Carlos Daniel, do Clube de Leitura do
Museu Ferreira de Castro em Sintra, apresenta
o seu romance de ficção histórica, A Morte do Rei de Espanha, na Fnac no próximo dia 15 de
Julho pelas 18h00.
Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
12 julho 2012
09 julho 2012
Do amor e dos seus demónios
“Fedra”, Acto 2 Cena 5, por Anne-Louis
Girodet de Roussy-Trioson (1824)
Fala Fedra:
"Cruel! Ah! Tu bem me entendeste.
Falei bastante claro p’ra que duvidasses;
Ah! Vais conhecer Fedra em todo o seu furor:
Amo. Amo-te. Não penses que neste instante,
Inocente a meus olhos, me aprovo a mim mesma,
Nem que do louco amor que me turva a razão
Cobarde complacência nutra o seu veneno.
Objecto de infortúnio das iras celestes,
Abomino-me mais do tu me detestas.
As minhas testemunhas são Deuses, os Deuses
Que acenderam em mim fogo fatal à estirpe.
Os Deuses que se gabam da cruel vitória
Sobre este coração duma frágil mortal.
Em espírito, tu próprio, recorda o passado.
Não chegava fugir de ti; cruel expulsei-te.
Eu quis que me julgasses odiosa, inumana;
E, p’ra te resistir, teu ódio provoquei.
Afinal, que lucrei, com inúteis cuidados?
Tu odiavas-me mais, eu não te amava menos ….”
In “Fedra” de Jean Racine, Acto 2 Cena 5 (Biblioteca Sudoeste – Transcrição em versos dodecassílabos portugueses, Posfácio e Notas, António Barahona)
05 julho 2012
UMA HISTÓRIA DE VIDA SOB O ARCO GRANDE DA MORTE
Depois do
filme, ontem, no CCB, duas passagens do livro:
Maio
de 1860
Nunc et in
hora mortis nostrae. Amen. A recitação
quotidiana do rosário terminara. Durante meia hora, a voz calma do Príncipe
havia recordado os mistérios gloriosos e dolorosos; durante meia hora, outras
vozes entremeadas haviam tecido um sussurro ondulante em que sobressaíam as
flores de oiro de certas palavras insólitas: amor, virgindade, morte.
Novembro
de 1862
Duma viela transversal, o Príncipe entreviu
a parte ocidental do céu, ao cimo do mar. Lá estava Vénus, envolta no seu
turbante de vapores outonais. Essa era sempre fiel, esperava sempre por ele nas
suas saídas matutinas em Donnafugata, antes das caçadas, agora depois do baile.
D. Fabrício suspirou. Quando se decidiria
ela a marcar-lhe um encontro menos efémero, longe das imundícies e do sangue,
na própria região das certezas perenes?
- Tomasi di
Lampedusa, O Leopardo, tradução de
Rui Cabeçadas, Livros Unibolso. -
04 julho 2012
Fedra, de Jean Racine, Sexta-feira, 27 Julho, às 21h00
De volta aos Clássicos, entramos na tragédia grega com "Fedra".
Face à dificuldade em encontrarmos disponível o livro de Eurípedes, acabámos por optar pelo de Jean Racine.
Boa leitura!
01 julho 2012
O Mário de Carvalho e a Comunidade
Fotos do nosso leitor Helder Maia
Esplêndida a última Sessão.
Mário de Carvalho veio e enriqueceu a nossa tertúlia com a sua simplicidade,
o seu sorriso e até mesmo alguma surpresa. Falámos de vadios, de histórias
reais, dos clássicos. Vieram a lume os projectos que se viram e reviram e não
se sabe como pegar. Falou-se do novo livro que deverá aparecer lá para
Setembro. Falou-se daquilo que é banal e do que é sublime.
Obrigado ao Mário de Carvalho por ter correspondido ao nosso convite e
ajudar a construir a história da nossa Comunidade.
26 junho 2012
25 junho 2012
24 junho 2012
PRÓXIMA SESSÃO, 29 DE JUNHO
"Convém mas é não confundir género humano com Manuel Germano". - O que é que esta máxima de "Casos do Beco das Sardinheiras" tem a ver com a história de "Quando o Diabo Reza"? Pergunte-se ao autor, se for possível.
23 junho 2012
22 junho 2012
Ala para Cuba!
“Um baque. Todas as noites um sobressalto quando as imagens
de Gilbert Roland, de camisa aberta, esvoaçante, lhe sorria, um pouco de lado.
Chegara a altura de apagar a televisão, que agora mostrava relampejos de tiros,
e de ir para a cama.
Ah, se tivesse dinheiro, ala para Cuba. Não a Cuba dos
noticiários, nem a dos turistas, nem sequer a da geografia. Ela queria a Cuba de
Gilbert Roland.”
In “quando o Diabo reza”, de Mário de Carvalho, pág. 34
12 junho 2012
"quando o Diabo reza" de Mário de Carvalho - 29 Junho às 21h00
A abrir
"- Não, o outro.
A bejeca deixou uma fímbria de branco poroso a ferver no lábio de Abreu. O ar de desdém, basófio e curto, derivava agora, nasalado, pela fresta da comissura:
- Alguém mandou olhar?
Dois velhos pasmados a uma mesa de canto, queixos pendidos sobre as chávenas de café. Não era o da boina de xadrez, de beiço torto. Era o de bochechas lassas, e olhos aguados, como um buldogue. ..."
in "quando o Diabo reza" de Mário de Carvalho
27 maio 2012
"O OURO DOS CORCUNDAS" com PAULO MOREIRAS
Uma parte do ouro da sessão
Por inveja (Custódio
Henriques Braz, o “Trombeta”), ódios acumulados (o corregedor miguelista Severo
Azevedo de Castro e Santos) e amores recalcados (a filha do corregedor,
Miquelina), Vicente Maria vê-se envolvido em mil peripécias aventureiras (o
elemento pícaro) cujo desfecho envolve incêndios, estupros, assaltos, mortes,
separações, torturas (o elemento trágico) que gorarão a intenção honesta de
Vicente Maria.
(MIGUEL
REAL, “O pícaro trágico”, JL, 30 de
Novembro a 13 de Dezembro de 2011)
A inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol – OVÍDIO
O invejoso chora mais
o bem alheio que o próprio dano – FRANCISCO DE QUEVEDO
A emulação é a paixão
das almas nobres; a inveja, o suplício das almas vis – JEAN FRANÇOIS
MARMONTEL
A inveja é uma merda –
ADESIVO DE AUTOMÓVEL
(ZUENIR
VENTURA, Inveja – Mal Secreto, Lisboa,
Palavra Letras Tropicais, 2005)
20 maio 2012
A cantadeira
Cant'Arte
“… Mas o ponto mais alto da sua actuação, que o melhor do
pudim estava guardado no último bocado, foi quando a Banza cantou a popular
canção do Negro Melro, famosa naquele tempo:
O ladrão do negro melro
toda a noite assobiou.
lá por essa madrugada
toda a noite assobiou.
lá por essa madrugada
bateu asas, voou …”
In capítulo IX de “O
Ouro dos Corcundas” de Paulo Moreiras
Nem que de propósito, andámos nós ontem à noite às voltas
com o Fado no Museu do dito e eis se não quando nos surge uma cantadeira, no livro que este mês
desbravamos.
14 maio 2012
FRAGAS DE SÃO SIMÃO (Figueiró dos Vinhos)
"Ainda antes, e perante os desventurados factos, Tomásia esboçara a ideia de se suicidar, atirando-se das escarposas alturas das Fragas de São Simão, afogando a sua dor e a sua mágoa naquelas águas de eterno esquecimento e frialdade." ("O Ouro dos Corcundas", cap. XX, p. 169)
Ver em: http://www.praiasfluviais.com/praias2.asp?id_canal=7
--------- Comecei a pensar que...
Ver em: http://www.praiasfluviais.com/praias2.asp?id_canal=7
--------- Comecei a pensar que...
11 maio 2012
CHÃO DE COUCE
Retábulo de Malhoa (1933) na Igreja Matriz de Chão de Couce (Ansião). Representação de Nossa Senhora da Consolação.
10 maio 2012
O TUTILIMÚNDI
Vicente da Bufarda metendo o olho no desbragado tutilimúndi.
Se aos menos desse para ver as carnes da Banza ou os alvos folhos da roupa
interior de Miquelina Violante – mas não, apenas monumentos e paisagens
anódinas do vasto mundo da imperfeição humana. Lisboa e Chão de Couce estavam
muito up to date naquele tempo
desvairado de corcundas e malhados. Porém, cá para mim não há nada que chegue ao Aleph
do Borges, ou a um bom voyeurismo… Cala-te boca, que ainda te mandam para o divã
do psicanalista.
(Livro do mês: Paulo Moreiras, O Ouro dos Corcundas, Alfragide, Casa das Letras, 2011)
(Livro do mês: Paulo Moreiras, O Ouro dos Corcundas, Alfragide, Casa das Letras, 2011)
06 maio 2012
Batalha de Sant'Ana
E foi justamente aqui ...
que no dia 24 de Abril de 1834 se deu a batalha de Sant'Ana, conforme é referida no livro "O ouro dos corcundas"...
"...o tenente Ferreira Cardoso apresentou-se perante o rei e fez o relatório da batalha de Sant'Ana, ocorrida perto de São Bartolomeu de Messines, em plena serra algarvia. Aí, as tropas do brigadeiro Cabreira, coadjuvadas pelas milícias de José Joaquim de Sousa Reis, fiel à causa miguelista e conhecido como o Remexido, fizeram frente e derrotaram a coluna comandada por Bernardo de Sá Nogueira, Visconde de Sá da Bandeira, e os lanceiros ingleses que o acompanhavam."
01 maio 2012
O Ouro dos Corcundas de Paulo Moreiras - 26 de Maio às 16h00
A abrir
"Desde o princípio do mundo que a inveja cega os homens e toma, nas paixões da alma, vaidoso domicílio. "
in "O Ouro dos Corcundas" de Paulo Moreiras
Plano de Leituras 2012
Actualização
2º Trimestre - Autores portugueses contemporâneos
Abril – Espingardas e Música Clássica de Alexandre Pinheiro Torres
Maio – O Ouro dos Corcundas de Paulo Moreiras
Junho – Quando o Diabo Reza de Mário de Carvalho
Frases com sentido (1)
“O mundo é um imenso livro do qual aqueles que
nunca saem de casa lêem apenas uma página”
Santo Agostinho de Hipona
O Helder Maia lembrou-se e por isso cá fica o registo
Santo Agostinho de Hipona
O Helder Maia lembrou-se e por isso cá fica o registo
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