Novelas Eróticas, edição "Seara Nova" de 1935 (ano da morte de Fernando Pessoa), com advertência aos leitores: LEITURA PARA ADULTOS. Fica-se a saber que teve uma tiragem de 300 exemplares FORA DO COMÉRCIO. --- Fotografias obtidas ontem em exemplar de biblioteca pública.
Blogue da Comunidade de Leitores da Biblioteca de S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal
31 maio 2017
30 maio 2017
O SÍTIO DA MULHER MORTA
Uma das novelas eróticas de Manuel Teixeira-Gomes que ontem reli na BN nesta edição preciosa. De um ensaio de Urbano Tavares Rodrigues, respigo a seguinte nota a respeito de outra novela, a "Deus ex machina": « O que nos impressiona desde logo, como aliás sucede com a maior parte das novelas e contos de Teixeira-Gomes, é a desproporção entre a riqueza do discurso e a relativa pobreza da estória (...)» Ora isto fez-me lembrar a nossa leitura de Ronda das Mil Belas em Frol e as apreciações atinentes de algumas leitoras. De qualquer forma, tendo em conta o conjunto da obra, Mário de Carvalho ainda está uns furos acima de Manuel Teixeira-Gomes.
25 maio 2017
PHILÉAS LEBESGUE, POETA E AGRICULTOR
Mais n´est-tu pas toi même un
jet d´eau qui s´irise
Et qui vers l´infini s´élance et
puis se brise?...
Conto "Cordélia", de M. Teixeira-Gomes, epígrafe de Philéas Lebesgue (1869-1958). O poeta francês, que entre 1911 e 1933 esteve por três vezes em Portugal, correspondeu-se com o autor das Novelas Eróticas e ainda com Sá-Carneiro, Teixeira de Pascoaes, Téofilo de Braga e Bernardino Machado. Mais informação aqui: http://www.maisons-ecrivain-picardie.fr/ecrivains-celebres-picardie-biographie-La-maison-de-Phileas-Lebesgue-fr-15.html
09 maio 2017
"Novelas Eróticas" de Manuel Teixeira-Gomes - 2 Junho às 21h00
A abrir o conto sem nome ou chamado apenas "?"
"O meu quarto na hospedaria
Fra Giaccomo em Smirna, era uma gaiola de vidro suspensa sobre o mar, e isso
concorreu muito para que eu aí me demorasse mais do que projectara. Não que o
panorama fosse risonho; bem pelo contrário. A desarmónica imensidade do golfo,
a disposição das esmagadoras montanhas vizinhas, a cidade que não brilha, com o
seu casario escuro apinhado nas encostas, nas alturas recortadas de ameias,
restos de arruinadas fortificações antigas, todo este conjunto formava um
quadro melancólico. E a pretensiosa fachada italiana da cidade (existiria ela ainda?) que levantaram sobre o cais, a semelhança de Messina, era mais um engano
que a ninguém alegrava nem contentava. Depois, a situação moral dos habitantes
(domínio de dez mil turcos sobre trezentos mil italianos, gregos, arménios e
judeus), os receios, os terrores mal disfarçados da população cristã, a qual
dir-se-ia que julgava próxima e inevitável a chacina exterminadora com que os muçulmanos
a ameaçavam, diariamente e sem rebuço, junto a uma profunda crise económica,
alimentavam a atmosfera de tristeza que a paisagem, com os seus inúmeros
ciprestes, por seu turno acentuava..."
in "Novelas Eróticas" de Manuel Teixeira-Gomes
Etiquetas:
"Novelas Eróticas",
Livro do mês,
Manuel Teixeira-Gomes
03 maio 2017
Sessão de Maio, que será em ... Junho!
Caros Amigos
Por razões devidamente justificadas e mais do que válidas, a sessão de 26 de Maio ("Novelas Eróticas" de Manuel Teixeira Gomes) passa para 2 de Junho. Atentai, pois então! E obrigada!
27 abril 2017
SOBRE LITERATURA E LEITURAS
JOSÉ RÉGIO há perto de 90 anos:
Literatura é pura e simplesmente um meio de expressão artística - como a pintura, a escultura, o cinema, a dança, a arquitectura, a música.
O que então inspira a obra de arte - é a paixão; e uma paixão considerada infamante ou uma paixão considerada nobre - podem da mesma forma inspirar Obras elevadas sob o ponto de vista que nos interessa : estético. O ideal do Artista nada tem a ver com o do moralista, do patriota, do crente, ou do cidadão: Quando sejam profundos e quando se tenham moldado a uma certa individualidade, tanto o que se chama um vício como o que se chama uma virtude podem ser igualmente poderosos agentes da criação artística: podem ser elementos de vida duma Obra.
Acuso aqui os nossos críticos de não se interessarem pelas Obras de Arte que pretendem criticar.
E dir-se-ia que eles exigem tudo da literatura - a morigeração dos costumes; a formação do carácter; a solidificação das convenções sociais; o robustecimento da raça; a certificação do dogma da Imaculada; a extirpação da hidra jesuítica; a defesa do feminismo; o progresso da Associação dos Scotes; a propaganda da república, da monarquia, do anarquismo, do socialismo, do bolchevismo, do óleo de rícino, dos pós de Keating, do calçado Atlas, das calças largas, dos milagres de Fátima, ou das predilecções particulares de cada um - tudo, menos o que se deve exigir à literatura, como à pintura, à dança, à escultura, ao cinema, à arquitectura, à música: satisfação à nossa necessidade de emoções estéticas.
24 abril 2017
10 abril 2017
"Ronda das mil belas em frol" de Mário de Carvalho, 28 de Abril às 21h00
A Sinopse diz assim:
"Eis um livro de ficção sobre sexo. Todas as histórias nele contidas narram percalços, espantos e sobressaltos de ligações íntimas entre homens e mulheres. O que se desvenda, o que se oculta. Rasgos perversos. Permanências e rupturas.
Nem sempre se encontra o que se espera, nem se espera o que se encontra. A variedade é avassaladora. A diferença inevitável. Neste jogo de corpos enlaçados, não poucas leitoras ficarão admiradas com certo olhar masculino. Talvez passem a conhecer ainda melhor outras mulheres. E os leitores também não perdem nada em saber o que pode surpreendê-los nas voltas do mundo."
A ver vamos ...
Livro em curso: "Ronda das mil belas em frol" de Mário de Carvalho
Etiquetas:
"Ronda das mil belas em frol",
Livro do mês,
Mário de Carvalho
04 abril 2017
Vamos voltar à Sexta-feira!
Amigos
Como já será do conhecimento da maior parte dos
membros da Comunidade de Leitores de SDRana e face à nova disponibilidade da
nossa Biblioteca, vamos voltar a reunir na última sexta-feira de cada mês entre
as 21h00 e as 23h45.
Assim, as sessões da Comunidade para o segundo
trimestre serão em
Abril, dia 28
Maio, dia 26
Junho, dia 30
01 março 2017
"Quantas Madrugadas Tem a Noite" de Ondjaki - 25 de Março às 15h00
A abrir
"Sabes o que é não sentir o coração e sentir o coração, tud’uma batida só, sangue leve no peito e lágrimas limpas a escorrer? Faz conta foste na pesca, rede e tudo, e em vez do peixe grande meteste a rede na água e te veio uma nuvem? Se é impossível? Eu sei lá, avilo, eu sei lá... Desde candengue que ando então a ver as nuvens dançar nas peles do mar, e me pergunto: assim calminho, liso tipo carapinha com desfrise, o mar não tem as nuvens dele também? De onde eu venho é muito longe, por isso, juro mesmo, nasci de novo. Vou te confessar: espanto é só aquilo que ainda nunca tínhamos vivido com a nossa pele!
Avilo, desculpa tanta filosofia, o que tenho é sede mesmo..."
in "Quantas Madrugadas Tem a Noite" de Ondjaki
Etiquetas:
"Quantas Madrugadas Tem a Noite",
Livro do mês,
Ondjaki
26 fevereiro 2017
PÓS-SESSÃO, ONTEM, NO CCB
«O teu amor quando palpita / verdade seja dita / faz-me atrasar os ponteiros /como a ostra esconde a pérola / aos viveiros.» - Sérgio Godinho cantado por Cristina Branco.
Sessões de autógrafos: a de ontem e a antiga
25 fevereiro 2017
Três dezenas de leitores...
... é o número médio que andamos a registar nas nossas sessões mensais. Hoje marcaram presença 29 leitores. Tendo presente realidades de outras comunidades de leitores, constato que a nossa está bem cimentada, com um grupo coeso e cada vez mais interessado nas leituras propostas. Reunir nesta Biblioteca, uma vez por mês numa tarde de Sábado, 3 dezenas de pessoas que vão pelo prazer de falar sobre um livro (e tudo o mais que daí advém), começa a ser digno de registo. A magia dos livros tem destas coisas!
Hoje, Agualusa levou-nos pelos caminhos da construção de memórias, de passados imaginados tornados reais. Pelo caminho veio Eça, Borges, a lusofonia, o riso das osgas asiáticas e os meandros negros da política, entres outros. Para alguns, com reais vivências africanas, as memórias que vieram à luz, foram emotivamente partilhadas com os demais. Foi mais uma sessão, forte na partilha do conhecimento em que, a diferença das opiniões não divide, mas une e enriquece. Que venha a próxima!
Etiquetas:
"O Vendedor de Passados",
A Comunidade,
José Eduardo Agualusa
17 fevereiro 2017
"O VENDEDOR DE PASSADOS", de José Eduardo Agualusa
--- Transcrevo a introdução de um trabalho
académico feito por este escrevente no ano lectivo de 2007/2008, ano curricular
do mestrado, seminário de Literaturas de Língua Portuguesa:
INTRODUÇÃO
Ao pretendermos estudar o romance O Vendedor de Passados, de José Eduardo
Agualusa, não podemos deixar de ter em consideração a visão dicotómica de Pires
Laranjeira em relação à actualidade literária de Angola:
«No
pós-independência, há na literatura um discurso ideológico do poder e outro do
contra-poder. O discurso do poder procura legitimá-lo pelo poder do enraizamento
e da nacionalidade. O discurso do contra-poder não discute a nacionalidade, mas
pode discutir o modo como ela se legitimou, recuando às origens. Ou pode
simplesmente silenciá~la, enquanto tema, ou secundarizá-la.»
José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo
(Nova Lisboa na toponímia colonial) em 1960 e é considerado um escritor da
diáspora. De facto, já residiu em Olinda, Brasil, país aonde se desloca com
frequência e onde desenvolve, ao que julgamos saber, projectos editoriais.
Estanciou em Berlim, onde escreveu, ao abrigo de uma bolsa de criação literária
da Deutscher Akademischer Austausschdienst, o romance O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (2002). Reside actualmente em Lisboa.
Perpassa pela sua obra, logo desde o primeiro
romance, A Conjura (1989), e, em
especial , em Nacão Crioula (1998) -
onde se revela a “correspondência secreta” de Fradique Mendes e a surpreendente
adaptação daquela personagem queirosiana ao mundo tropical – a afirmação dos
valores da miscigenação, não apenas rácica mas, sobretudo, cultural, o que o
leva a desenvolver um projecto literário onde já se apontaram indícios das
teorias luso-tropicalistas de Gilberto Freyre ou, no mínimo, as marcas da
crioulidade que Mário António Fernandes sustentou na sua produção ensaística.
Pesará nesta inclinação intelectual a origem do
escritor, nascido em Angola mas filho de pai com raízes portuguesas e de mãe
com ascendência brasileira. A própria repartição espacial da sua vida e as
iniciativas que desenvolve no triângulo Angola-Portugal-Brasil, contribuem para
a imagem de um escritor dividido pelos espaços da lusofonia, essa comunidade de
falantes em que os Portugueses tendem a ver o que sobrou dos estilhaços do
Império e que Eduardo Lourenço já
apresentou como uma miragem cultural ou a imagem actual do nosso mapa
cor-de-rosa. É, de resto, esse território mítico desfeito pelo ultimato inglês
de 1890 que, de certa forma, surge no seu último livro, As Mulheres de Meu Pai, uma viagem de Angola à contracosta,
realizada desta feita pelo litoral africano, de Luanda à Ilha de Moçambique.
Em O
Vendedor de Passados opera-se uma dessacralização da terra natal e da sua
História, tocando-se em complexos
motivos como a invenção da memória ou o vazio dela na emergente nação
angolense. O livro é marcado por uma epígrafe de Jorge Luís Borges e um
narrador que nos atreveríamos a chamar borgiano, embora o modelo não se possa
considerar original.
Assim, o nosso trabalho sobre a obra e o autor
escolhidos, desenvolver-se-á segundo as seguintes linhas temáticas:
1. O mito da nação crioula.
2. Nação angolense e valores identitários.
3. O 27 de Maio de 1977.
4. Queirosianismo e ironia queirosiana.
5. Processos narrativos: as sombras de Jorge Luís
Borges e Lygia Fagundes Teles.
--- Aqui
fica a introdução, há mais 10 páginas. Desculpem qualquer coisinha, ó leitores, que
isto é trabalho de simples escolar. A nota até não foi má.
04 fevereiro 2017
O Berço
"...À noite, no quarto de engomar, a minha criada Gervásia sentou-me no chão, embrulhado num saiote. De quando em quando, rangiam no corredor as botas do João, guarda da alfândega, que andava a defumar com alfazema. A cozinheira trouxe-me uma fatia de pão-de-ló. Adormeci; e logo achei-me a caminhar à beira de um rio claro, onde os choupos, já muito velhos, pareciam ter uma alma e suspiravam; e ao meu lado ia andando um homem nu, com duas chagas nos pés, e duas chagas nas mãos, que era Jesus, Nosso Senhor.
Passados dias, acordaram-me, numa madrugada em que a janela do meu quarto, batida do sol, resplandecia prodigiosamente como um prenúncio de cousa santa. Ao lado da cama, um sujeito, risonho e gordo, fazia-me cócegas nos pés com ternura e chamava-me brejeirote. A Gervásia disse-me que era o Senhor Matias, que me ia levar para muito longe, para casa da tia Patrocínio; e o Senhor Matias, com a sua pitada suspensa, olhava espantado para as meias rotas que me calçara a Gervásia. Embrulharam-me no xale-manta cinzento do papá; o João, guarda da alfândega, trouxe-me ao colo até à porta da rua, onde estava uma liteira com cortinas de oleado..."
in "A Relíquia" de Eça de Queirós
"...O mulato Fausto Bendito Ventura, alfarrabista, filho e neto de alfarrabistas, encontrou numa manhã de domingo um caixote à porta de casa. Lá dentro, estendido sobre vários exemplares d’ A Relíquia de Eça de Queirós, estava uma criaturinha nua, muito magra e deslavada, com um cabelo de espuma incandescente, e um límpido sorriso de triunfo. Viúvo, sem filhos, o alfarrabista recolheu o menino, criou-o e educou-o, seguro de que um desígnio superior armara a improvável trama. Guardou o caixote, bem como os respectivos livros. O albino falou-me disto com orgulho: – Eça foi o meu primeiro berço. ..."
in "O Vendedor de Passados" de José Eduardo Augualusa
01 fevereiro 2017
“O Vendedor de Passados” de José Eduardo Agualusa, 25 de Fevereiro às 15h00
A abrir:
“Nasci nesta casa e criei-me nela. Nunca saí. Ao entardecer encosto o
corpo contra o cristal das janelas e contemplo o céu. Gosto de ver as labaredas
altas, as nuvens a galope, e sobre elas os anjos, legiões deles, sacudindo as
fagulhas dos cabelos, agitando as largas asas em chamas. É um espectáculo
sempre idêntico. Todas as tardes, porém, venho até aqui e divirto-me e comovo-me como se o visse pela primeira
vez. A semana passada Félix Ventura chegou mais cedo e surpreendeu-me a rir
enquanto lá fora, no azul revolto, uma nuvem enorme corria em círculos, como um
cão, tentando apagar o fogo que lhe abrasava a cauda.
– Ai, não posso crer! Tu ris?!
Irritou-me o assombro da criatura. Senti medo mas não movi um músculo.
O albino tirou os óculos escuros, guardou-os no bolso interior do casaco,
despiu o casaco, lentamente, melancolicamente, e pendurou-o com cuidado nas
costas de uma cadeira. Escolheu um disco de vinil e colocou-o no prato do velho gira-discos.
“Acalanto para um Rio”, de Dora, a Cigarra, cantora brasileira que, suponho,
conheceu alguma notoriedade nos anos setenta. Suponho isto a julgar pela capa
do disco. É o desenho de uma mulher em biquíni, negra, bonita, com umas largas
asas de borboleta presas às costas. “Dora, a Cigarra – Acalanto para um Rio – O Grande Sucesso do
Momento”. A voz dela arde no ar. Nas últimas semanas tem sido esta a banda
sonora do crepúsculo…”
“O Vendedor de Passados”
de José Eduardo Agualusa
Etiquetas:
"O Vendedor de Passados",
José Eduardo Agualusa,
Livro do mês
25 janeiro 2017
PALAVRAS PARA QUE VOS QUERO
A propósito de Luuanda e do papagaio Jacó, vede isto, ó leitores, publicado pelo escrevente há 11 anos, era ainda uma criança:
http://sonhocomandavida.blogspot.pt/search?q=Jac%C3%B3
http://sonhocomandavida.blogspot.pt/search?q=Jac%C3%B3
03 janeiro 2017
"Luuanda" de José Luandino Vieira - 28 de Janeiro às 15h00
A abrir
Tinha mais de dois meses a chuva não caía. Por todos os lados do musseque, os pequenos filhos do capim de novembro estavam vestidos com pele de poeira vermelha espalhada pelos ventos dos jipes das patrulhas zunindo no meio de ruas e becos, de cubatas arrumadas à toa. Assim, quando vavó adiantou sentir esses calores muito quentes e os ventos a não querer mais soprar como antigamente, os vizinhos ouviram-lhe resmungar talvez nem dois dias iam passar sem a chuva sair. Ora a manhã desse dia nasceu com as nuvens brancas — mangonheiras no princípio; negras e malucas depois — a trepar em cima do musseque. E toda a gente deu razão em vavó Xíxi: ela tinha avisado, antes de sair embora na Baixa, a água ia vir mesmo.
A chuva saiu duas vezes, nessa manhã.
in Luuanda de José Luandino Vieira
Etiquetas:
José Luandino Vieira,
Livro do mês,
Luuanda
21 dezembro 2016
É tempo de Balanço ....
12 meses, 12 livros e tanto, mas tanto mais…
Em Janeiro reunimos no restaurante "Flor do Bairro", fruto da alteração do dia e hora das nossas sessões. Tivemos que deixar o intimismo das sessões nocturnas de sexta-feira, numa das salas repletas de livros da biblioteca e passar para os sábados à tarde na sala multiusos, com a “nudez e frieza” que lhe está associada. Perdemos com a troca e ainda não estamos totalmente habituados ao novo espaço. Afinal foram 10 anos ombro a ombro com aquilo que de mais precioso nos leva ali: os livros!
No primeiro trimestre do ano chegou o ciclo “Neo-realismo na Literatura Portuguesa” e claro que não podiam faltar “Gaibéus”, de Alves Redol, “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes e “Casa na Duna”, de Carlos de Oliveira. Imbuídos do espírito, não deixámos passar a oportunidade e rumámos a Vila Franca de Xira e Alhandra à procura dos “filhos dos homens que nunca foram meninos”…
Para o segundo trimestre decidimo-nos pela “Literatura de Expressão Anglófona “ e dissecámos nos 3 meses “O Adeus às Armas”, de Ernest Hemingway, “Boneca de Luxo”, de Truman Capote e “O Fio da Navalha" de Somerset Maugham.
Foi também um período intenso de actividades. Em Abril (e num dia de anos especial), fomos comemorar Eça de Queiroz e o 141º aniversário da publicação de O Crime do Padre Amaro, numa expedição a Leiria em torno de “A Rota d´O Crime”, alusiva ao entrecho do conhecido romance.
Entretanto, alguns dos nossos marcaram presença em duas sessões do ciclo de conversas “O escritor no seu labirinto”, na nossa Biblioteca, em Maio com Mário Carvalho e em Julho com Mário Zambujal.
Junho foi um daqueles meses que fica para a história da Comunidade: aconteceu a tão desejada visita a La Mancha. Cervantes, El Greco, D. Quixote e Sancho, tornaram-se finalmente realidade para os membros desta comunidade que há cerca de 2 anos, andam na demanda das aventuras do Cavaleiro da “triste figura”.
Com o Verão
chegaram os Russos (“Lolita”, de Vladimir Nabokov, “Margarita e o Mestre”, de
Mikhail Bulgakov e “A Morte de Ivan Ilitch”, de Leon Tolstoi), as altas
temperaturas e também muita animação. Começámos com uma extraordinária “viagem”
no Convento de Cristo em Tomar, com direito a cânticos à capela, teatro ambulante
e ceia medieval; “Reviver o passado em Almada”, levou o grupo à
margem sul numa digressão saudosista mas também renovadora; o habitual
“Concerto de Órgãos” no Convento de Mafra (este ano excepcionalmente bom!); um
memorável passeio pelas memórias citadinas da Paula, que nos levou do Martim
Moniz à Graça; um programa nocturno no museu da cidade, com uma sessão de cinema
ao ar livre “Les amants du pont neuf”, onde a bela Binoche não desiludiu, pese
embora o “disfarce” da personagem. A encerrar o Verão, vieram os fabulosos
concertos das sinfonias de Beethoven, no Terreiro do Paço. A música clássica
mesmo ali ao alcance dos dedos.
Para o último trimestre do ano guardámos os Brasileiros (“Budapeste”, de Chico Buarque, “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos e “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector) e terminámos com o já habitual jantar de convívio natalício, como manda a tradição.
Pelo meio aconteceram tantas
outras coisas. O Teatro de S. Carlos já é praticamente uma tradição anual, com
o seu fabuloso “Festival ao Largo”, a ganhar cada vez mais adeptos. Em Lisboa,
muitos foram os pretextos que nos levaram à descoberta da cidade, não só pelas
caminhadas no coração dos seus bairros, mas também na adesão às muitas
iniciativas culturais que ali acontecem. Os moinhos de maré de Corroios e
Seixal e a margem sul têm sido também um pólo de atracção para os membros desta
Comunidade, com várias visitas realizadas.
Festas Felizes caros Leitores!
“Tríptico de la Adoración de los Magos” - El Bosco, Hacia 1494. Grisalla, Museu do Prado
12 dezembro 2016
Loreley ...
Ilustração encontrada na net
" ... - Não estou certo de você não sabe. É uma pena que seu apelido seja Lóri, porque seu nome Loreley é mais bonito.Sabe quem era Loreley?
- Era alguém?
- Loreley é o nome de um personagem lendário do folclore alemão, cantado num belíssimo poema de Heine. A lenda diz que Loreley seduzia os pescadores com seus cânticos e eles terminavam morrendo no fundo do mar, já não me lembro mais de detalhes ..."
in "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector.
Fiquei curiosa sobre o poema e procurei-o na internet. Em Português, encontrei apenas esta tradução de um blogger brasileiro, R. S. Kahlmeyer-Mertens.
Eu não sei o sentido
De tristeza tão assaz
Por um conto de tempo ido
Que significado a mim não traz.
O ar fresco e profundo,
O Reno manso a fluir;
Das montanhas cintila o cimo;
Da tarde de sol, o luzir.
A mais bela moça sentada
Em maravilhoso lugar,
Seu cabelo dourado penteia,
Com o ouro dos adornos a lampejar.
Ela alisa louras cãs caídas aos ombros
E canta uma canção que alicia;
Há um assombro
Em sua poderosa melodia.
O navegante no pequeno navio,
Capturado por selvagem dor,
Não divisa o recife rochoso,
Só visa à face superior.
Creio, as ondas hão de arrastar
Ao fundo, navegante e barco
Eis o que, com seu cantar,
Loreley leva a ato.
06 dezembro 2016
Plano de leituras 2017
The House Maid, Paxton, William McGregor 1910
SAGRADA ESPERANÇA (Literatura angolana) JAN-MAR
28
Jan - “Luuanda”, de Luandino Vieira
25
Fev - “O Vendedor de Passados”, de José Eduardo Agualusa
25
Mar - “Quantas Madrugadas Tem a Noite”, de Ondjaki
EROS
PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE ABRIL-JUN
29
Abr - “Ronda das Mil Belas em Frol”, de Mário de Carvalho
27
Mai - “Novelas Eróticas”, de Manuel Teixeira-Gomes
24
Jun - “Elogio da Madrasta”, de Mário Vargas Llosa
CONTEMPORÂNEOS
PORTUGUESES JUL-SET
29
Jul - “Cântico Final”, de Vergílio Ferreira
26
Ago - “O Meu Mundo Não é Deste Reino”, de João de Melo
30
Set - “Adoecer”, de Hélia Correia
ELEMENTAR,
MEU CARO WATSON (policial) OUT-DEZ
28
Out - “Aventuras de Sherlock Holmes”, de Arthur Connan Doyle
25
Nov - “Um Crime Capital”, de Francisco José Viegas
30
Dez – “Maigret nas Termas”, de George Simenon
Subscrever:
Mensagens (Atom)





























