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30 março 2014

ORÍON E A SUA ESTRELA BETELGEUSE, “PORTAL DA CASA DE DEUS”


Avistadas ontem, por uns quantos de coração limpo, no regresso de Miranda do Corvo (1º aniversário do Clube de Leitura local).
“Jacob deixou Bersabeia e partiu para Harã. Chegou a certo lugar e resolveu passar ali a noite, porque o Sol já se havia posto. Jacob pegou numa pedra do lugar, colocou-a sob a cabeça, e adormeceu. Teve então um sonho: Uma escada erguia-se da Terra e chegava até ao Céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.”
Génesis, 28:10-12
 
“Não asseguro que avistassem no firmamento as sete estrelas de Oríon, conhecendo-se como raro cintilam elas diante dos que vagueiam no negrume do próprio coração.”
 
MÁRIO CLÁUDIO, Oríon
 

 

 
MIRANDA DO CORVO, distrito de Coimbra, região Centro, sub-região Pinhal Interior Norte. Foral de 1136, dado por D. Afonso Henriques, ainda príncipe do Condado Portucalense. Orago: São Salvador.



 


28 março 2014

"ORíON", DE MÁRIO CLÁUDIO, E ALGUNS CASAMENTOS REAIS

 D. Leonor de Áustria
D. Catarina de Áustria
 
“Corria o ano da Graça de mil quinhentos e vinte e nove, sendo Rei de Portugal D. João III, aquele infeliz soberano que vira a noiva dilecta consorciada com o que o gerara.”
 
MÁRIO CLAÚDIO, Oríon , 1ª edição, Lisboa, Publicações D. Quixote, 2003, p. 102.
 
D. Leonor de Áustria (1498-1558), irmã de Carlos V, foi prometida desde muito cedo ao infante D. João, herdeiro de D. Manuel I.
Porém, tendo enviuvado pela segunda vez, tomou-a para si o rei Venturoso (casamento em 1518). Diz-se que pretendeu reforçar os laços da coroa portuguesa com a poderosa casa de Áustria. A sua filha D. Isabel foi prometida a Carlos V e ao que viria a ser D. João III foi-lhe dada, em substituição daquela que o pai lhe arrebatara, D. Catarina de Áustria (1507-1578), outra irmã do imperador. A acreditar nos retratos, pode ver-se quem ficou a ganhar.


27 março 2014

O "TCHILOLI" DE SÃO TOMÉ (3)


Quem ler a Tragédia do Marquez de Mantua, de Baltasar Dias (não é muito extensa, cerca de quarenta páginas em versos de sete sílabas), percebe que a questão que nela se coloca é a da relação entre poder e justiça. O poder para ser forte terá de ser justo.
O filho do imperador Carlos Magno, D. Carloto, comete um crime, um homicídio, na pessoa do sobrinho do Marquez de Mantua, de nome Valdovinos, com o intuito de se apoderar da viúva, Sybilla.
Provado o crime, devia o imperador esquecer os laços de família e condenar o filho ou, ao contrário, fazer tábua rasa das queixas dos ofendidos e proteger o seu sucessor? Como grande soberano, exerceu cegamente a justiça, e D. Carloto foi degolado.
O que é curioso é que esta peça, levada por senhores de engenho e  dignitários para as ilhas equatoriais, foi sendo subvertida, ao longo dos tempos, pelos naturais que a representavam. A introdução de bastantes passagens apócrifas, subordinadas ao sentimento local, distanciam-na hoje do texto original do poeta madeirense.
A questão que se colocava ao povo santomense antes da independência era a iniquidade do poder colonial, pelo que representar uma peça cujo tema central era o exercício de um poder não iníquo constituía, em certo sentido, uma forma de resistência. Ainda que depois da independência tenha o Tchiloli evoluído, acentuando-se os signos e referências dos valores africanos, desde sempre que só parcialmente  foi  tributário da cultura lusa e europeia. O colonialismo não percebeu isso, parece.
 
Nota: Sobre o nome “Tchiloli”, diz Christian Valbert no seu estudo: “On ne connait pas l’ origine de ce mot”.
 

O "TCHILOLI" DE SÃO TOMÉ (2)


O "TCHILOLI" DE SÃO TOMÉ (1)

Sobre o "Tchiloli" de São Tomé (referido no post anterior da nossa camarada Amélia), veja, quem estiver interessado, este texto: Le Tchiloli de São Tomé. Un exemple de subversion culturelle, de Christian Valbert. Faz parte das actas do colóquio sobre Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Paris, 28 de Novembro a 1 de Dezembro de 1984. Edição do Centro Cultural Português de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian.

26 março 2014

BALTASAR DIAS E O ABECEDÁRIO DA MULHER VIRTUOSA: D de Devota à Virgem; H de Humilde a seu marido; Z de Zelosa da honra

BALTASAR DIAS, poeta cego, oriundo da ilha da Madeira, viveu entre os últimos anos do reinado de D. Manuel e os primeiros do de D. Sebastião, cerca de 1515 a 1560. D. João III outorgou-lhe o privilégio da impressão e venda das folhas volantes com que ganhava a vida, estabelecendo penas para os usurpadores da sua propriedade intelectual.
Mário Cláudio, no romance Oríon, apresenta-o em São Tomé, deslumbrando  colonos e africanos com a representação de autos e tragédias, nomeadamente a Tragédia do Marquez de Mantua e do Emperador Carlos Magno. Ficção pura a passagem do madeirense pelas ilhas do Equador, o que estes romancistas inventam!
A obra de Baltasar Dias divide-se em autos de devoção, tragédia, romances e trovas. Segundo alguns autores, é um continuador da escola de Gil Vicente, um homem do Renascimento com uma concepção ainda medieval da arte.
Tem duas obras satíricas, Malícia das Mulheres e Conselhos para Bem Cazar. É-lhe atribuída uma carta escrita a uma senhora que queria aprender a ler. Reza assim:
 
«Señora:
«Agora me derão hum recado da parte de V.M. em que me pedia lhe mandasse hum ABC, feito de minha mão, que queria aprender, porq se acha triste, quando vê senhoras de sua qualidade, q na Igreja rezão por livros & ella não. (…) V.M. deve (…) deixar o desejo de saber ler, pois já he cazada, & passa de vinte annos de idade. Porem se este conselho não lhe parece bom ou ainda que o he, se não satisfaz por obedecer a seu rogo , fazendo o que me pede, lhe mando aqui com esta hum ABC, que V.M. aprenda de cór, & sabido levemente com ajuda de Deos, aprenderá o mais que lhe for necessário.
«O qual, he que o A quer dizer que seja Amiga de sua caza; & o B, Bem quista da vizinhança; & o C, Caridosa com os pobres; & o D, Devota da Virgem: & o E, Entendida em seu ofício; & o F, Firme na fé; & o G, Guardadeira da fazenda; & o H, Humilde a seu marido; & o I, Inimiga de mixiricos; & o L, Leal; & o M, Mança; & o N, Nobre; & o O, Onesta; & o P, Prudente; & o Q, Quieta; & o R, Regrada; & o S, Sezuda; & o T, Trabalhadora; & o V, Virtuosa; & o X, Xpâa [sic]; & o Z, Zelosa da honra.
«E quando tiver tudo isto anexo a si, que lhe fiquem proprios, crea que sabe mais letras que todos os philosophos. E porque confio em V.M. que os experimentará os achará certo, nam me alargo; mais rogo a nosso Senhor a tenha de sua mão, & a mim me dê graça com que o sirva até o fim.»
 
Obra consultada: BALTASAR DIAS – Autos, Romances e Trovas, Lisboa, IN-CM, 1985

À VOLTA DE "ORÍON"

Parte da oração de Valdovinos, sobrinho do Marquez de Mantua, antes de expirar -- uma pérola:

Salve, Senhora benigna,
madre de misericórdia,
paz da nossa grã discórdia,
dos pecadores mezinha,
vita dulce e concórdia,
spes nostra, a ti invocamos,
salva-nos de escuras trevas,
a ti, Senhora, chamamos
desterrados filhos de Eva,
a ti, Virgem, suspiramos,
a ti gemendo e chorando
em aqueste lacrimoso
vale sem nenhum repouso,
sempre, Virge, a ti chamamos
que és nosso prazer e gozo.

BALTASAR DIAS - Autos, Romances e Trovas, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985, p. 324.

24 março 2014

CRÓNICA DE D. JOÃO II

CAPÍTULO LXVIII
 
Ida dos moços que foram judeus à ilha de São Tomé
 
E no ano de mil quatrocentos e noventa e três, em Torres Vedras, deu el-rei a Álvaro de Caminha a capitania da ilha de São Tomé de juro e herdade; e porque aos judeus castelhanos que em seus reinos dentro do termo limitado não saíram mandou tomar por cativos, segundo a condição da entrada, todos os meninos e moços e moças pequenas que tinham, depois de os mandar tornar todos cristãos, os enviou à dita ilha com o dito Álvaro de Caminha, por tal que sendo apartados terem razão de serem melhores cristãos e haver por isso causa de a ilha ser melhor povoada, como por este respeito o foi em grande crescimento.



23 março 2014

A Senhora de Rocamador

Notre Dame de Rocamadour ou a Virgem Negra. Pode visitar-se no Santuário de Rocamadour na Vallée de la Dordogne, em terras gaulesas.

Isto a propósito de Benjamim

“ …E precisavam os francos que tão luminoso se estendia o arrebol que rodeava o rapaz que os tolheu um misto de respeito e de pânico, igual ao que costumavam experimentar na sua nação em face do rosto sombrio da Senhora de Rocamador…”

In Oríon  de Mário Cláudio

22 março 2014

Ai os pés ...

A rainha de Sabá perante Salomão - Johann Friedrich August Tischbein (1750-1812, Holanda)

"... Se na donzela não fixava eu os olhos, atentava no rasto dos seus pés, marca tão perfeita, tão perfeita que nem a Rainha de Sabá na areia do deserto, e a caminho do palácio de Salomão ..."

Assim fala Abel, a apresentar-nos Perpétua...

in "Oríon" de Mário Cláudio


21 março 2014

A propósito da Primavera, da Poesia e de Oríon

"Alegoria da Primavera", Sandro Boticelli
A primeira namorada, tão alta
que o beijo não alcançava,
o pescoço não alcançava.
nem mesmo a voz a alcançava.
Eram quilómetros de silêncio.

Luzia na janela do sobradão.
"Orion", Carlos Drummond de Andrade

03 março 2014

FALANDO DE "ORÍON"...

Publicado em Ferrara, Itália, no ano de 5313, 1553 da era de Cristo - "Portugal Ano 5253, Quando mandaram os mininos aos lagartos".

A PRÓXIMA LEITURA, para 28 de Março

Abro no último capítulo, e encontro isto:
" Enriquecido com os proventos da sua mercancia, comprara em Lisboa o nosso Jairo uma fiada de casas, corria o ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e dezoito, junto à porta que designam do Corpo Santo. E nas cercanias da sua propriedade passava ele compridas temporadas, transferindo-se a S. Tomé apenas cada biénio, a vigiar qualquer negócio de vulto que se lhe oferecesse. Baixavam-lhe a cabeça os vizinhos, mesteirais de ferro e de latoaria pela sua maior parte, tendo-o por extremado prémio do local. E mudara-se-lhe o estado, isto por efeito das escravas favoritas que sempre o rodeavam, numa perpétua assembleia de bruxas e de onzeneiras, fêmeas que arresolviam quanto cumpria ou não cumpria fazer-se, regaladas pelos doces de tacho e de fornalha que a todo o instante se mandava ir buscar ao mosteiro da Trindade, não longe dali."
Muitas vezes, começo as leituras pelos últimos capítulos.