fosse possível montar um império perfeito. Fato que não pode acontecer. As cidades nunca serão perfeitas porque nós, homens, não o somos e nunca seremos. Por mais que se tente."
Paula
25 julho 2009
ITALO CALVINO: "As Cidades Invisíveis"
– Eu falo falo – diz Marco, – mas quem me ouve só fixa as pérolas que deseja. Outra é a descrição do mundo a que dás benignos ouvidos, outra a que correrá os grupos dos estivadores e gondoleiros nos canais da minha cidade no dia do meu regresso, e outra ainda a que poderei ditar em tardia idade, se fosse feito prisioneiro pelos piratas genoveses e posto a ferros na mesma cela com um escrivão de romances de aventuras. Quem comanda o conto não é a voz: é o ouvido.
08 fevereiro 2009
20 DE FEVEREIRO: "AS BICICLETAS EM SETEMBRO" DE BAPTISTA-BASTOS

AS BICICLETAS EM SETEMBRO fala de trajectórias amorosas e de que todos os destinos sentimentais ocultam histórias subterrâneas. Fala, também, da beleza perversa das relações humanas, e de que as pessoas suportam tudo, menos a solidão, a separação e a perda. É uma parábola sobre perdedores - todos nós. Porque cada um de nós perdeu alguma coisa.
(Da contracapa do livro)
DOIS POEMAS COM BICICLETAS
As bicicletas de Setembro rolam
no asfalto quente (...)
........................................................
Vamos assim em roda livre
e os peixes mordem o isco
nas águas mais profundas. Bicicletas
voltam ao parque fechado. Vem
também habitar este palácio de ócio
onde o ópio transpira das paredes.
Risco maior não é a velocidade
mas o estilo bom da pedalada.
EDUARDO GUERRA CARNEIRO
"Profissão de Fé"
Epígrafe do romance de Baptista-Bastos, "As Bicicletas em Setembro"
II
O CICLISTA
O homem que pedala, que ped' alma
com o passado a tiracolo,
ao ar vivaz abre as narinas:
tem o por vir na pedaleira.
ALEXANDRE O' NEILL
"Poemas com Endereço"
25 janeiro 2009
"Azul Cobalto" ("Ripley Under Ground") de PATRÍCIA HIGHSMITH
No livro, Héloïse é uma personagem enigmática. Não se percebe bem o que andou a fazer lá pelas ilhas gregas no iate do milionário Zeppo. Em Belle Ombre tinha um quarto próprio, e embora o marido (o excitante Ripley) acreditasse na sua fidelidade, não deixou de estranhar a jaqueta da marinha americana que ela trazia sobre o corpinho no dia do regresso a casa. (Naquele tempo da Grécia dos coronéis, a armada dos States devia ter apreciável número de homens nas águas do Mediterrâneo…). Quase sempre dócil, houve um momento, porém, em que mostrou a sua fibra: quando obrigou o marido a escolher entre ela e o fou (Bernard ) – e saiu porta fora para casa dos pais. Gostei bastante desta personagem. E os meus companheiros de leitura?
M.N.
19 janeiro 2009
DIA 30 DE JANEIRO, 21 HORAS
11 dezembro 2008
Lista de Obras a Saborear em 2009
1-Janeiro, dia 30- Patricia Highsmith, Azul Cobalto
2-Fevereiro, dia 20- Baptista Bastos, Bicicletas em Setembro
3- Março, dia 27 - Sandór Márai, As Velas Ardem até ao Fim
4-Abril, dia 17 - José Riço Direitinho, Breviário das Más Inclinações
5- Maio, dia 29-Orhan Pamuk, Instambul
6- Junho, dia 26- Mário Cláudio, Camilo Broca
7- Julho, dia 31- Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
8- Agosto, dia 28- Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano
9- Setembro, dia 25- Boris Vian, Outono em Pequim
10- Outubro, dia 30- Manuel da Silva Ramos, A Ponte Submersa
11- Novembro, dia 27- Dinis Machado, O que diz Molero
12- Dezembro, dia 18- Rosa Montero, A Louca da Casa
O nosso encontro mantém-se, sempre que possível, na última sexta-feira de cada mês, às 21h, no local de sempre. Bom Ano de novas e velhas leitura!
06 dezembro 2008
Sexta-feira, dia 19 de Dezembro, 21 horas
16 novembro 2008
"O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA" de Richard Zimler
29 outubro 2008
22 outubro 2008
12 outubro 2008
21 setembro 2008
26 DE SETEMBRO, 21 HORAS - POESIA DE MIGUEL TORGA
04 setembro 2008
26 DE SETEMBRO, 21 HORAS

EÇA DE QUEIRÓS, Civilização
A porta ficava ao fim do corredor, tinha uma chapazinha esmaltada, números pretos sobre fundo branco, não fosse isto um recatado quarto de hotel, sem luxos, fosse duzentos e dois o número da porta, e já o hóspede poderia chamar-se Jacinto e ser dono duma quinta em Tormes, não seriam estes episódios de Rua do Alecrim mas de Campos Elísios, à direita de quem sobe, como o Hotel Bragança, e só nisso é que se parecem.
JOSÉ SARAMAGO, O Ano da Morte de Ricardo Reis
Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elísios, nº 202.
EÇA DE QUEIRÓS, A Cidade e as Serras
17 agosto 2008
Poemas de MANUEL DA FONSECA, 29-8-2008, 21 horas
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A menina tonta passa metade do dia
a namorar quem passa pela rua,
que a outra metade fica
pra namorar-se ao espelho.
A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho.
A menina tonta tem vestidos de seda
e sapatos de seda,
é toda fria, fria como a seda:
as olheiras postiças de crepe amarrotado,
as mãos viúvas entre flores emurchecidas,
caídas da janela,
desfolham pétalas de papel...
No passeio em frente estão os namorados
com os olhos cansados de esperar
com os braços cansados de acenar
com a boca cansada de pedir...
A menina tonta tem coração sem corda,
a boca sem desejos,
os olhos sem luz...
E os namorados cansados de namorar...
Eles não sabem que a menina tonta tem a cabeça cheia de farelos.
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Manuel da Fonseca
16 agosto 2008
FERNANDO NAMORA, 29-8-2008, 21 HORAS
Fernando Namora : romancista, ensaísta, poeta e também pintor (1919-1989). Detentor de uma obra vasta e multifacetada, iniciou-se na prosa em 1938 com As Sete Partidas do Mundo, ficção em moldes presencistas. Notabilizou-se com Fogo na Noite Escura (1943). Mais tarde, em 1948, escreveu a 1ª série de Retalhos da Vida de um Médico, e em 1963 escreveu a 2ª série. Trata-se de uma obra marcada pela vivência da sua profissão de clínico. Em 1954 saiu O Trigo e o Joio. Nessa mesma década sofreu Namora a influência do existencialismo, visível em obras como O Homem Disfarçado (1957) e Cidade Solitária (1959). O Rio Triste, publicado em 1982, é, porventura, um dos seus melhores romances.(www.webboom.pt)













