11 junho 2021

EDELWEISS, A FLOR TALISMÃ DO AMOR

No capítulo 8 de “Olhai os Lírios do Campo”, Eugénio Fontes e Olívia vão jantar ao restaurante austríaco «Edelweiss«, nome de uma flor alpina de rara beleza. Naquele dia, a psicologia bipolar do protagonista estava do lado da satisfação e da autoestima. Com uma traqueotomia prontamente realizada salvara uma criança em estado agudo de laringite diftérica. Até o seu ateísmo ressentido parecia desaparecer: «Sim, Deus existia! – achava Eugénio. Recordações das lições da Bíblia no Columbia College. A ressurreição de Lázaro. A filha de Jairo. Cristo era um médico. Cristo podia ser aquela estrela pura.»

Edelweiss é a flor nacional da Áustria e da Suiça. Em “Música no Coração” o nome da flor aparece na letra de uma canção: «Edelweiss / Edelweiss / Bless my homeland forever.»

O que não sabia é que em Lisboa também há um restaurante «Edelweiss». Fica no nº 2 da Rua de S. Marçal, ali perto de S. Bento. Passei por lá hoje à hora do almoço. É um restaurante suíço em cuja ementa há pratos como «Strogonoff de vitela», «Salsicha alemã com molho de cebolas» e «Massa fresca suiça com queijo Emmental». Só abre para jantares a partir da 17 horas. Talvez algumas das nossas leitoras  ainda se disponham a ir a este restaurante experimentar os segredos da gastronomia alpina, e sempre com "Olhai os Lírios do Campo" em pensamento. O aspecto exterior do restaurante é frio e vulgar, mas por dentro, tanto quanto me apercebi, é simpático e acolhedor.


01 junho 2021

25 de Junho – “Olhai os Lírios do Campo” de Erico Veríssimo – 20h00

 



Abri ao acaso e li:

“…Seu Florismal... Para Eugênio, esse nome tinha um secreto encanto. Florismal aparecia quase todas as noites, chegava muito calmo, fumando o seu charuto de tostão, e ia logo sentar-se na cadeira de balanço. Era um homem baixo, de cabelos ralos, quase calvo. No rosto gorducho e redondo, a barba forte era sempre uma sombra azulada, mesmo quando ele se escanhoava. Os dentes eram maus e miúdos. Florismal tinha uma voz macia e uma certa dignidade de estadista. Era um espírito conciliador e gabava-se de ter muita lábia. «Nasci para advogado - dizia. - Se eu tivesse tido mais um pouco de juízo quando moço...» Calava-se, entortava a cabeça, batia a cinza do charuto e ficava em atitude sonhadora. Decerto via mentalmente o seu passado, os seus erros e uma carreira perdida. Ou então pensava apenas no efeito que aquelas palavras e aquela sugestiva postura podiam estar produzindo nos interlocutores…”

 

In “Olhai os Lírios do Campo” de Erico Veríssimo -Pág 21, Edição “Livros do Brasil” Lisboa

19 maio 2021

A Debulhadora

Imagem daqui

Imagem da net (não encontrei os créditos)

A certo momento do “Levantado do Chão”, fala-se de uma debulhadora e das terríveis condições de trabalho, para operar a mesma. O texto é longo e opressivo.  A descrição é tão real, que facilmente imaginamos a cena ali apresentada e sentimos a falta de ar provocada por aquela névoa de pó e palha e os ouvidos parecem ensurdecer com o ruído que constantemente nos matraqueia. Procurei imagens do monstro e encontrei as que estão em cima.

 

“… Chamam-lhe debulhadora…………… Vista de fora, é uma grande caixa de madeira sobre rodas de ferro, ligada por uma correia a um motor que trepida, estrondeia, retumba e, com perdão, fede. Pintaram-na de amarelo gema de ovo, mas a poeira e o sol bruto quebraram-lhe a cor, e agora mais parece um acidente do terreno, ao lado doutros que são os frascais, e com este sol nem se distingue bem, não há nada que esteja quieto, é o motor a saltar, a debulhadora a vomitar palha e grãos, a correia frouxa a oscilar, e o ar vibrando como se todo ele fosse o reflexo do sol num espelho agitado no céu por mãozinhas de anjos que não têm mais que fazer. Há uns vultos no meio desta névoa. Estiveram todo o dia nisto, e ontem, e anteontem, e mais para trás, desde que a debulha começou…………………. Dormem na eira, na revessa dos fardos, mas é noite fechada quando o motor se cala e ainda vem longe o sol quando se ouve o primeiro tiro daquela besta que se alimenta de bidões dum líquido preto e pegajoso, e depois, todo o santo dia, diabos o levem, matraqueia os ouvidos…………………….A boca da máquina é um vulcão para dentro, um gasgarro de gigante………………………………….. giram como doidos naquela perdição de palha miúda, …………………………….. e a máquina é como um poço sem fundo. Só falta meter-lhe um homem dentro. ……………………………….. É a moinha aquele monstro sem peso, aquela palha poalha que se infiltra pelas ventas e as entope, que se mete por tudo quanto é abertura da roupa e se agarra à pele, uma pasta de lama, e a comichão, senhores, e a sede. A água que se bebe do quartão não tarda que fique mole, doentia, …………………………………Vai o moço para a moinha, recebe-a na cara como um castigo, e o corpo começa de mansinho a protestar, para mais não me sobram as forças, ……………………………………………., e então, de dois feito, o rapaz, que se chama Manuel Espada e voltará a ser falado neste relato, deixa a moinha, chama os companheiros e diz, Vou-me embora, que isto não é trabalhar, é morrer………………. e afinal são apenas quatro rapazes, estes que se afastam movidos por suas razões de quem não tem que pensar em mulher e filhos a sustentar…”

Excertos do capítulo que se inicia na pág.99 do meu livro. Edição Caminho - O Campo da Palavra.

01 maio 2021

28 de Maio “Levantado do Chão” de José Saramago – às 20h00

A abrir

" O que mais há na terra é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas do ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos…”

In “Levantado do Chão” de José Saramago

Voltámos

 


Ontem voltámos às sessões presenciais, com catorze entusiastas da leitura. O Cemitério de Pianos, deu o mote. A história do José Luís Peixoto não deixou ninguém indiferente. Houve quem adorasse e defendesse com paixão o seu ponto de vista e houve quem apenas lesse com cuidado e atenção e tivesse dado o tempo por bem empregue. Uns leram simplesmente ao sabor da corrente e outros leram com dificuldade. Houve quem fizesse tentativas várias e andasse para cá e para lá, mas não conseguisse agarrar a história e houve quem não lesse por não se sentir cativado ou por não ter tido acesso ao livro em tempo útil. Uma coisa é certa, a história ficcionada, mas com bases reais, deu pano para mangas e proporcionou mais umas belas horas de convívio e discussão literária.

No final da sessão, a nossa leitora Bia presenteou-nos com um poema dos “Cadernos de Verão”, da autoria do Manuel Nunes. Os interessados podem saber de tudo aqui.

Obrigada mais uma vez aos responsáveis da BSDR-Cascais, que nos garantiram, de novo, todas as condições de higiene e segurança para a realização da sessão.

02 abril 2021

30 de Abril - “Cemitério de Pianos” de José Luís Peixoto - 20h00


 Abro ao acaso e leio: 

“… a outra rua, outras casas. Corro mais depressa para que o tempo passe mais depressa. A cor das casas altas. Os telhados das casas. A minha respiração. Não quero fixar-me na minha respiração. A cor das casas: amarelo torrado, cor de laranja, quase castanho, cor de barro…”

In “Cemitério de Pianos” de José Luís Peixoto

 

18 março 2021

Joe DiMaggio, ídolo de Santiago

Foto da net

Joe DiMaggio (1914-1999), um dos melhores jogadores americanos de basebol de sempre, é uma personagem muito presente no romance "O Velho e o Mar". Oriundo de uma família de emigrantes sicilianos, não seguiu os passos do pai que era pescador e optou por um dos desportos mais queridos na América, o basebol. Representando sempre o New York Yankees, na segunda metade da sua carreira, teve que lidar com graves problemas físicos, relacionados com um esporão ósseo no calcanhar e após uma temporada muito complicada, conseguiu voltar no ano seguinte às exibições de topo. Essa superação fez com que se tornasse um símbolo de força e resistência no seu país. DiMaggio ficou também conhecido socialmente pelo seu curto casamento com Marilyn Monroe. O divórcio, que fez correr muita tinta nos tabloides, fez sobressair o seu carácter elegante e digno, pois sempre se recusou a comentar e alimentar os mexericos daí decorrentes. A esse propósito, Paul Simon fez-lhe uma referência na canção “Mrs. Robinson”, tornada um êxito pela dupla Simon & Garfunkel

“…Where have you gone, Joe DiMaggio?
A nation turns its lonely eyes to you Ooo ooo ooo
What's that you say, Mrs. Robinson?
Joltin' Joe has left and gone away…”

(Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson (from The Concert in Central Park)

No romance de Hemingway, Santiago tem como distração as notícias da Liga de Beisebol dos Estados Unidos, sobretudo no que diz respeito ao seu ídolo Joe DiMaggio. As notícias chegam através dos jornais e são tema recorrente na suas conversas com Manolim:

 “…Conta-me do beisebol- pediu o rapaz. Na liga americana são os Yankees, como eu disse- declarou o velho. Hoje, perderam- observou o rapaz. Isso não significa nada, o grande DiMaggio é sempre o mesmo- respondeu o velho…”

E dizia-lhe “… gostaria era de levar o grande DiMaggio a pescar…dizem que o pai dele era pescador. Talvez tivesse sido pobre como nós e percebesse…”   

Nos 3 dias que passa no mar após a pesca do espadarte, Santiago vai monologando e refere-se várias vezes ao basebolista:

 “… É o segundo dia de que não sei os resultados dos juegos, pensou. Mas preciso de ter confiança e devo ser digno do grande DiMaggio que tudo faz perfeitamente, mesmo com a dor de espora de osso no calcanhar. O que será espora de osso?...”

“…Julgas que o grande DiMaggio seria capaz de ficar com um peixe tanto tempo como eu com este? Tenho a certeza de que seria, e mais, pois que é jovem e forte. O pai dele era pescador. Mas a espora dor-lhe-i muito?...”

“… mas acho que o grande DiMaggio se orgulharia hoje de mim. Eu ‘não tinha esporas de osso’. Mas as mãos e as costas doem de verdade.- Que será uma ‘espora de osso’?, pensou. Talvez seja coisa de ter-se sem se saber…”

E quando mata o primeiro tubarão, “… Preciso de pensar. Porque nada mais me resta. Isso e o basebol. Gostava de saber se o grande DiMaggio gostaria da maneira como lhe acertei nos miolos. Não foi grande coisa. Qualquer o faria. Mas não achas que o estado das minhas mãos equivale às ‘espuelas’? Não posso saber, nunca sofri do calcanhar…”

e mais à frente a propósito do pecado, “…Não penses no pecado. É tarde demais para isso e há gente paga para pensar nele. Eles que pensem. Tu nasceste para pescador, como os peixes para serem pescados. S. Pedro era pescador, como o pai do grande DiMaggio…”

E tal como Joe DiMaggio na sua luta contra o esporão ósseo do calcanhar, também Santiago na sua aventura de 3 dias no mar, deu provas de força e resistência, quer na pesca do espadarte, quer na defesa do mesmo contra o ataque dos tubarões...

03 março 2021

"O Velho e o Mar", em versão animada


Em 1999, o realizador russo Aleksandr Petrov, produziu uma brilhante curta metragem de animação, baseada no romance “O Velho e o Mar”. Absolutamente maravilhoso!


02 março 2021

26 de Março - ”O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway



Abri ao acaso e li:

“… As nuvens por cima de terra erguiam-se agora como serranias, e a costa era apenas uma longa linha verde com os montes azuis-cinzentos por detrás. A água era agora de um azul-escuro, tão escuro que era quase púrpura. Ao olhar para o interior das águas via o vermelho peneirar do plâncton nas águas sombrias e a estranha luz que o sol fazia. Observava as linhas, para vê-las sumir-se da vista pela água abaixo, e sentia-se feliz por ver tanto plâncton, o que significava peixe. A estranha luz do sol nas águas, com o sol já mais alto, queria dizer bom tempo, e o mesmo dizia a forma das nuvens sobre a terra. Mas o pássaro estava quase a perder-se ao longe, e nada aparecia à superfície das águas senão alguns sargaços amarelos e queimados do sol, e a purpurínea, pomposa, iridescente, gelatinosa vela de um argonauta flutuando junto do barco. Deitou-se de lado e depois endireitou-se. E flutuava consoladamente como uma bolha, com os seus longos e mortais filamentos cor de púrpura vogando um metro atrás na água…”

In ”O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway– Edição “Livros do Brasil” Lisboa, pág.40


As sessões presenciais continuam suspensas, mas os livros estão disponíveis por aí para serem lidos…

27 fevereiro 2021

A realidade das "Vinhas da Ira"

Foto daqui

Foto by_Dorothea_Lange

Foto by_Dorothea_Lange

Foto RTP "Vinhas da Ira"

John Steinbeck quis viver na primeira pessoa, a realidade que depois inseriu no seu romance. Seguiu viagem com famílias de migrantes e acampou com alguns deles nos acampamentos do percurso. Daí o realismo impresso à narrativa.

“As Vinhas da Ira” relata-nos de forma crua e dramática, o drama da Família Joad, que após perder a sua casa e a as terras de cultura de algodão, no Oklahoma, parte para a Califórnia, numa viagem de esperança em busca de uma vida melhor. É a história da família Joad como poderia ser a de milhares de outras famílias de agricultores, que nos anos 30 seguiram na procura do mesmo sonho.

A narrativa decorre na sequência da Grande Depressão, quando grande parte do povo americano sofria as suas terríveis consequências. Os graves problemas sociais daí decorrentes e a crise económica, levaram ao desemprego de milhões e à fome.

Assim, uma onda de migração seguiu em longas caravanas em direção à Califórnia, numa jornada penosa, mas ao mesmo tempo solidária. Milhares de famílias reuniram os seus parcos pertences e amontoadas em carros, camionetas e tudo o que tivesse 4 rodas, seguiam um trajeto idêntico parando em acampamentos miseráveis para descanso, onde quem nada tinha, tudo repartia.

Chegados à Califórnia o sonho tornava-se num pesadelo. A exploração da mão de obra barata, era a realidade encontrada.

Em cima, as fotos são testemunhos reais das grandes migrações da população.

12 fevereiro 2021

"THE GHOST OF TOM JOAD" (Bruce Springsteen e Tom Morello)


Agora que estamos a ler As Vinhas da Ira...

THE GHOST OF TOM JOAD

Men walkin' 'long the railroad tracks
Goin' someplace there's no goin' back
Highway patrol choppers comin' up over the ridge

Hot soup on a campfire under the bridge
Shelter line stretchin' 'round the corner
Welcome to the new world order
Families sleepin' in their cars in the Southwest
No home no job no peace no rest

The highway is alive tonight
But nobody's kiddin' nobody about where it goes
I'm sittin' down here in the campfire light
Searchin' for the ghost of Tom Joad

He pulls a prayer book out of his sleeping bag
Preacher lights up a butt and takes a drag
Waitin' for when the last shall be first and the first shall be last
In a cardboard box 'neath the underpass
Got a one-way ticket to the promised land
You got a hole in your belly and gun in your hand
Sleeping on a pillow of solid rock
Bathin' in the city aqueduct

The highway is alive tonight
Where it's headed everybody knows
I'm sittin' down here in the campfire light
Waitin' on the ghost of Tom Joad

Now Tom said Mom, wherever there's a cop beatin' a guy
Wherever a hungry newborn baby cries
Where there's a fight 'gainst the blood and hatred in the air
Look for me Mom I'll be there
Wherever there's somebody fightin' for a place to stand
Or decent job or a helpin' hand
Wherever somebody's strugglin' to be free
Look in their eyes Mom you'll see me

Well the highway is alive tonight
But nobody's kiddin' nobody about where it goes
I'm sittin' down here in the campfire light
With the ghost of old Tom Joad


04 fevereiro 2021

O cágado (que nasceu com o rabo virado para a lua)

 

(Imagem da net)

 “…Depois surgiu um caminhão ligeiro, e, ao aproximar-se, o motorista, vendo o cágado, desviou-se no intuito de o atropelar. A roda da frente apanhou a orla da concha, atirou com o animal ao ar com a rapidez de um relâmpago e fê-lo rodopiar, como se fosse uma moeda, para fora da estrada. O camião manobrou a fim de retomar a direita. Deitado de costa, o cágado manteve-se muito tempo dentro da concha. Mas, por fim, as pernas oscilaram no ar, à procura de uma coisa onde pudessem firmar-se. O pé dianteiro agarrou-se a um pedaço de quartzo e, pouco a pouco, o cágado conseguiu voltar-se…”

In “As Vinhas da Ira” de John Steinbeck, capítulo III


Acabo de ler o Capítulo III do romance, onde nos deparamos com um episódio quase alucinante que nos descreve o esforço épico de um cágado para subir a uma estrada, atravessá-la e chegar vivo ao outro lado. Quando cheguei ao fim do capítulo, dei um suspiro tremendo e percebi que tinha estado a suster a respiração enquanto lia sofregamente o epílogo daquela louca aventura. Tenho para mim que este cágado não vai ficar por aqui…

01 fevereiro 2021

“As Vinhas da Ira” de John Steinbeck – livro de Fevereiro

Tudo aponta, para que também não haja sessão presencial em Fevereiro. Que isso não nos impeça de acompanhar a família Joad, na sua longa viagem entre o Oklahoma e a Califórnia, numa tentativa desesperada de encontrar trabalho e um lugar onde possam recomeçar a viver.

28 janeiro 2021

TOM SWIFT



 Tom Swift (mais um Tom) é um personagem de livros de ficção para a juventude, criado por Edward L. Stratemeyer (1862-1930),  escritor americano prolífico, fundador da editora Stratemeyer Syndicate, pioneira na criação e divulgação em massa de literatura infantil e juvenil. A 1ª série foi publicada entre 1910 e 1941; a 2ª, entre 1954 e 1971; retomada a publicação em 1981, a 3ª série prolongou-se até 1984; uma 4ª e uma 5ª séries surgiram, respetivamente, em 1991/1993 e 2006/2007. É de assinalar que Tom Swift parece ter retomado as suas frenéticas e inventivas atividades em 2019, utilizando, claro, os meios atuais de publicação.  No decorrer desta já tão longa e irregular viagem editorial, os diferentes autores das aventuras ficaram sempre na sombra (e por isso serão eles os escritores fantasma) de dois autores designados mas  fictícios, Victor Appleton e Victor Appleton II. 

(Elementos recolhidos na Wikipédia)

26 janeiro 2021

MATARAM A COTOVIA_ROMANCE GRÁFICO


 Eis que uma segunda leitura de Mataram a Cotovia acabou por ser feita no formato Banda Desenhada, livro que me foi oferecido e que, afinal, apreciei bastante. Embora a sequência siga de perto o texto de Harper Lee, é evidente que se perde muito do conteúdo e do sabor do texto original. Mas gostei da composição gráfica dos personagens, correspondendo bastante à imagem que deles fazia. Considero que não é de desprezar, mesmo do ponto de vista literário, esta interpretação de To Kill a Mockingbird, publicado em 2018 na Grã Bretanha pela mesma editora responsável pela publicação original em 1960 e que nos chega, traduzida para português, através da Relógio D'Água, em 2019.

22 janeiro 2021

O “The Gray Ghost”, no "Mataram a Cotovia"

(Imagens da net)

A primeira tentativa de incursão à casa dos Radley, por Scout, Jem e Dill, aconteceu porque o Dill apostou o seu livro “The Gray Ghost” contra dois “Tom Swift” do Jem, em como ele não conseguiria ultrapassar o portão da referida casa. Aposta muito tentadora para Jem que mesmo assim demorou 3 dias a decidir-se. Aí começaram as aventuras das 3 crianças em torno do misterioso Boo Radley. O mesmo Boo que tem um papel fundamental no epílogo do romance.  

Mesmo no final de “Mataram a Cotovia”, o “The Gray Ghost” volta a aparecer. Após os terríveis acontecimentos dessa noite, Atticus que está a velar o sono de Jem, agarra no livro que estava por perto e começa a ler. Scout aparece, e pede para ele ler em voz alta. Atticus começa por recusar, por achar a história assustadora, mas Scout insiste dizendo que não tem medo. Aconchega-se e embalada pela voz do pai, pelo conforto do quarto e pelo barulho suave da chuva vai adormecendo. Quando Atticus a leva ao colo para a cama, ela vai murmurando:

“…Ouvi tudo o qu’ disseste – murmurei - … não estava a dormir, é sobre um barco e o Fred Três Dedos e o Stoner’s Boy…

Ele desapertou-me o macacão, encostou-me a si e despiu-mo. Depois segurou-me com uma mão enquanto pegava no pijama com a outra.

- Pois, e depois eles pensavam qu’ era o Stoner’s Boy quem estragava tudo no clube e espalhava tinta por toda a parte….

Levou-me para a cama e sentou-me nela. A seguir levantou-me as pernas e meteu-me debaixo das cobertas.

E vai daí eles perseguiram-no, só qu’ nunca o apanhavam porque não sabiam como ele era, e, depois Atticus, quando eles o encontraram, afinal não tinha sido ele qu’ tinha feito aquelas coisas… Atticus ele era mesmo bom…

As suas mãos estavam por baixo do meu queixo, puxando as cobertas e aconchegando-as à minha volta.

- A maior parte das pessoas são assim, Scout, quando finamente as conhecemos.

Desligou a luz e foi para o quarto do Jem. Sabia que ele ia ficar lá a noite toda e lá estaria ainda quando o Jem acordasse.”

 

E terminamos assim, com o herói Stoner’s Boy a moldar-se à imagem do Boo Radley. Ou será que é o contrário?

15 janeiro 2021

QUISERAM OS FADOS

QUISERAM OS FADOS não haver condições para escutarmos juntos o cantar da gentil cotovia. Por mim, já estou feito à ideia e só penso n´ As Vinhas da Ira do próximo mês. Anseio por reencontrar Rosa de Sharon, a personagem de que mais gostei.

Flor dos cânticos de Salomão, segui-te

dos campos de Oklahoma

aos vergéis sombrios de além Colorado.

Querias uma vida nova,

um marido amável

e uma casa branca com frigorífico na cozinha.

(…)

Entretanto, aqui fica a cançãozinha da cotovia. Coitadinha, ali no meio daqueles passarões!



06 janeiro 2021

ATTICUS, Noisettes

To kill a mockingbird
Is to silence the song
That seduces you
Why?
'Cause you need that desire in your heart to survive
And you need that burning fire in your soul to know
You're still alive
To catch me when I fall
Or did I dive at your delight?

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time
And I wouldn't know how
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear
I am Atticus now

Remember what I lost like hot coals in my hand from days gone by
Like Pandora adored the euphoria as her heart raced
Like love lost you've got to try even in vain
Feels like you'll go insane
But you're the hardest instrument that I've ever had to play

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time
And I wouldn't know how to
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear
I am Atticus now

So why don't we fall into the waves?
Can't you see how my heart yearns to misbehave?

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time to
And I wouldn't know how
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear left
'Cause I am Atticus now

So why don't we fall into the waves?
Can't you see how my heart yearns to misbehave?


02 janeiro 2021

“Mataram a Cotovia” de Harper Lee (Livro de Janeiro)


 A abrir

“Quando estava prestes a completar treze anos, o meu irmão Jem fraturou gravemente o braço na zona do cotovelo. Quando recuperou, e os seus receios de nunca mais poder jogar futebol foram postos de parte, raramente tomava consciência da sua lesão. Porém, o seu braço esquerdo ficara um tanto ou quanto mais curto do que o direito; quando estava parado, de pé, ou a caminhar, a palma da sua mão ficava mesmo perpendicular ao corpo, com o polegar paralelo à coxa. Mas isso não o incomodava, desde que conseguisse fazer passes e rematar…”

In “Mataram a Cotovia” de Harper Lee