05 dezembro 2014

"O Amor nos Tempos de Cólera", Gabriel García Márquez, 29 Dezembro - 21h00

Capa do livro "O Amor nos Tempos de Cólera", das Publicações Dom Quixote

"Era contra toda a razão científica que duas pessoas que mal acabavam de se conhecer, sem qualquer parentesco entre si, com personalidades diferentes, com culturas diferentes e até com sexos diferentes, se vissem comprometidas de um momento para o outro a viverem juntas, a dormirem na mesma cama, a partilharem dois destinos que talvez estivessem determinados em sentidos diferentes. Dizia" O problema do casamento é que acaba todas as noites depois de fazer amor e tem de se voltar a reconstruí-lo todas as manhãs antes do pequeno almoço..."

"O Amor nos Tempos de Cólera", de Gabriel García Márquez, Publicações Dom Quixote, pág 225

29 novembro 2014

LEITURAS DE 2015

1º Trimestre – Literatura do mundo

30 Janeiro – Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
27 Fevereiro – Samarcanda, de Amin Maalouf
27 Março – A tia Julia e o escrevedor, de Mario Vargas Llosa

2º Trimestre – Literatura Portuguesa

24 Abril – Franceses, marinheiros e republicanos, de Filomena Marona Beja
29 Maio – A ronda da noite, de Agustina Bessa-Luís
26 Junho – O belo adormecido, de Lídia Jorge

3º Trimestre – Literatura do mundo

31 Julho – As ondas, de Virgínia Woolf
28 Agosto – As horas, de Michael Cunningham
25 Setembro – Palácio da lua, de Paul Auster

4º Trimestre – Literatura Portuguesa

30 Outubro – As pupilas do senhor reitor, de Júlio Dinis
27 Novembro – A noite e a madrugada, de Fernando Namora
18 Dezembro – A relíquia, de Eça de Queirós

20 novembro 2014

"O elefante evapora-se" de Haruki Murakami, 28 de Novembro às 21H

A abrir o conto: "Foi ao ler o jornal que fiquei a saber que o elefante da cidade tinha desaparecido sem deixar rasto. Nesse dia, como de costume, o meu despertador acordara-me às seis e treze. Uma vez a pé, fui à cozinha, fiz café e torrei pão, liguei o rádio na emissora norte-americana, abri o jornal em cima da mesa e comi as minhas torradas. Sou uma daquelas pessoas que tem por hábito ler o jornal de uma ponta à outra, a começar pela primeira página, por isso demorei o meu tempo até chegar ao artigo que falava do elefante desaparecido." 

17 novembro 2014

O efeito borboleta de umas "Lederhosen"


Devia ser em algo deste género que o Murakami pensou, quando se referia à hipótese de se imaginar um japonês vestido com umas "Lederhosen".
Nunca me passou pela cabeça que umas simples "Lederhosen" se pudessem transformar numa peça sinistra causadora de um divórcio ...

11 novembro 2014

CAVALOS DE CARTÃO

Já conhecíamos o cavalo de cartão de JOSÉ LUÍS PEIXOTO (Nenhum Olhar). O de LAURINDO  GÓIS está neste belo texto publicado no blogue A Curva dos Livros.

ETERNIDADE

Quando não sabia. Mas o cavalinho de cartão entrara um dia na história da sua vida. Quando deu por ele? E são muitos quando. Quando a  fotografia de contornos pesados e rigorosos do Amândio Fotógrafo lhe devolveu a imagem. Menino com cavalo, isso mesmo. A cara plena de espanto, o colete de veludo, obviamente macio, calção, camisa branca, meia branca, sapato de fivela. A condizer com qualquer coisa animal. A pata branca do cavalo, o selim igualmente branco, a luz nas ventas. O espanto, também. Cavalo…cavalo, o nome soou.

Mais tarde escreveria poemas dando-lhe prados maiores, veria cavalos correrem no grande ecrã, leria pinturas de cavalos em Júlio Pomar. Mas só mais tarde. O seu, de cartão e sonho quixotesco ficou agarrado ao minúsculo prado de madeira de pinho com rodízios. Quase um precipício.

Pediram-lhe que estivesse quietinho. Já  era, quietinho. E esteve mais. O momento era histórico. Sabia-o. Mas só sabia isso. Aquele era decididamente o momento. Susteve a respiração. Abriram-se-lhe instantaneamente duas luas de iluminação muito forte sobre o rosto. Ficou em décimos de segundo com as luas nos olhos. Disseram-lhe: “Já está”.


Foi a fotografia de menino com cavalo.  A única coisa verdadeiramente séria, certeira, que fez na vida. Interroga-se por vezes: fotografia? mas que é isso de fotografia? ainda não sabe. Gozou apenas aquele momento de menino-poeta-cavalo. Se a eternidade é. É aquilo: “já está”. E ele é, na marca do seu espanto aquele grão de eternidade.  

(Texto de Laurindo Góis)

30 outubro 2014

MILAN KUNDERA - A ARTE DO ROMANCE


«O romance conhece o inconsciente antes de Freud, a luta de classes antes de Marx, pratica a fenomenologia (a procura da essência das situações humanas) antes dos fenomenólogos. Que soberbas "descrições fenomenológicas" em Proust, que não conheceu nenhum fenomenólogo!». 

MILAN KUNDERA, A arte do romance, p. 47.


29 outubro 2014

LEIO, LOGO PENSO

«Um jovem sedutor disse-me um dia: "Casa quantas vezes quiseres, mas promete-me que só eu vou ser o teu amante". Ele estava a parafrasear Oscar Wilde, mas o seu apelo melancólico continha um desejo ardente: desejo de alguma estabilidade num mundo instável. Se o casamento já não dá essa estabilidade, então, talvez as aventuras amorosas a garantam.» -- ERICA JONG, O que querem as mulheres?, Capítulo 14, "O homem perfeito". 
Li ontem e logo pensei que tem muito a ver com aquele discurso sobre o peso e a leveza do ser. Desculpem se me enganei.

22 outubro 2014

25 de Outubro, 14h00, continuação da leitura de D. Quixote



Para um momento de boa disposição, a anteceder os que se aguardam para o próximo sábado. As leituras de D. Quixote têm-nos proporcionado momentos ímpares ...

16 outubro 2014

15 outubro 2014

Chapéus de coco há muitos, mas este é único...



Charlie Chaplin: Modern Times (1936) - Titina

"Chapéus como aquele, pretos, redondos rígidos, Tereza nunca tinha visto senão no cinema. Charlie Chaplin usava sempre um. Sorriu por seu turno pegou no chapéu de coco e examinou-o demoradamente. Depois, disse:"Queres ficar com ele nas fotografias?""

in "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Jundera

"A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, 31 de Outubro às 21h00


A abrir o capítulo nono

"Quando os amigos lhe perguntavam quantas mulheres tinha tido, respondia de forma evasiva e , se insistiam em saber, dizia: "Mais ou menos duzentas." Os invejosos afirmavam que estava a exagerar com certeza. Defendia-se dizendo: "Nem tanto como isso. Tenho relações com mulheres mais ou menos há vinte e cinco anos. Ora experimentem a dividir duzentos por vinte e cinco. Hão-de ver que dá mais ou menos oito mulheres novas por ano. Não são assim tantas.""

In "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera

06 outubro 2014

ESCRITARIA EM PENAFIEL 2014


"Não há livro de instruções para salvar a vida. Só a Literatura se aproxima desse imenso livro."

 "Nada justifica a gula do dinheiro."

 Lídia Jorge
 
 

04 setembro 2014

PARA 26/9: É LER OU RELER - SÓ NÃO VALE TRESLER

«Decididamente, era uma bela rapariga. Assim que ela acabasse a bucha, ele tomá-la-ia nos braços para a beijar na boca. Era uma resolução de tímido, uma ideia de violência que o engasgava um pouco. Aqueles fatos de rapaz, aquela jaqueta e aquelas calças sobre aquela carne de rapariga, excitavam-no e incomodavam-no. Estevão tinha engolido o último bocado. Bebeu do cantil, restituiu-lho para ela o despejar. Agora, era chegado o momento de operar; e estava deitando uma olhadela inquieta para o lado dos mineiros, ao fundo, quando uma sombra tapou a galeria.»
 
ÉMILE ZOLA, Germinal, tradução de Eduardo de Barros Lobo, Lisboa, Círculo de Leitores, 1983, p. 31.

24 agosto 2014

ONTEM, EM OEIRAS, NO PARQUE DOS POETAS: D. QUIXOTE "PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE"

«E quis a minha boa sorte que o senhor D. João de Áustria acabasse de chegar a Génova e depois seguir para Nápoles para juntar-se à armada de Veneza, como depois o fez em Messina. Digo, por fim, que participei naquela felicíssima jornada, (…)»
-- Relato autobiográfico de MIGUEL CERVANTES (1547-1616), nos capítulos XXXIX, XL e XLI da Quarta Parte de “D. Quixote de La Mancha” I, relativo à sua participação na batalha naval de Lepanto (1571), travada entre os estados cristãos e o Império Otomano. – Uma história dentro da história do cavaleiro da triste figura.
 

22 agosto 2014

UM ADEUS PORTUGUÊS

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

 
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.


No Reino da Dinamarca (1958)

16 agosto 2014

SÁBADO, DIA 23, A PARTIR DAS 13.30 --- LEITURAS DE D. QUIXOTE NO PARQUE DOS POETAS


EU, QUIXOTE
Vejo o mundo com olhos que estão para além do mundo e,
por isso, não estranho a chacota dos que comigo se cruzam
nos caminhos da heróica demanda.
Áridas são as cores em todo o planalto da Mancha:
o ocre da terra, o amarelo seco das searas
atravessadas por rocins de vento e pó.
Como dizer, a esses que riem de mim, que o sonho
tem mais luzes que todas as que há no céu?  
Como falar-lhes de ideal e sonho
se nunca se elevaram um palmo acima da terra,
presos a ela por raízes de ferro e sombra?
Sim, eu sei, não há nenhuma senhora Dulcineia,
nem em Toboso nem em qualquer outro lugar da Mancha.
– Só o meu ideal a faz viver, grata imagem
de mulher e amante
guardada no coração dum cavaleiro andante.


16/8/2014
 

13 agosto 2014

DEPOIS DA LEITURA


Tartufo (1925), de F.W. Murnau, obra do cinema expressionista alemão que veremos ainda este mês -- em exibição rara -- no ANIM (Bucelas), Centro de Conservação da Cinemateca Portuguesa. O roteiro do filme é uma adaptação livre da peça de Molière.
Programa em preparação. 

12 agosto 2014

"O Tartufo" de Molière, 29 de Agosto - 21h00


Diz-se por aí que estamos em Agosto e que a maior parte de nós anda de férias, mas não se esqueçam que este também é mês de leitura teatral. Por enquanto apenas encontrei uma versão do livro em castelhano ...

29 julho 2014

LER A MANCHA

Revista "Ler", nº 67, Verão de 2005
 
«Não me incomoda ser um cavalo, sobretudo agora que posso pastar livremente, sem que já nada me atormente, a não ser a memória, pelas verdes pastagens da eternidade; do que eu nunca gostei, e ainda não gosto, é de cavaleiros andantes, ou antes, cavalgantes, pois quem realmente andava éramos sempre nós. Eu sei que, excepto nas corridas, quem faz a glória do cavalo é o seu cavaleiro. Se eu não tivesse tido como cavaleiro o senhor Quixote de la Mancha, ou Quixada ou Quesada, que até hoje não sei ao certo como diabo ele se chama, o meu nome teria sido esquecido por todos, antes mesmo de eu morrer.
Infelizmente não foi. (...)»
 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, "Rocinante"

19 julho 2014

A redenção da leitura

 
Foi notícia: a Comunidade de Leitores da Biblioteca de Cascais, de São Domingos de Rana, deslocou-se às Caldas da Rainha no dia 13 de Julho. Este evento foi o corolário da leitura do livro "A redenção das águas", de Carlos Querido, e da participação, com o mesmo livro, na Feira do Livro de Lisboa deste ano.

Foi uma jornada memorável, com um ambiente de festa e com uma organização super cuidada e super recheada de história e de património.
A Comunidade não pode deixar de expressar um grande agradecimento ao apoio da Câmara Municipal das Caldas da Rainha e ainda, muito em particular, a todo o desvelo e carinho manifestados pelo Dr. Carlos Querido e sua esposa.
Esta aventura começou com um livro, e a literatura passou para a vida...

12 julho 2014

MIL E UMA NOITES

SCHEHERAZADE ou o poder das histórias narradas.
Na noite de ontem com Rimsky-Korsakov, Festival ao Largo, 5-dos nossos-5: «De la musique avant toute chose, / Et pour cela préfère l´Impair / Plus vague et plus soluble dans l´air, / Sans rien en lui qui pèse ou qui pose.» (Paul VERLAINE, "Art poétique").