23 maio 2016

CICLO DE ENCONTROS COM ESCRITORES - NO EL CORTE INGLÉS

CARLOS QUERIDO com o livro Príncipe Perfeito - Rei Pelicano, Coruja e Falcão. 31 de Maio, terça-feira, às 19,00 horas, no restaurante do "El Corte Inglês", piso 7.
Evento facebook:

17 maio 2016

"Breakfast at Tiffany's"* de Truman Capote - 28 de Maio às 15h00


*Título em inglês no original 

Vamos lá então à história de Holly Golighly, personagem eternamente associada à maravilhosa Audrey Hepburn.


08 maio 2016

01 maio 2016

"O ADEUS ÀS ARMAS"

Dois desenhos do nosso novo companheiro MIGUEL REBELO oferecidos à Comunidade. E a discussão continuou depois da sessão. Se o subtítulo "O absurdo" poderia adequar-se ao romance, se estávamos perante um livro em forma de "Pentateuco", se as verdes colinas de África já se mostravam naquele tempo em Itália, se era uma história de amor ou um hino condenatório da guerra... Lá dizia o José Afonso "que não há só gaivotas em terra / quando um homem se põe a pensar". Neste caso, foram vários homens e uma mulher. Obrigado ao Miguel Rebelo e a todos.

28 abril 2016

STRESA e ISOLA BELLA

«Mas com Catherine quase não havia diferença entre ser noite ou ser dia, senão que a noite era ainda melhor.»
 

19 abril 2016

Amadeo de Souza Cardoso


Amadeo de Souza Cardoso, “A Casa de Manhufe”, 1913


Para quem não puder ir até Paris...
O artista na RTP 1, amanhã, 20 de Abril às 20h59, logo depois do jornal da noite.
Há coisas que valem a pena. E certamente esta será uma delas.
Mais informação aqui!

PS: Para alguns trará também a recordação de uma viagem memorável!

10 abril 2016

"O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway - 30 de Abril às 15h00


Não a abrir, mas a fechar:

"... Mas depois de as ter posto fora do quarto, de ter fechado a porta e apagado a luz, vi que era inútil. Era como dizer adeus a uma estátua. Passado um momento saí, deixei o hospital e voltei ao hotel debaixo de chuva."

In "O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway

Para chegar aqui, tenho que recuar 335 páginas no meu livro. Recuemos então ....

17 março 2016

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (2)

Primeiro número da revista Altitude (1939) de que FERNANDO NAMORA foi um dos fundadores e directores, juntamente com CORIOLANO FERREIRA, JOÃO JOSÉ COCHOFEL e JOAQUIM NAMORADO. Publicaram-se somente dois números. De FERNANDO NAMORA há um poema, Pintura, o excerto de um romance a que dava o título Salto Mortal, mas cujo texto veio a ser englobado em Fogo na Noite Escura, e uma "Página Inútil", publicada sob pseudónimo feminino, MARIANA CAMPOS, um pouco ao jeito das notas diarísticas de IRENE LISBOA e NATÁLIA NUNES nos seus começos.
-- Fonte: MÁRIO SACRAMENTO, Fernando Namora, Lisboa, Editora Arcádia - Colecção a Obra e o Homem, s/d.
 

16 março 2016

"Casa na Duna" de Carlos de Oliveira - 2 de Abril às 15h00


A abrir

"Na gândara há aldeolas ermas, esquecidas entre pinhais, no  fim do mundo. Nelas vivem homens semeando e colhendo, quando o estio poupa as espigas e o inverno não desaba em chuva e em lama. Porque então são ramagens torcidas, barrancos, solidão, naquelas terras pobres."

In "Casa na Duna" de Carlos de Oliveira

Amigos, porque o último sábado do mês de Março, está no fim-de-semana Pascal, avançamos excepcionalmente com a nossa sessão de leitura, para o dia 2 de Abril.

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (1)


Elemento decisivo na estruturação do aparelho cultural neo-realista, a imprensa periódica desempenhou um papel pleno de riscos e contrariedades.
Caso assinalável é o da revista Cadernos da Juventude (Coimbra, 1937), cujos exemplares do primeiro e único número (63 páginas) foram apreendidos ainda na tipografia e destruídos pelo fogo em auto-de-fé no pátio do Governo Civil de Coimbra.
Salvaram-se dois exemplares, o que permite conhecer o conteúdo da publicação. Palavras do prefácio: « Para nós, a juventude vale na medida em que possui a consciência da sua universalidade e a noção bem viva da sua posição no mundo como elemento essencial de fecunda transformação.» 
Um artigo assinado por Manuel Filipe, com o título “Considerações sobre a missão do intelectual e o problema da cultura”, centrava-se no ensaio La trahison des clercs, de Julien Benda, discutido naquela altura nos círculos restritos da vida cultural portuguesa. Benda defendia a independência política e a neutralidade partidária dos intelectuais, em desacordo, portanto, com o comprometimento militante dos escritores e artistas do neo-realismo nascente. «A concepção de Benda pretende prolongar, num mundo que já se descobriu contraditório, a memória duma estabilidade primordial à qual o homem teria unicamente de se acomodar», diz-se no artigo. Para os Cadernos, o artista, o escritor, o cientista e o filósofo não podem encerrar-se nas suas "torres de marfim", desvinculados do momento histórico, limitando-se a dizer: "O meu reino não é deste mundo."

--- Fontes: António Pedro Pita, Conflito e Unidade no Neo-Realismo Português e Luís Augusto Costa Dias, A Imprensa Periódica na Génese do Movimento Neo-Realista (1933-45).

11 março 2016

OS CAMINHOS QUE FAZEMOS

Desta feita, entre Lisboa, Vila Franca e Alhandra: com a visita ao  museu do Neo Realismo, pudemos inteirar-nos de factos, figuras e histórias ligadas ao Movimento, algumas delas desconhecidas ou de ligações insuspeitadas. Complementar as leituras de Redol e Pereira Gomes com esclarecimentos de locais, ambientes e contextos, foi, a todos os títulos, uma experiência inolvidável. Mais inolvidável ainda porque estes caminhos que fazemos -- das leituras, reflexão, questionamento, procura e descobertas, de tantas formas -- também estas das visitas, percursos e convívio, tudo isto fazemos em grupo, cultivando, imperceptivelmente, uma harmonia e uma riqueza espiritual que só a amizade concede.
Aqui ficam algumas imagens, para juntar a outras que já tinham sido partilhadas. Obrigada a todos.







26 fevereiro 2016

ALHANDRA (3)

Toponímia, memoração toponímica e imagens obtidas no museu: telhal com esteiros ao fundo (cerca de 1930, aquando da passagem de um zepelim) e amostra de tijolos.
=Fotos de 23 e 24-02-2016= 
 

25 fevereiro 2016

"ESTEIROS" E O CINEMA

Estes os filmes vistos pelos heróis de Esteiros na 3ª parte do romance, PRIMAVERA, capítulo 1. O primeiro, A Dama das Camélias (1937), dirigido por George Cuckor e interpretado por Greta Garbo e Robert Taylor; o segundo, um dos muitos protagonizados por Tim Mc Coy, Bulldog Courage (1935), que em Portugal terá recebido o título de “Cavaleiro sem Medo”.
Muito realista tudo o que é narrado sobre a forma como, naquela época, ocorria o espectáculo. As salas de reprise, tanto de Lisboa como da Província, passavam dois filmes por sessão, e a entrada estava condicionada a certas normas de indumentária. Gineto foi impedido de entrar por não trazer casaco, sendo salvo pela criança raquítica que lhe emprestou o seu. Por outro lado, os mais novos entravam sem pagar se acompanhados de um adulto, e daí os rogos de Cocas aos que iam chegando: «Deixe-me entrar consigo. Deixe.»
Por vezes, a emoção apoderava-se dos espectadores a ponto de confundirem a ficção com a realidade. Saguí, angustiado, gritava na sala: «Cuidado, Macacoy, que o gajo tá na esquina!».
Um capítulo belo e divertido sobre a grande fábrica de sonhos que é o Cinema.

24 fevereiro 2016

ALHANDRA (2)

«Moro numa casa de dois andares de janelas amplas, em que me debruço, horas e horas, a contemplar os horizontes e a resolver os problemas transcendentes do Espírito. Julgo que sou poeta.» --- Abertura de um conto publicado por Soeiro Pereira Gomes em O Diabo, nº 267, 4-11-1939 - Texto recolhido em "Obra Completa", Editorial «Avante!».
 
=Fotos de 23-02-2016=

23 fevereiro 2016

ALHANDRA (1)

 Alhandra e o rio vistos do mirante
A capela de Santa Alcamé - Senhora das Cheias. Margem esquerda do Tejo, na lezíria.
 
=Fotos de 23-02-2016=
 

Alteração das sessões mensais da Comunidade de Leitores!


Como já será do conhecimento de todos, devido a decisões de logística da CM de Cascais, não será possível assegurar na Biblioteca de S. Domingos de Rana, as nossas sessões habituais da última Sexta-feira de cada mês.


Por esse motivo, foi-nos oferecida a alternativa de nos reunirmos no último Sábado de cada mês, na Sala Polivante.

Em consequência, a próxima sessão da Comunidade de Leitores sobre o livro “Esteiros”, será já no dia 27 de Fevereiro, Sábado, às 15h00, na referida Sala Polivante da nossa Biblioteca.

Esperamos poder continuar a contar, com a presença de todos. 

Até lá…

01 fevereiro 2016

"Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes - 27 Fevereiro às 15h00*



"Gineto, Gaitinhas, Malesso, Maquineta, tantos outros, são os operários-meninos dos telhais à beira dos esteiros do Tejo. Sujeitos à dureza do trabalho quando o conseguem arranjar, vadiando ou roubando para comer durante o resto do tempo, apesar de tudo - sonham." 


* Se é na Biblioteca de SDR ou não, logo se vê. O que sabemos é que lá estaremos, seja onde for!

30 janeiro 2016

GAIBÉUS E GAIBÉUAS

A primeira reunião da nossa Comunidade de Leitores teve lugar na biblioteca a 23 de Fevereiro de 2007. Quase há nove anos! E sempre foi assim, em cada última sexta-feira do mês, salvo pontuais alterações determinadas por feriados e pontes. 
Ontem, encontrámo-nos no restaurante “Flor do Bairro” da mui nobre freguesia de São Domingos de Rana. Assim teve de ser. Falámos de Gaibéus, de Alves Redol e do Neo-Realismo (Neorrealismo, segundo o Novo Acordo Ortográfico).
«Não há livro de instruções para salvar a vida; só a Literatura se aproxima desse imenso livro.» – disse Lídia Jorge, em 2014, no festival “Escritaria” de Penafiel. É por isso que não desistimos.  

21 janeiro 2016

IMPUREZA

Quando uma mulher tiver a sua menstruação, ficará impura durante sete dias. Quem tocar nela ficará impuro até à tarde. O lugar em que ela se deitar ou sentar, enquanto está impura, ficará impuro.
 
Levítico, 15,19 -20
 
«Aquele vai deitando o olho às curvas tostadas das pernas das mulheres, descompostas pelo poder dos troncos no lameiro.
Safo de fadigas, belisca-lhes com a vista o capitel das pernas. A saia de baixo de uma delas está rasgada e tem manchas de sangueira pisada.
O capataz afasta a vista e sente ganas de a mandar desferrar.
            – Ora o raio!...
Dá a volta na maracha para se afastar dela, mas o rancho descreve agora uma linha sinuosa, a procurar jeito ao trabalho, e a saia rasgada fica de novo à sua frente.
Já lhe parece que todas as saias de mulheres se rasgaram e têm manchas de sangueira pisada.»
 
Gaibéus, capitulo “Arroz à foice”

19 janeiro 2016

O CULTIVO DO ARROZ

Ao lermos Gaibéus, de Alves Redol, talvez não seja tempo perdido conhecermos o trabalhoso processo do cultivo do arroz. Embora em registo actual, aqui fica este link da Junta de Freguesia de Borda do Campo, concelho de Figueira da Foz. Não é Ribatejo, mas para o efeito serve.
 

18 janeiro 2016

O odor moribundo das espigas ...

 
(imagens da net)

“…Morre no ar o odor das espigas loiras cortadas e das flores crescidas à babugem. Fica o cheiro acre dos corpos molhados pela rudeza da labuta. Como, por toda a lezíria, se agigantam os alugados que se curvam a brandir as foices. Tudo se amesquinha ali junto deles, que têm necessidades de mendigos…”

in "Gaibéus" de Alves Redol

08 janeiro 2016

"Gaibéus" de Alves Redol, 29 de Janeiro, 20h30


Antes do início

“Êste romance não pretende ficar na literatura
como obra de arte.
Quer ser, antes de tudo, um documentário
humano fixado no Ribatejo.
Depois disso, será o que os outros entenderem.”

Depois do fim

"Erratas

As que a revisão deixou passar, o leitor as corrigirá"

Primeiro livro da colecção "Livros Proibidos" do Público

04 janeiro 2016

AINDA A PROPÓSITO DE "A RELÍQUIA"






Enquanto procurava, nas Obras Completas de Ferreira de Castro o volume que contém as novelas A Missão e O Senhor dos Navegantes, deparou-se-me um outro volume, designado Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, que recolhe relatos de viagens, incluindo Egito e Palestina. Na página em que abri o livro, li: "Aproximamo-nos de Jerusalém. Aumentam, nas encostas, os grupos de oliveiras; a paisagem, porém, é cada vez mais árida, mais parda, mais triste." Segue-se a descrição da cidade, primeiro vista de longe, do Monte das Oliveiras, "é um aglomerado negroso, lá ao fundo, com a sua história, a sua lenda, o seu drama humano de ontem, de hoje e de sempre". Depois, "desde as suas velhas muralhas, rasgadas, aqui e além, por imponentes portas, às ruas estreitas e sinuosas, tudo é obscuro, requeimado, ora castanho, ora pardo, ora pardo, ora castanho, ora negro...". A pouca animação de cor é dada, segundo o autor, apenas pelo vestuário dos muçulmanos e turistas que povoam e circulam incessantemente pelas vielas estreitas, encimadas de arcos, onde os carros não cabem, e pelos produtos e artefatos das lojas. Alonga-se um pouco mais F.C. na descrição da cidade, antes de falar do Santo Sepulcro, que "é, naturalmente, o monumento que maior curiosidade levanta no forasteiro, crente ou céptico seja ele." Reconhecemos, então, passo a passo, na descrição, o templo que é composto de múltiplos espaços, articulados uns e completamente desarticulados outros, mas que pulula de vida, entre o fluxo de curiosos, a chusma de peregrinos de todas as nações, que circulam entre o "monte" da crucificação e a capela central do Sepulcro, "sob a grande cúpula". Diz o autor que "não cabem no recinto tumular mais de três pessoas...", o que provoca, tal como hoje, as maiores confusões.
Pensei então: aqui está talvez o tipo de descrição que o Eça não queria fazer, pelo menos na obra que pretendia produzir como uma espécie de homenagem à forte impressão causada por Jerusalém e também pelo Cairo, tal como ele indica ao redator do Diário de Notícias, na resposta ao convite para descrever os eventos da inauguração do Canal: "as festas de Suez estão para mim entre duas recordações--o Cairo e Jerusalém: estão abafadas, escurecidas por estas duas luminosas e poderosas impressões [...] ". Evidentemente, também nos podemos questionar se era A Relíquia a projetada obra... Continuando aquela missiva, diz Eça: "Talvez em breve diga o que é o Cairo e o que é Jerusalém na sua crua e positiva realidade, se Deus consentir que eu escreva o que vi na terra dos seus profetas". As crónicas solicitadas foram publicadas no "Folhetim" das edições do DN de 18 a 21 de janeiro de 1870, como "narração trivial, o relatório chato das festas de Port Said, Ismailia e Suez".
Voltando a Jerusalém e ao texto de F.C., temos uma outra descrição, que me veio avivar a memória e pensar que, naquelas paragens, de forma especial, o que conta sobretudo é a surpresa causada pelo insólito de muitas situações, o inesperado pouco convencional, o que não encaixa em modelos, seja de cidade em si, seja de costumes ou atitudes canónicas. A ideia também de que, apesar das mudanças, alguma coisa permanece sempre, algo de imperscrutável, de indizível. 
O caso particular, referido por F.C. é, já no Monte das Oliveiras, o que na época era designado " Túmulo da Virgem" e de que me recordo como a Igreja da Dormição da Virgem, nome que pode não corresponder à realidade. Foi, para mim, um daqueles sítios inesquecíveis, e deixo-vos aqui passos da descrição feita pelo autor de Pequenos Mundos, como legenda livre das fracas fotografias que tirei na altura e registam a mesma perplexidade, apesar das pequenas diferenças.
"Desce-se e encontra-se, no extremo de um campo de oliveiras, [...] uma velha fachada, com porta em arco. Está aberta sobre negridão interior e exala um cheiro de cera e bafio.[...] A entrada dá para um pequeno patamar e logo começam os degraus, muitos degraus, dezenas de degraus que mergulham na escuridão. [...] cada vez o silêncio é maior e a humidade gela mais.[..] Voltamo-nos e vemos , lá em cima, muito alto, a porta por onde passámos, recortada agora pela luz exterior. [...] Por fim, a escada termina e encontramo-nos numa espécie de cripta lajeada [...]. Ali ardem algumas lâmpadas votivas. Mas a escuridade pode mais do que elas, pois mal se lobrigam os contornos da catacumba. Subitamente, das trevas surge uma figura. É um padre grego. A sua inesperada aparição neste ambiente sepulcral, dá-nos um calafrio; depois, ele conduz-nos a um velho sarcófago. Túmulo de Maria, diz a tradição ser".

Crónicas de Eça de Queirós em forma de carta, publicadas no Diário de Notícias, descrevendo as festas de inauguração do Canal do Suez, que se tinham realizado em 17 de Novembro de 1869 [online] Disponível em  http://www.arqnet.pt/portal/pessoais/eca_suez.html

CASTRO, Ferreira de-  Pequenos Mundos e Velhas Civilizações. Lisboa: Círculo de Leitores, 1986

31 dezembro 2015

Doze meses, doze livros e muitos encontros...

Últimos dias de Dezembro. Chegámos ao fim de mais um ano de leituras, com direito a jantar festivo e uma sessão que vai ficar como uma das nossas relíquias intemporais. Apesar de duas ou três ausências, a quem sentimos a falta, juntar 34 pessoas em torno de um romance do Eça, tão especial como é a A Relíquia, não pode passar sem registo. Os testemunhos de alguns e a sensibilidade de outros, deixaram-nos a todos mais ricos. Afinal é sempre bom quando chegamos "ao final do dia" e aprendemos algo de novo.


Mas não foi só em Dezembro que a magia aconteceu. O ano foi todo ele cheio de momento altos, começando logo a aquecer com o Fahrenheit 451, que para além do livro nos fez também rever o filme (abençoado YT), que nos levou a um passado recente de boas memórias para muitos. Não é um belo paradoxo, amantes de livros a ler algo sobre a queima dos mesmos? Para não perder o ritmo, com Fevereiro chegou Samarcanda e mais uma vez a magia do Oriente invadiu-nos os dias e os sonhos. Quem é que não gostaria de viajar pela rota da seda e pernoitar um dia num Caravançarai? 
Março trouxe-nos o bom humor e as aventuras de Varguitas e do seu folhetinesco A Tia Júlia e o Escrevedor. Quem não se lembra de Pedro Camacho, a sua chávena de chá e as suas excêntricas radio-novelas? 

Em Abril, mês de liberdade, a revolução soou bem alto com Franceses, Marinheiros e Republicanos. A presença da simpática escritora Filomena Marona Beja abrilhantou uma sessão, em que os cravos vermelhos tiveram lugar de destaque. Neste mês houve ainda tempo para alguns dos nossos rumarem até Vila Franca de Xira e entre sável frito, concertos e literatura houve também sonhos para o futuro. 


O mês de Maio, para além da Primavera trouxe também A Ronda da Noite, a escrita inigualável da Agustina e a pintura magistral de Rembrandt. Alguém ainda tentou trazer o o capitão Frans Banning Cocq e o tenente Willem van Ruytenburg à nossa sessão de leitura, mas eles não estavam para aí virados. Mais perderam! 


O Verão chegou com o mês de Junho e a Comunidade estendeu-se para fora de portas. Antes da análise de O Belo Adormecido, rumámos à outra margem e passámos um dia memorável por terras de Almada. O Parque da Paz deu-nos o ambiente perfeito para mais umas aventuras do nosso D. Quixote e Sancho Pança. Julho e Agosto já com sabor a férias, levaram alguns até Tomar e à belíssima festa dos Tabuleiros. As leituras trouxeram As Ondas e As Horas com a inquietude de Virgínia sempre presente. 


No doce Setembro viajámos pelo Palácio da Lua, que nos levou ainda a Tintin, a Júlio Verne e a Cyrano de Bergerac entre muitas outras associações. As Pupilas do Senhor Reitor, animaram Outubro com a sua ingenuidade e ruralidade, mas deixaram também no ar a seguinte pergunta: qual a ligação entre o Che Guevara, Demócrito e Heraclito? Com o ano a caminhar a passos largos para o fim, A Noite e a Madrugada estenderam-se pelo mês de Novembro e com elas percorremos os caminhos do contrabando. Afinal não somos nós próprios contrabandistas de leituras? 

Muitas outras coisas aconteceram nos intermeios tais como convívios de aniversário, teatro, passeios, visita aos moinhos de maré de Corroios e com um destaque muito especial, o apadrinhamento de mais uma Comunidade de Leitores, desta vez na Biblioteca Municipal José Saramago no Feijó, dinamizada pelo nosso Davide Freitas.


E assim entre as histórias da escrita, a amizade, os encontros e os momentos especiais deixamos este ano Velho e acolhemos o Novo, sempre em torno dos livros e do sonho que proporcionam ...