Em 1901 era inaugurado o transporte electromotorizado na cidade de Lisboa: carreira Cais do Sodré a Algés. É num destes eléctricos que o pequeno Gabriel vai à praia (Pedrouços ou Algés?). À volta, apeiam-se no Terreiro do Paço (ele, a mãe e a irmã) e seguem pela Rua do Ouro. Num momento em que se separa delas, vai para o meio da rua e é colhido pela rede salva-vidas dum eléctrico que trava com um «grande estardalhaço» de ferragens. Envergonhado, não explica à mãe o sucedido. No entanto, pensa não ter sido nenhum Anjo ou Pomba de Pentecostes a salvá-lo: «se não tem pulado tão depressa para cima da rede, como os acrobatas!...» O nosso herói recusava assim a ideia do auxílio sobrenatural, aprendendo a acreditar em si e nas capacidades humanas.
(Cap. 14-Animais Nossos Amigos)



































