20 maio 2015

E AGORA, UMA COISA COMPLETAMENTE DIFERENTE!

Quem, de entre os participantes da aventura por Alfama, na senda de A História do Cerco de Lisboa, não se lembra do café-bazar ZAZOU? Recordo que foi uma pausa agradável; que quase tomámos posse do espaço. Espaço que parecia feito à medida de alguma futura tertúlia... (não estou certa, mas julgo que o D. Quixote veio depois...).
O que acontece é que uma amiga nossa, artista plástica de renome, Júlia Ventura, tomou conta do negócio (o nome agora é Houria), que pretende rentabilizar como local de encontro, num registo mais solto, ainda a auscultar a procura, oferecendo sobretudo um ambiente de bar/ café acolhedor, com um recanto oriental...mas cheio de caráter. Claro que me lembrei logo de NÓS!
Aberto desde o dia 15 deste mês, temos mais um espaço alternativo para o que der e vier (também para uns copos, para quem quiser! E vem aí o Sto António!).



                              Café - Bazar Houria, Calçada do Correio Velho, nº 7, Lisboa

19 maio 2015

E VENHAM MAIS DOIS

A Humilhação na Comunidade de Leitores da Biblioteca Casa da Horta (Cascais), 21 de Maio às 18:30. O Instinto Supremo apresentado por Sérgio Luís de Carvalho em mais uma sessão comemorativa de "Ler Ferreira de Castro 40 anos despois": 22 de Maio às 19:00 no MU.SA, Sintra. Com tudo isto a ronda da noite segue em marcha lenta.

15 maio 2015

A companhia militar do capitão Frans Banning Cocq e o tenente Willem van Ruytenburg

No ano passado, encontrei o capitão Frans Banning Cocq e o tenente Willem van Ruytenburg, em Amesterdão.
Convidei-os para a nossa sessão de leitura de maio.
A resposta foi "nim", coisas de holandeses.
Eu tentei, bem podem ver...


09 maio 2015

"A Ronda da Noite" de Agustina Bessa Luís, 29 de Maio-20h30


Maio é mês de rondas nocturnas. Pela pena  de Agustina, inspirada no pincel de Rembrandt, acompanhamos a vida de Martinho Nabasco e a sua perpétua ronda da noite (como diz a Paula aqui mais abaixo)...

04 maio 2015

DO RETRATO DO AUTOR E DA SUA BEM AMADA

Momentos que se fixam no decorrer dos tempos curtos: o autor e sua amada
Rembrandt, esboço, 1633

Saskia van Uylenburgh (1612-1642), esboço «A minha noiva de três dias » ,1630

Saskia como Flora-1635
Rembrandt, 1634

Rembrandt, 1640


Saskia com uma flor vermelha, 1641





Saskia , 1635






Rembrandt 1661
Rembrandt , 1643










AINDA A RONDA DA NOITE-retratos de grupo antes do retrato

O livro, por falta de intencional objectividade, é sinuoso. Assim é também a vida, afirmaria certamente a autora. Não é uma narrativa com princípio , meio e fim, mas uma história relativamente mal contada, constantemente a retomar inícios, cheia de inesperados , tiradas surpreendentes, voltas absurdas a raiar ora o ridículo, ora o trágico, onde os protagonistas,  não têm protagonismo, controlados por uma natureza de origem misteriosa, pelo legado familiar e social, pelas contingências históricas e sabe-se lá mais o quê.
Assim vive Martinho Nabasco, numa perpétua ronda da noite, em que os feixes luminosos são as mulheres da sua vida, a avó, Maria Rosa, a mãe , Paula, Judite,a mulher e finalmente Josefa,a empregada, que num ímpeto de asseio e despeito supremo, suprime as incógnitas da vida e da tela.

Para mim o mais interessante continua a ser o imponente quadro de Rembrandt, mestre holandês do barroco, que dá o mote e se integra no livro como chave que o desvenda(?): a obra é uma preparação para algo que virá, pleno de vida, de inexactidão, sombras do «chiaroscuro», de personagens que se preparam para um desfecho que virá ou não, de tenentes que se sobrepõem ao capitão, do feixe de luz que é a menina de vestido dourado, com as feições de Saskia, a amada esposa do pintor, falecida pouco antes da composição, que se desloca apressada para o lado oposto da tela, num fluir de vida, com os símbolos da companhia dos arcabuzeiros.Atrás, mal se vislumbrando, em bicos de pés, vendo-se apenas um olho e um boné, está o pintor.



Numa encenação tão cara à teatralidade barroca, a obra parece retratar os bastidores em preparação para a pose , esse último fremir antes do retrato final, solução controversa, em comparação com a sofisticada , mas «preparada »composição de Franz Hals, sua vizinha no Rijksmusem. Retrato para a posteridade das poderosas associações profissionais dos Países Baixos, primeira sociedade burguesa, onde se impõe o indivíduo pelo seu mérito, e como tal se glorifica, mesmo num retrato em conjunto de dirigentes de uma corporação ou membros de uma milícia cívica.

The Meagre Company, or The company of Captain Reinier Reael and Lieutenant Cornelis Michielsz Blaeuw (Amesterdão) , Franz Hals, 1633-37


Os síndicos da guilda dos fabricantes de tecidos, Rembrandt, 1662
Oficiais e sargentos da Guarda Cívica de Santo Adrianao, Harlem.Franz Hals, 1633


Lição de anatomia do Dr. Tulp, Rembrandt, 1633


Rembrandt dá-nos um momento de vida, assim como Velazquez nas «Meninas» (1656-57), um breve momento numa pose para a posteridade, no momento que antecede a composição ou durante a sua execução. Afinal o que é a vida, senão isso ?







Reprodução com indicações sobre os protagonistas do quadro:
http://edition.cnn.com/2013/04/11/world/europe/rijksmuseum-rembrandt-nightwatch-interactive/#index

Explicação sobre «A Ronda da Noite», inglês:
https://youtu.be/N9jj74aOr_Q

Sobre o livro: uma opinião-http://comunidade.sol.pt/blogs/cmilhazes/archive/2007/03/16/_2200_A-Ronda-da-Noite_2200_-de-Agustina-Bessa_2D00_Lu_ED00_s.aspx


"A RONDA DA NOITE"


Até ao fim somos amantes uns dos outros” – se não estou em erro, uma frase do livro de Agustina.
Aproveito para publicar umas fotos tiradas por um amigo meu no Rijksmuseum. E já agora, não se esqueçam da pintura portuguesa. Também temos por cá, na devida escala, os nossos Rijks, Louvre, Orsay, etc.
 
 

29 abril 2015

A RONDA DA NOITE, Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida, 15 de julho de 1606 — Amsterdam, 4 de outubro de 1669


De Nachtwacht, 1640-42 
 A companhia militar do capitão Frans Banning Cocq e o tenente Willem van Ruytenburg, segundo a inscrição que foi encontrada num esboço preparatório.
Para ver em tamanho grande:http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Ronda_Noturna#/media/File:The_Nightwatch_by_Rembrandt.jpg

Documentário "Agustina Bessa-Luís - Nasci Adulta e Morrerei Criança"

Proposta interessante para conhecermos Agustina, mulher irreverente, inusitada,inesperada, com humor, uma frescura infantil, resquícios de «grande dame» e o seu feitiozinho: aquela «mulher terrível» que queria atirar pedras às janelas de Torga, que discutia as adaptações dos seus textos com Manuel de Oliveira e não gostava dos filmes dele por versarem o amor, que procurou marido pelo jornal e encontrou-o para sempre e para lhe dactilografar as obras.

A sessão de Abril


Com o mês de Abril a chegar ao fim, mas ainda sob o efeito dos nossos amigos franceses, marinheiros e republicanos, fica um registo da nossa sessão da passada sexta-feira, enriquecida pela simpática presença da Filomena Marona Beja. Gostámos da sua escrita e ficámos cheios de vontade de partir à descoberta de outros livros seus.
Em destaque também, os cravos vermelhos com que que a nossa leitora Bia embelezou a mesa. Que nunca nos faltem os cravos!

28 abril 2015

ADIVINHA

Qual dos nossos leitores realizou esta extraordinária pega de caras, no passado domingo, em Vila Franca de Xira, mesmo ao pé da casa onde nasceu Alves Redol? Pelos leitores que acertarem será sorteado um exemplar raríssimo do romance "A Ronda da Noite", de Agustina Bessa-Luís (oferta condicionada à possibilidade de se encontrar, em algum alfarrabista, o dito exemplar).

27 abril 2015

VILA FRANCA

«Já saudamos Alhandra, a toireira; Vila Franca, a que foi de Xira, e depois da restauração, e depois outra vez de Xira, quando a tal restauração caiu, como a todas as restaurações sempre sucede e há de suceder, em ódio e execração tal que nem uma pobre vila a quis como sobrenome.»

ALMEIDA GARRETT, Capítulo I das Viagens

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Ontem, em Vila Franca de Xira, alguns dos nossos no Museu do Neo-Realismo, no auditório da Biblioteca Municipal com o Trio Vocalise e na CartoonXira:

07 abril 2015

"Franceses, Marinheiros e Republicanos" de Filomena Marona Beja - 24 Abril, 20h30

A abrir:

"Margarida.
E a casa. Térrea, telhado de duas águas, paredes em tufo.
Fora casa de rendeiros. Apetecida pelo forno adossado à empena e encoberto por uma caniçada.
Não havia registo nem memória de ter sido construída.
Talvez no tempo do Marquês de Pombal.
Talvez..."

in "Franceses, Marinheiros e Republicanos" de Filomena Marona Beja


Gosto deste género de escrita. Parágrafos curtos. Por vezes uma só palavra e muito oxigénio à mistura. Vou então lançar-me na leitura ...

19 março 2015

SEM TÍTULO

AS NOSSAS LEITORAS que façam uma pausa no Varguitas (livro que, por boas razões, ainda nem comecei a ler) para apreciarem esta bela figura de homem que eu respiguei de um exemplar de 1933 da revista Cinéfilo. Manoel de Oliveira, como é sabido, fez de "jeune premier" no celebradíssimo A Canção de Lisboa, de Cottinelli Telmo, um arquitecto que, além de outras coisas, sabia fazer filmes. Enfronhado que tenho andado na investigação destas matérias, talvez nem chegue a ler o livro para a sessão de dia 27. Lá terei de figurar, então, na coluna negra da impiedosa estatística daquela nossa querida amiga... Paciência, se não puder falar do livro programado, falo de Elogio da Madrasta, do mesmo autor, uma obra muito mais educativa.

18 março 2015

Simplesmente Maria


Tesourinhos deprimentes, extraídos da internet: quem se lembra da rádio novela "Simplesmente Maria"? 

Simplesmente Maria era um folhetim que passou na Rádio Renascença, ao longo de 500 episódios (ena tantos...), entre Março de 1973 e Novembro de 1974, transpondo, por isso, o tempo da Revolução do 25 de Abril de 1974. 

Cada episódio ia para o ar depois do almoço, entre as 13:30 e 14:30 horas, mais coisa menos coisa.
A história deste folhetim radiofónico, uma espécie de telenovela sonora, girava à volta de amores e desamores da figura central, uma jovem criada chamada Maria.
Era uma história de "faca e alguidar", muito característica das novelas mexicanas.
Certo é que folhetim prendeu literalmente a atenção de milhares e milhares de portugueses (mulheres em particular) durante quase dois anos. Após o almoço, as mulheres da altura, quase todas domésticas, ficavam de ouvido colado ao aparelho de rádio e lenço na mão para enxugar as lágrimas. Era uma hora "solene" tudo parava para não se perder pitada dos diálogos e discussões da Maria com o Alberto, o Tony, filha da Maria, do Estevão e todos os outros. Só visto...ou melhor...só ouvido. Depois, eram as conversas à volta do assunto, as opiniões e os palpites quanto ao rumo da história. Situação parecida, só se verificaria uns poucos anos mais tarde (1977) com a telenovela brasileira "Gabriela", a primeira a passar na RTP.

A popularidade era tal que, a par da versão radiofónica, era publicada semanalmente a versão em revista, a chamada fotonovela, com edição a cores, que se tornou assim muito popular, rivalizando com as famosas fotonovelas da Corin Tellado que nessa época eram devoradas pelas mulheres portuguesas.

03 março 2015

"A Tia Julia e o Escrevedor", de Mário Vargas Llosa, 27 Março, 21h00


"A Julia Urquidi Illanes a quem tanto devemos eu e este romance" - dedicatória do autor

A abrir:

"Nesse tempo remoto, eu era muito jovem e vivia com os meus avós numa quinta de paredes brancas da Rua Ocharán, em Miraflores. Estudava em San Marcos, Direito, creio, resignado a mais tarde ganhar a vida com uma profissão liberal, ainda que, no fundo, tivesse gostado mais de chegar a ser um escritor. Tinha um trabalho de título pomposo, salário modesto, apropriações ilícitas e horário elástico: director de Informação da Rádio Pan-americana. Consistia em recortar as notícias interessantes que apareciam nos jornais e maquilhá-las um pouco para que fossem lidas nos noticiários. A redacção, sob as minhas ordens, era um rapaz de cabelo empastado e amante de catástrofes chamado Pascual. Havia noticiários de hora a hora, de um minuto cada, excepto os do meio-dia e das nove, que eram de quinze, mas nós preparávamos vários ao mesmo tempo, de modo que eu andava muito na rua, a tomar cafezinhos na Colmena, às vezes ia às aulas, ou então estava nos escritórios da Rádio Central, mais animados que os do meu trabalho..."

in "A Tia Julia e o Escrevedor" de Mário Vargas Llosa

CLUBE DE LEITURA DO MUSEU FERREIRA DE CASTRO

Esta a leitura de sexta-feira 6, 18 horas, no Museu Ferreira de Castro. Capa de Carlos César Vasconcelos sobre fragmento de La débacle (1892), de Theodore Robinson.

25 fevereiro 2015

CARAVANÇARAI bis bis


As nossas leitoras versadas em Garrett, Santarém, Joaninha, Carlos & Cª Lda. que recordem o capítulo XXXII das “Viagens”, de como o protagonista, barão a haver, adormeceu num caravançarai e acordou na beatitude de uma cela do Convento de S. Francisco.
«Quando acordou já se não viu no vasto caravançarai daquele confuso hospital, mas num pequeno quarto arejado, limpo, quase confortável que em tudo parecia cela de convento, menos na boa cama em que jazia o doente, e na extremada elegância do enfermeiro que o velava.»

No capítulo II já havia ficado a seguinte passagem:

«Estamos em Vila Nova e às portas do nojento caravançarai, único asilo do viajante nesta, hoje, a mais frequentada das estradas do reino.»
Para o Garrett, como se vê, isto de caravançarais era manjar de pequeno-almoço.
Entretanto, aproveito para divulgar o "SONETO DO CARAVANÇARAI" de um poeta de Porto Alegre, cidade onde já dormi umas proveitosas noites, por acaso em nenhum caravançarai mas num hotel de quatro estrelas longe das rotas das caravanas:
«Mais do que um porto, ó minha donzela, / O teu seio é um caravançarai / Onde rebrilha a mais tranquila estrela.»
Muito bonito. Não consigo imaginar como seria o seio da donzela.
SONETO DO CARAVANÇARAI
Eu sou poeta, e tenho em meu ofício
O leve fardo de cantar em verso
O amor sereno que há nesse universo
Sem que se faça dessas letras vício.

Por isso canto, e há nesse bulício
O suave toque que me tem converso;
Fico a teus pés, mas sem orgulho, imerso
Pois que senão seria um só suplício...

Mais do que um porto, ó minha donzela,
O teu seio é um caravançarai
Onde rebrilha a mais tranqüila estrela

Que mansa, quando a caravana vai,
Um doce brilho em teu olhar revela:
Renasce o amor e enfim a noite cai.
© FRANCISCO SETTINERI
In poesiaportoalegria (blog)
Link: http://goo.gl/I1cjS

NA JORDÂNIA, A 300 Km DO IRAQUE...

Eis então um Caravançarai do deserto, como uma fortaleza e que foi em tempos local de paragem, abrigo, repouso; local de encontro, de trocas de mercadorias e de ideias, muito mais que uma simples estalagem ocidental.